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terça-feira, 18 de março de 2025

Família Feitosa e Montes dos Inhamuns: A disputa histórica pelas sesmarias no sertão Nordestino

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Os conflitos entre as famílias Feitosa e Monte marcaram o processo de ocupação do interior do Ceará durante o período colonial, sobretudo na região dos Inhamuns. A expansão territorial portuguesa favoreceu a formação de grandes propriedades rurais, entregues por meio de sesmarias a indivíduos influentes. Nessas áreas afastadas, a autoridade oficial era limitada, o que permitiu aos grandes proprietários exercer poder quase absoluto sobre a população local, recorrendo frequentemente à violência para garantir domínio e prestígio (Conflitos territoriais entre famílias e migração interna nos sertões dos Inhamuns, 2024).

A família Feitosa, de origem portuguesa, migrou inicialmente para Pernambuco e Alagoas antes de se estabelecer no Ceará no início do século XVIII. Nos Inhamuns, tornou-se uma das principais criadoras de gado e acumulou extensas propriedades, consolidando forte influência política e militar (Feitosa, dos Inhamuns, 2024; Os Feitosas e o Sertão dos Inhamuns, 2024). Já a família Monte, também ligada à colonização portuguesa, fixou-se anteriormente na região do Icó, onde igualmente obteve terras e prestígio social (As guerras entre famílias: Montes x Feitosas, 2011).

Em um primeiro momento, as duas famílias chegaram a cooperar contra grupos indígenas, mas essa aliança foi desfeita à medida que crescia a disputa por terras. A concessão de sesmarias intensificou a rivalidade, pois a posse legal nem sempre correspondia à ocupação efetiva, gerando contestações frequentes (Os Montes e os Feitosa, 2015). Um episódio emblemático ocorreu quando membros dos Feitosa passaram a explorar terras anteriormente ocupadas por indígenas, o que levou Geraldo do Monte a solicitar a posse oficial. Posteriormente, a concessão foi anulada sob a alegação de abandono, ampliando a tensão entre os grupos (As guerras entre famílias: Montes x Feitosas, 2011).

Entre as décadas de 1720 e 1730, os conflitos armados tornaram-se frequentes, com ataques a propriedades, assassinatos e destruição de plantações. Cada família organizava seus próprios contingentes armados, compostos por vaqueiros, indígenas e mestiços, prolongando a violência por vários anos (Conflitos territoriais entre famílias e migração interna nos sertões dos Inhamuns, 2024). Segundo um dos relatos, tratava-se de uma luta em que “saques, incêndios e mortes tornaram-se comuns nas ribeiras do Jaguaribe e do Salgado” (Guerra entre Montes e Feitosas, 2024).

A participação de autoridades coloniais agravou a situação. O ouvidor José Mendes Machado apoiou os Feitosa, autorizando ofensivas contra os Montes, o que gerou conflitos com outros representantes da Coroa. A intervenção oficial só ocorreu de forma mais efetiva quando foi ordenada a entrega de armas sob ameaça de punições severas (As guerras entre famílias: Montes x Feitosas, 2011). Ainda assim, a repressão foi limitada, e muitos envolvidos escaparam de penalidades significativas.

Essas disputas tiveram consequências duradouras. Os Montes sofreram perdas materiais e humanas consideráveis, enquanto os Feitosa conseguiram manter boa parte de sua influência regional (Família Feitosa é tema principal, 2014). Para alguns estudiosos, esses confrontos familiares ajudaram a moldar a cultura de violência no sertão, sendo apontados como antecedentes de conflitos posteriores. Como observa um estudo sobre o tema, essas lutas demonstram como a ausência de controle estatal favorecia o surgimento de poderes locais autônomos (Algumas origens do cangaço no Cariri, 2023).

De acordo com Barão de Studart, os Feitosa destacaram-se como uma das famílias mais influentes do sertão cearense, exercendo papel relevante na formação social e econômica da região (O Barão de Studart e as famílias Feitosas e Araújos, 1957). Assim, os confrontos entre Feitosa e Monte ilustram como a disputa por terras e poder marcou a ocupação colonial do interior cearense, deixando impactos profundos na organização social dos sertões.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto adaptado por Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

Algumas origens do cangaço no cariri. Disponível em: >(https://estoriasehistoria-heitor.blogspot.com/2020/03/algumas-origens-do-cangaco-nocariri.html)<. Acesso em 22 de novembro de 2023.

As guerras entre famílias: Montes x Feitosas. Disponível em: >(http://cearaemfotos.blogspot.com/2011/09/as-guerras-entre-familias-montes-x.html)<. Acesso em 04 de dezembro de 2023.

Conflitos territoriais entre famílias e migração interna nos sertões dos Inhamuns. Disponível em: >(https://revistas.uece.br/index.php/GeoUECE/article/view/7060)<. Acesso em 09 de janeiro de 2024.

Família Feitosa é tema principal. Disponível em: >(https://vicentefreitas.blogspot.com/2013/02/familia-feitosa-e-tema-principal.html)<. Acesso em 11 de fevereiro de 2024.

Feitosa, dos Inhamuns. Disponível em: >(https://www.portalentretextos.com.br/post/feitosa-dos-inhamuns)<. Acesso em 11 de fevereiro de 2024.

Guerra entre Montes e Feitosas. Disponível em: >(https://www.youtube.com/watch?v=Op6OL7j8lUM)<. Acesso em 12 de fevereiro de 2024.

O Barão de Studart e as famílias Feitosas e Araújos. Disponível em: >(https://www.institutodoceara.org.br/revista/Rev-apresentacao/RevPorAno/1957/1957-BaraoStudartFamiliasFeitosaAraujo.pdf)<. Acesso em 19 de janeiro de 2024.

Os Feitosas e o Sertão dos Inhamuns. Disponível em: >(https://dokumen.pub/os-feitosas-e-o-sertao-dos-inhamuns-a-historia-de-uma-familia-e-uma-comunidade-no-nordeste-do-brasil-1700-1930.html)<. Acesso em 12 de fevereiro de 2024.

Os Montes e os Feitosa. Disponível em: >(https://cariricangaco.blogspot.com/2015/01/os-monte-e-os-feitosa-porronaldo.html)<. Acesso em 10 de fevereiro de 2024.

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