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Manoel Diógenes Paes Botão nasceu na Ribeira do Jaguaribe, na Fazenda Monte Vistoso, em Santa Rosa, antiga Jaguaribara, Ceará. Foi batizado em 20 de abril de 1698, na Capela de São Gonçalo do Potengi, no Rio Grande do Norte. Foram seus padrinhos o Capitão João da Fonseca Ferreira, seu tio materno, e Bernarda da Fonseca, sua tia materna, filha da viúva Isabel Ferreira (ARAÚJO LIMA, 2020).
Diógenes era filho do Expedidor Domingos Paes Botão (1º) e de Dona Sebastiana da Assunção Fonseca Ferreira, conhecida como “Maria da Fonseca”. Seu pai era um dos membros da chamada “Expedição dos Homens do São Francisco”, que veio ocupar a Ribeira do Jaguaribe, no final do século XVII, entre 1682 e 1684, com o objetivo de instalar as primeiras fazendas de gado no sertão cearense.
“Em 20 de abril de 1698, na Capela de São Gonçalo do Potengi, batizou o padre Francisco Bezerra de Góis a DIÓGENES, filho de Domingos Paes Botão e de sua mulher Maria da Fonseca. Foram padrinhos o capitão João da Fonseca e Bernarda da Fonseca, filha da viúva Izabel Ferreira. Assinado pelo vigário Simão Rodrigues de Sá.”
Diógenes casou-se com Antônia da Rocha Tavares, aliás Antônia da Purificação, filha de Luís Paes Botão e de Dona Josefa Ferreira da Rocha, branca. Luís Paes Botão era negro e escravo de Domingos Paes Botão (1º). Sua filha Antônia seria mestiça, e não índia, segundo Francisco Augusto de Araújo Lima (2006):
“Luís era natural do Reino de Angola — escravo, provavelmente do Capitão Domingos Paes Botão (1º), o Expedidor, deve ter sido criado como filho adotivo pelo próprio. Sua esposa Josefa era natural do Icó e sua família era natural da Freguesia de Arneiroz (Inhamuns). A primeira filha do casal, Antônia da Rocha Tavares (aliás Antônia da Purificação), casou com Diógenes Paes Botão e, a partir deles, surgiu a família Diógenes da Ribeira do Jaguaribe.”
Conforme Francisco Augusto de Araújo Lima (2006), ao tratar da suposta origem indígena de Antônia da Purificação, matriarca da família Diógenes da Ribeira do Jaguaribe, o referido pesquisador relata que:
“A esposa do primeiro Diógenes não era índia, mas mestiça, mais provavelmente, ou negra, filha de um ex-escravo de Domingos Paes Botão, o Expedidor ou Domingos Paes Botão, o primeiro.”
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Nos registros eclesiásticos da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Purificação do Icó, Livro de 1728–1775, está registrado que a senhora Antônia da Purificação, esposa de Diógenes, era filha de uma índia de Mamanguape, Paraíba, e do negro Luís Paes Botão, de Angola. Assim, pode-se concluir que ela era mestiça, descendente de negro e indígena.
Diógenes e Antônia são considerados os patriarcas da família Diógenes da Ribeira do Jaguaribe, pois, a partir desse casal, seus filhos e descendentes passaram a utilizar Diógenes como nome de família. É importante observar que Diógenes era Paes Botão pelo lado paterno e Fonseca Ferreira pelo lado materno. Antônia, por sua vez, era Paes Botão pelo lado paterno, por afinidade, e Ferreira, Rocha e Tavares pelo lado materno, também por afinidade.
Diógenes faleceu em 25 de maio de 1769, viúvo, aos 71 anos de idade, e não aos 80 anos, como consta em algumas referências. Foi sepultado na Capela de Nossa Senhora das Candeias de Jaguaribe-Mirim, onde seu corpo foi encomendado pelo padre João Martins de Mello (ARAÚJO LIMA, 2020), que, à época, era proprietário do Sítio Jaguaribe-Mirim e capelão de Candeias.
O brasão da família Diógenes é meramente ilustrativo, uma vez que se trata de uma família surgida na Ribeira do Jaguaribe, não constando, portanto, da heráldica portuguesa. O brasão oficial seria o da família Paes, do genitor de Diógenes. O termo Botão seria apenas toponímico, indicando a região de Portugal onde seu genitor, Domingos Paes Botão (1º), nasceu.
Casou-se com Thereza de Jesus Maria (2ª). Foram pais de:
1.1. Antônio Paes Botão (n. 1779);
1.2. Antônia Maria Paes Botão (n. 1779 – f. 1830), casada com Joaquim Pinheiro Maciel (n. 1770 – f. 1830), com oito filhos registrados;
1.3. Domingos (n. 1780), descendência desconhecida;
1.4. Anna (n. 1782), descendência desconhecida;
1.5. Capitão Domingos Paes Botão Júnior (n. 1785 – f. 1857), casado com Francisca Maria das Chagas de Jesus (n. 1787 – f. 1870), com 13 filhos registrados;
1.6. Cosme Paes Botão II (n. 1786 – f. 1847), casado com Anna Rosa do Paraíso (n. 1788 – f. 1828), com 12 filhos registrados.
Cosme Paes Botão II casou-se, em segundas núpcias, com Rita Canuta das Dores, com quem teve cinco filhos registrados.
1.7. Damião Paes Botão (n. 1786), descendência desconhecida;
1.8. Manoel Theóphilo Botão (n. 1835 – f. 1928), casado com Izabel Maria da Conceição Pinheiro Botão (n. 1838 – f. 1880), com quatro filhos registrados.
Manoel Theóphilo Botão casou-se, em segundas núpcias, com Maria Raquel da Silva, cuja descendência é desconhecida.
1.9. Damião Paes Botão, descendência desconhecida;
1.10. Francisca Maria Paes Botão, descendência desconhecida;
1.11. Maria Paes Botão, descendência desconhecida;
1.12. Rita Maria Paes Botão, descendência desconhecida.
O Coronel da Cavalaria do Jaguaribe Domingos Paes Botão Neto (2º) também viveu com Narcisa Dias, com quem teve um filho registrado.
Domingos Paes Botão Neto (2º) também se casou com Maria Maciel Pinheiro, com quem teve uma filha registrada.
Casou-se, em primeiras núpcias, com Maria Saldanha. Foram pais de:
2.1. Cornélio Diógenes Paes Botão, descendência desconhecida.
O Capitão Cosme Diógenes Paes Botão I casou-se, em segundas núpcias, com Maria dos Prazeres. Foram pais de:
2.2. Bernardo da Costa Ferreira, casado com Joana da Silva, cuja descendência é desconhecida.
Não deixou descendentes conhecidos.
Identificada como filha exposta, casou-se com Manoel da Silva Monteiro. Foram pais de:
4.1. Domingos Monteiro da Silva (n. 1755), casado com Luiza das Neves Pereira (n. 1765), cuja descendência é desconhecida;
4.2. Joanna, descendência desconhecida.
A reconstrução dessa genealogia deve partir do cruzamento entre registros paroquiais, livros de batismo e óbito, obras genealógicas e estudos históricos. O termo de batismo de 1698 constitui fonte primária para a filiação de Diógenes, enquanto o Livro de Registro de Óbitos da Freguesia do Icó (1768–1777) contribui para estabelecer seu falecimento.
As obras de Francisco Augusto de Araújo Lima, Plínio Diógenes Botão, Francisco de Assis Couto e Valdir Uchôa Ribeiro complementam a documentação, oferecendo contexto sobre famílias, localidades e processos históricos. Artigos de Francisco Sérgio Barreto Ribeiro também são relevantes para a interpretação da trajetória de Diógenes e da formação da linhagem.
A genealogia de Diógenes Paes Botão demonstra que pesquisar uma família antiga não significa apenas enumerar nomes e datas. É necessário compreender o território, os registros religiosos, os casamentos, as relações sociais e as mudanças na utilização dos nomes familiares.
Outro ponto merece atenção: informações sobre origem indígena, africana ou portuguesa precisam ser examinadas documentalmente, evitando classificações reproduzidas sem indicação precisa da fonte. No caso de Antônia da Purificação, justamente a comparação entre diferentes referências permite perceber a complexidade de sua ascendência.
Por fim, a trajetória de Diógenes ajuda a compreender a própria formação da genealogia do Ceará. Sua descendência revela como uma família estabelecida na Ribeira do Jaguaribe atravessou gerações e deixou registros capazes de conectar história local, memória familiar e pesquisa genealógica.
Notas de pesquisa
ARAÚJO LIMA. Obra de grande abrangência para o estudo das famílias e da ocupação histórica do Ceará, oferecendo subsídios para compreender a formação das linhagens sertanejas.
BOTÃO. Referência diretamente relacionada às famílias Diógenes, Távora e Pinheiro, sendo útil para acompanhar relações de parentesco e continuidade das linhagens.
COUTO. Antigas Famílias do Sertão. Obra voltada às antigas famílias sertanejas, contribuindo para contextualizar os grupos familiares presentes na formação histórica do Ceará.
COUTO. A História do Icó – sua genuína crônica. Referência importante para compreender o contexto histórico de Icó e das famílias relacionadas à região.
BARRETO RIBEIRO. Artigo dedicado à identificação e trajetória do primeiro Diógenes associado à Ribeira do Jaguaribe.
LIVRO DE REGISTRO DE ÓBITOS DA FREGUESIA DO ICÓ (1768–1777). Fonte primária utilizada para a investigação do falecimento de Diógenes Paes Botão e para a conferência de sua idade.
RIBEIRO. Obra de referência para a história regional de Jaguaribe, auxiliando na contextualização territorial e histórica da pesquisa genealógica.
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Texto de Sérgio Barreto
Referências bibliográficas:
ARAÚJO LIMA, Francisco Augusto de. SIARÁ GRANDE – Uma Província Portuguesa no Nordeste Oriental do Brasil. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora. 2016. 2300 p.
ARAÚJO LIMA, Francisco Augusto de. Famílias Cearenses 8 – genealogia da Ribeira do Jaguaribe. Disponível em: >(www.familascearenses.com.br)<; >(http://www.familascearenses.com.br)<. Acesso em 08 de março de 2026.
BARRETO RIBEIRO, Francisco Sérgio. O Primeiro Diógenes da Ribeira do Jaguaribe [ARTIGO]. Jaguaribe – CE: Revista Arautos do Vale, Edição 127, ano 12, pg. 08, agosto de 2021.
BARRETO RIBEIRO, Francisco Sérgio. Diógenes Paes Botão (1698-1769). [ARTIGO]. Jaguaribe – CE: Revista Arautos do Vale, Edição 155, ano 14, pg. 14, dezembro de 2023.
BOTÃO, Plínio Diógenes. Genealogia das Famílias Távora Diógenes Pinheiro. Fortaleza: OTS Impressão Gráfica, 2005.
COUTO, Franciso de Assis. Antigas Famílias do Sertão. Fortaleza: RIC, pg. 216-218, 1971.
COUTO, Francisco de Assis. A História do Icó – sua genuína crônica. Fortaleza: Editora A. Batista Fontenele, pg. 56-114, 1962.
DIÓGENES, Kennedy. Bartholomeu Nabo Correa e Domingos Paes Botão. [ARTIGO]. Disponível em: >(www.putegi.blogspot.com)<. Acesso em 13 de março de 2026.
DIÓGENES, Kennedy. O Patriarca da Família Diógenes. [ARTIGO]. Disponível em: >(www.familiadiogenesnobrasil.blogspot.com/2010/03/o-patriarca-da-familia-diogenes.html)<. Acesso em 10 de março de 2026.
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RIBEIRO, Valdir Uchôa. Jaguaribe Minha Terra vol. 9: Cronologia 1ª Parte. Fortaleza: Premius Editora, 2010. 284 p.
