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(Texto compartilhado no dia 03 de fevereiro de 2026 por José Tavares de Araújo Neto)
A história política de Princesa Isabel não pode ser compreendida apenas pelos grandes confrontos que marcaram a região. Antes da Revolta de Princesa, já existiam redes de amizade, parentesco, negócios, compadrio e proteção que aproximavam personagens paraibanos e pernambucanos.
Nesse ambiente aparece José Sitônio, cidadão princesense que saiu publicamente em defesa do coronel José Pereira Lima diante das acusações relacionadas à morte de Deodato Monteiro, chefe político de Triunfo.
O episódio é especialmente interessante para a história de Princesa Isabel, a genealogia de José Pereira Lima, as famílias antigas de Princesa e o estudo das relações políticas entre Paraíba e Pernambuco.
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A análise parte do texto jornalístico atribuído a José Sitônio e confronta suas afirmações com estudos posteriores sobre José Pereira Lima, Princesa e as relações econômicas que envolveram a Standard Oil.
O procedimento adotado foi separar três níveis: aquilo que Sitônio afirmou como testemunha ou amigo do acusado; aquilo que outras fontes apresentam como interpretação histórica; e aquilo que permanece como hipótese e precisa de documentação complementar.
Essa distinção é indispensável porque um artigo de defesa publicado na imprensa possui valor como fonte primária, mas também apresenta a perspectiva particular de seu autor.
A defesa de José Sitônio surgiu em meio à repercussão do assassinato de Deodato Monteiro. Em sua manifestação, Sitônio procurou afastar José Pereira de qualquer responsabilidade política pelo crime e atribuiu o episódio a conflitos pessoais antigos.
O argumento era significativo porque José Pereira já ocupava posição de influência regional. A tentativa de associá-lo a um assassinato praticado em Pernambuco poderia atingir sua reputação pública e alimentar interpretações políticas sobre sua atuação.
Sitônio, entretanto, procurou construir uma imagem de imparcialidade. Declarou não possuir interesse pessoal na disputa e afirmou agir por amizade e por considerar injusta a acusação. Essa estratégia retórica merece atenção: ao apresentar-se como alguém sem vantagem direta na defesa, o autor procurava conferir maior credibilidade ao próprio testemunho.
O texto também atribui o crime a uma cadeia anterior de ressentimentos envolvendo Luiz Leão e Deodato Monteiro. Estudos posteriores, entretanto, apresentam versões diferentes sobre a origem da violência. Uma pesquisa sobre turismo e cultura em Triunfo registra que os conflitos políticos locais tinham antecedentes antigos e menciona depoimentos de processo que atribuíram a morte de Deodato a Luiz Leão, apontando também uma suposta ligação com José Pereira.
Essa divergência é justamente o ponto que torna a documentação jornalística valiosa. A imprensa não deve ser utilizada apenas para descobrir “quem estava certo”, mas para entender como os contemporâneos disputavam a interpretação dos acontecimentos.
A defesa de Sitônio ganha outra dimensão quando relacionada à posterior relação comercial entre os dois. Pesquisa acadêmica sobre a família Pereira registra que José Pereira havia prestado fiança em favor de uma empresa pertencente a José Sitônio. Segundo o estudo, posteriormente os bens do coronel foram sequestrados pela Standard Oil em decorrência dessa obrigação, embora a medida tenha alcançado patrimônio muito superior ao valor originalmente envolvido.
Esse vínculo econômico ajuda a compreender que a relação entre Sitônio e José Pereira não era meramente circunstancial. Existia confiança suficiente para envolver interesses comerciais e garantias financeiras.
A documentação posterior reforça essa proximidade. A Academia Paraibana de Letras registra relações familiares entre os Sitônio e os Pereira, mostrando que a família Sitônio permaneceu ligada à memória de José Pereira Lima.
Assim, o episódio jornalístico pode ser lido como uma peça de uma rede maior: amizade, parentesco, negócios e política regional.
A citação direta do próprio Sitônio, quando afirma agir “por dever moral”, deve ser entendida dentro desse contexto. A expressão não comprova sua imparcialidade; demonstra, antes, como ele desejava apresentar sua intervenção pública.
A defesa de José Sitônio constitui documento relevante para compreender as relações pessoais que cercavam José Pereira Lima antes dos grandes conflitos políticos que transformariam Princesa em centro de uma das mais conhecidas disputas políticas da Paraíba.
Seu valor histórico está justamente na possibilidade de comparar a narrativa de um amigo do acusado com versões posteriores, processos, estudos acadêmicos e documentos econômicos.
A relação entre os dois também ultrapassou o campo político. A fiança prestada por José Pereira em favor de uma firma ligada a Sitônio demonstra que a confiança existente entre ambos possuía consequências concretas.
Há uma tendência perigosa na história política: olhar para acontecimentos posteriores e utilizá-los para explicar automaticamente os acontecimentos anteriores.
A amizade entre José Sitônio e José Pereira não deve ser interpretada apenas à luz da Revolta de Princesa. O documento jornalístico demonstra que essa aproximação já existia antes do conflito que transformaria José Pereira em uma das figuras mais controversas da política paraibana.
Também não se deve concluir que a defesa de Sitônio encerra a discussão sobre a morte de Deodato Monteiro. Um defensor apresenta uma versão interessada, mesmo quando acredita sinceramente estar cumprindo um dever moral.
É exatamente por isso que o documento é tão importante.
Para a genealogia de Princesa Isabel, o episódio abre outra possibilidade: investigar os vínculos entre as famílias Pereira, Sitônio e outros grupos econômicos e políticos que circulavam entre Princesa, Triunfo, Serra Talhada e Recife.
O genealogista pode encontrar nesses relacionamentos pistas que dificilmente apareceriam em uma árvore familiar construída apenas por nomes, datas e casamentos.
Notas de pesquisa
JUSTINO FILHO. Estudo acadêmico sobre a trajetória política da família Pereira e Princesa Isabel. Registra a relação de José Pereira com José Sitônio e o episódio envolvendo a fiança e a Standard Oil.
ACADEMIA PARAIBANA DE LETRAS. Biografia de Otávio Sitônio Pinto que registra vínculos familiares entre os Sitônio e José Pereira Lima.
Fontes primárias
Documentos de fiança e obrigações comerciais;
Registros cartoriais envolvendo José Pereira e José Sitônio;
Inventários, escrituras e registros de propriedade;
Documentos originais encontrados no FamilySearch.
Fontes secundárias
JUSTINO FILHO;
SOUZA NETO;
Pesquisas acadêmicas sobre Princesa Isabel e Triunfo;
Estudos sobre a Revolta de Princesa.
Fontes terciárias
Textos de divulgação histórica;
Biografias institucionais;
Blogs e compilações genealógicas sem reprodução do documento original.
Hipóteses ou suposições
Transcrições do FamilySearch sem imagem do documento;
Parentescos atribuídos apenas pela coincidência de sobrenomes;
Supostas relações de compadrio ainda não documentadas;
Interpretações sobre a participação de José Pereira na morte de Deodato que dependam exclusivamente de depoimentos posteriores;
Conclusões sobre a intenção pessoal de José Sitônio ao publicar sua defesa.
Declaração de Originalidade
O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.
Texto adaptado por Patrício Holanda
Referências bibliográficas:
A tradição ressignificada: Uma leitura da vida sociopolítica de Princesa Isabel-PB. Disponível em: >(A tradição ressignificada: Uma leitura da vida sociopolítica de Princesa Isabel-PB)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.
História da Imprensa na Paraíba - Livros e Revistas. Disponível em: >(História da Imprensa na Paraíba - Livros e Revistas)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.
