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A ocupação tardia do sertão cearense iniciou-se pela Ribeira do Jaguaribe com a doação de Sesmarias pelo Governador Geral do Brasil, Roque da Costa Barreto (1677-1682) como incentivo à ocupação das terras do sertão cearense, ainda não ocupadas, para a exploração das fazendas de gado, já que o rei de Portugal, Dom Pedro de Bragança, proibiu a criação do gado vacum nas terras do litoral destinadas ao plantio de cana de açúcar para a produção de açúcar de exportação (ABREU, 1998; GIRÃO, 1986).
A expansão da pecuária para o interior esteve relacionada à própria dinâmica da ocupação colonial. Capistrano de Abreu dedica atenção à formação territorial e ao avanço português sobre o sertão, permitindo compreender que a ocupação do interior não ocorreu de maneira isolada, mas dentro de um processo mais amplo de expansão territorial da América portuguesa (ABREU, 1998). A edição de Capítulos de História Colonial utilizada nesta pesquisa foi publicada pelo Conselho Editorial do Senado Federal em 1998.
Raimundo Girão identifica o Vale do Jaguaribe como espaço de encontro de diferentes correntes de povoamento. Em seu estudo sobre o bandeirismo baiano, destaca a influência dos grupos provenientes do São Francisco e sua participação no povoamento do médio Jaguaribe, enquanto a obra de 1986 acompanha a marcha de ocupação do vale entre 1600 e 1700 (GIRÃO, 1948; GIRÃO, 1986). O Instituto do Ceará registra o estudo de 1948 nas páginas 5-20 da Revista do Instituto do Ceará.
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A investigação foi organizada a partir do levantamento das informações referentes às primeiras concessões de terras na Ribeira do Jaguaribe, com atenção às datas de sesmarias, aos nomes dos sesmeiros, às localidades mencionadas e aos limites territoriais indicados no texto.
A pesquisa também considera os estudos históricos e documentais relacionados ao povoamento do Baixo e Médio Jaguaribe, especialmente os trabalhos de Raimundo Girão, Cicinato Ferreira Neto, Antônio Rodrigues Uchoa, Lauro de Oliveira Lima, Laudomiro S. Pereira, Monsenhor João Olímpio Castello Branco e Capistrano de Abreu (ABREU, 1998; CASTELLO BRANCO, 2015; FERREIRA NETO, 2003; GIRÃO, 1948; GIRÃO, 1986; LIMA, 1997; PEREIRA, 1974; UCHOA, 2010).
O procedimento privilegia a identificação dos documentos de sesmarias e sua relação com a expansão territorial, permitindo acompanhar a sucessão das datas concedidas ao longo do Rio Jaguaribe. Nesse sentido, o estudo de Uchoa apresenta especificamente as sesmarias do Jaguaribe e informa que as concessões tiveram início em 1681 (UCHOA, 2010). A referência bibliográfica da publicação confirma que o texto foi publicado nas páginas 33-38 da Livro Agenda 2010.
O trabalho de Pereira é particularmente relevante para a identificação das concessões de sesmarias relacionadas a sacerdotes e ordens religiosas. O Instituto do Ceará registra a publicação de 1974 nas páginas 233-238 e informa que a relação documental abrange cronologicamente o período de 1681 a 1813 (PEREIRA, 1974).
No dia 25 de janeiro de 1681, em Salvador, Bahia, o Governador Geral do Brasil, Roque da Costa Barreto, doa a 1ª SESMARIA DO JAGUARIBE (Livro Nº 20, fl. 86 dos Registros de Sesmaria do Estado do Brasil, na Bahia), que se estendia da foz do Rio Jaguaribe até o Boqueirão do Cunha (Baixo Jaguaribe). Eram 15 sesmeiros chamados “Homens do Rio Grande do Norte” ou do “Sertão de Fora”. Todos se diziam moradores e filhos do Rio Grande (GIRÃO, 1986).
Essas Sesmarias iam da Barra do Oceano Atlântico (foz do Rio Jaguaribe) até ao Boqueirão do Cunha, subindo o rio sertão a dentro. Todas as Sesmarias tinham duas léguas subindo o rio e uma légua de cada lado do rio, ou sejam, 04 léguas quadradas (UCHOA, 2010; GIRÃO, 1986).
A expressão “Sertão de Fora” encontra correspondência na historiografia sobre as correntes de ocupação do Ceará. Raimundo Girão diferencia os grupos que avançavam pelo litoral e pelo Jaguaribe daqueles provenientes do São Francisco, relacionados ao chamado “Sertão de Dentro” (GIRÃO, 1948). Estudos posteriores também empregam essa distinção para explicar as duas frentes de ocupação do território cearense.
Segue a relação dos 15 sesmeiros
1ª DATA DE SESMARIA: indo da barra do Rio Jaguaribe até Aracati (Porto dos Barcos), dada ao Capitão Mor da Campanha da Guerra dos Bárbaros, no Ceará, Manuel Abreu Soares, que foi vendida por sua viúva e o filho Paschoal de Lima, em 06/12/1701, ao Tenente General Gregório de Gracisman Galvão (GIRÃO, 1986; UCHOA, 2010);
2ª DATA DE SESMARIA: dada ao Tenente Teodósio de Grascimão, que veio em lugar do seu pai o Capitão Gregório de Grascimão de Abreu, localizada na Passagem de Pedras (Itaiçaba), indo de Aracati até Itaiçaba. Adquiriu mais uma Data nas testadas da Data de Matias Cardoso (GIRÃO, 1986);
3ª DATA DE SESMARIA: dada ao Capitão Cipriano Lopes Pimentel, indo de Itaiçaba até o Jequi (GIRÃO, 1986);
4ª DATA DE SESMARIA: dada a Tomé Leitão Navarro, onde instalou curral de gado Manoel de Góis, indo do Jequi até o Poço das Cabaças (Jaguaruana - Caatinga do Góis) (GIRÃO, 1986);
5ª DATA DE SESMARIA: dada ao Sargento Mor Manuel Abreu Frielas, indo de Jaguaruana até Borges, vendida, no ano de 1706, ao Capitão Gregório de Grascimão (dono da 7ª Data) (GIRÃO, 1986);
6ª DATA DE SESMARIA: dada a Manuel da Cunha, indo do Borges até Poço da Onça/Macambira (no Riacho Quixeré) e parte da Chapada do Apodi, na Lagoa do Velho, Quixeré que vendeu a Manuel Rodrigues Ariosa do Vale em 1696 (GIRÃO, 1986);
7ª DATA DE SESMARIA: dada a Gregório de Grascimão, ia do Borges entestando a nascente (leste) com a 6ª Data de Sesmaria, limitando ao sul com Lagoa do Velho-Araújo no Jaguaribe, onde hoje é a cidade de Russas (GIRÃO, 1986);
8ª DATA DE SESMARIA: dada a Florência Dorneles (Grascimão), indo da Lagoa do Velho-Araújo até Arraial do Soldado (Flores, Russas) – seria viúva de Lourenço Dorneles (?) (GIRÃO, 1986);
9ª DATA DE SESMARIA: dada a Carlos Barbosa Pimentel, indo do Arraial (Flores) até Sítio Juazeiro (Maria Dias), que vendeu a Sesmaria ao pernambucano, o Capitão Manuel Carneiro da Cunha, em 1696, que fundou a Fazenda Juazeiro (território de Tabuleiro do Norte) na direção do Peixe Gordo (GIRÃO, 1986; FERREIRA NETO, 2003);
10ª DATA DE SESMARIA: dada a Geraldo do Rego Borges, indo do Sítio Juazeiro (Maria Dias) até Sítio Lima, incluindo Limoeiro Verde e Tapera – vendeu a Manuel da Cunha Pereira, estabelecendo no Cariri (GIRÃO, 1986);
11ª DATA DE SESMARIA: dada a João do Rego Borges, indo do Sítio Lima até Sítio São Braz (GIRÃO, 1986);
12ª DATA DE SESMARIA: dada a Matias Camelo, indo do Sítio São Braz até Barra do Rio Figueredo (GIRÃO, 1986);
13ª DATA DE SESMARIA: dada ao Capitão Francisco Borges Valadares, indo da Barra do Figueredo até Sítio Bom Jesus (GIRÃO, 1986);
14ª DATA DE SESMARIA: dada a Lourenço Alves de Matos, indo do Sítio Bom Jesus até o Castanhão (GIRÃO, 1986);
15ª DATA DE SESMARIA: dada a Manuel Costa Rego, ia do Sítio Castanhão até Boqueirão do Cunha (GIRÃO, 1986).
A sequência das concessões demonstra a extensão territorial alcançada pela primeira data de sesmarias, acompanhando o curso do Jaguaribe desde a foz até o Boqueirão do Cunha. A obra de Raimundo Girão de 1986 é identificada bibliograficamente como A Marcha do Povoamento do Vale do Jaguaribe (1600-1700), publicada em Fortaleza, com 89 páginas (GIRÃO, 1986).
No dia 25 de janeiro de 1682, o Governador Geral do Brasil, Roque da Costa Barreto, doa a 2ª DATA DE SESMARIA DO JAGUARIBE (Livro 2º, fl. 23 dos Registros de Sesmaria do Estado do Brasil, na Bahia), que se estendia a partir do Boqueirão do Cunha, subindo o Rio Jaguaribe até o Inhamuns (do Médio ao Alto Jaguaribe) e o Rio Salgado até o Cariri. Eram 40 sesmeiros chamados “Homens do Rio São Francisco” ou do “Sertão de dentro”. O Alvará de confirmação foi dado no dia 03 de novembro de 1691 (GIRÃO, 1948; GIRÃO, 1986; UCHOA, 2010).
Raimundo Girão registra a presença das correntes provenientes da Bahia e do São Francisco na formação do povoamento do médio Jaguaribe. Segundo o Instituto do Ceará, seu estudo de 1948 reconhece a influência dos baianos do São Francisco no povoamento do médio Jaguaribe e destaca o encontro das correntes do “sertão de fora” e do “sertão de dentro” no vale do Jaguaribe (GIRÃO, 1948).
Segue a relação dos 40 sesmeiros:
Capitão Bartholomeu Nabo Correia, Comandante da Expedição dos Homens do São Francisco. Suas terras tornaram-se devolutas por não terem sido ocupadas – há relatos que foi morto com outros seis sesmeiros, por índios paiacus, nas margens do atual Riacho Manoel Lopes (antigo Riacho dos Defuntos) durante a expedição de reconhecimento das sesmarias (GIRÃO, 1986; UCHOA, 2010);
Capitão Domingos Paes Botão (fundador de Cascavel e Jaguaribara) e João da Fonseca Ferreira (fundador de Cascavel, Jaguaribara, Jaguaribe e o Arraial Velho do Icó) - Data de Sesmaria Nº 16 em conjunto com outro, localizada no Sítio Santa Rosa (antiga Jaguaribara) (GIRÃO, 1986; FERREIRA NETO, 2003);
João Alves Feitosa, sesmaria no Inhamuns (Alto Jaguaribe) (GIRÃO, 1986);
Francisco Alves Feitosa, sesmaria no Inhamuns (Alto Jaguaribe) (GIRÃO, 1986);
Estevão Velho de Moura (GIRÃO, 1986);
Capitão João da Fonseca Ferreira, terras devolutas da Sesmaria dos irmãos Francisco e Manuel Martins, localizada no Sítio Jaguaribe-Mirim (atual cidade de Jaguaribe) (GIRÃO, 1986);
Antônio da Fonseca Ferreira, sesmaria no Icó, era irmão de João da Fonseca Ferreira (GIRÃO, 1986);
Manoel da Costa Barros (GIRÃO, 1986);
Gonçalo Peres de Gusmão (GIRÃO, 1986);
Manoel Nogueira Ferreira (GIRÃO, 1986);
Luiz Braz Bezerra (GIRÃO, 1986);
Luiz Antunes de Farias (GIRÃO, 1986);
João Ferreira Nogueira (GIRÃO, 1986);
Balthazar Gonçalves Ferreira (GIRÃO, 1986);
Antônia de Freitas (GIRÃO, 1986);
Manoel Rodrigues Rocha (GIRÃO, 1986);
Theodosio da Rocha (GIRÃO, 1986);
Francisco Fernandes Camelo (GIRÃO, 1986);
Dona Luisa Bixarxe, esposa do Capitão Comandante Bartholomeu Nabo Correia - não ocupou a sesmaria (GIRÃO, 1986);
João Teixeira Nunes (GIRÃO, 1986);
Dona Vitória da Encarnação, freia e filha do Capitão Bartholomeu Nabo Correia - não ocupou a sesmaria (GIRÃO, 1986);
Dona Maria da Conceição, freira e filha do Capitão Bartholomeu Nabo Correia - não ocupou a sesmaria (GIRÃO, 1986);
Pedro da Silva Carneiro (GIRÃO, 1986);
Manoel Rodrigues Teixeira, Data de Sesmaria Nº 9, terras devolutas ocupadas dos irmãos Antônio Esteves e o Coronel Domingos Alves Esteves, no ano de 1705, localizada na região de Boa Vista (Mapuá) (GIRÃO, 1986);
Antônio Alves Camelo, Data de Sesmaria Nº 10, terras devolutas dos irmãos Antônio Esteves e do Coronel Domingos Alves Esteves, no ano de 1705, localizada na região de Boa Vista (Mapuá) (GIRÃO, 1986);
Antônio Gonçalves de Araújo, Data de Sesmaria localizada no Sítio Santo Antônio da Boa Vista (atual Mapuá), no ano de 1705 (GIRÃO, 1986);
Leonardo Franco da Rocha, Data de Sesmaria Nº 14, localizada no Boqueirão do Cunha (GIRÃO, 1986);
João de Montes, Data de Sesmaria Nº 12, localizada no Sítio Pilar, no Icó (GIRÃO, 1986);
Bartholomeu Franco da Rocha, Data de Sesmaria Nº 11, localizada no Sítio Buraco, povoação de Nossa Senhora do Buraco (GIRÃO, 1986);
Dona Maria da Silveira, Data de Sesmaria Nº 31, no Boqueirão do Salgado, em Lavras da Mangabeira (GIRÃO, 1986);
Francisco Nogueira de Lima, Data de Sesmaria Nº 23, localizada em São Matheus (GIRÃO, 1986);
Tomás da Costa Gomes, Data de Sesmaria Nº 3, terras devolutas, que foram ocupadas pelo Frei José do Monte Carmelo, no ano de 1705 (GIRÃO, 1986);
Antônio Lopes Lisboa, Data de Sesmaria Nº 15, terras devolutas, ocupadas por Antônio José da Cunha, no ano de 1705 (GIRÃO, 1986);
Pedro Moreira, Data de Sesmaria Nº 17, terras devolutas, ocupadas pelo Coronel Luís de Seixas da Fonseca (tio de João da Fonseca Fererira), localizada no Sítio Seixas, Nova Floresta, no ano de 1705 (GIRÃO, 1986);
José Ferreira Colaço, Data de Sesmaria Nº 18, terras devolutas, ocupadas pelo Coronel Antônio Fernandes da Piedade, no ano de 1705 (GIRÃO, 1986);
Francisco Alves Camelo, Data de Sesmaria Nº 19, terras devolutas, ocupadas pelo Capitão Amaro Lopes Siqueira, no ano de 1705 (GIRÃO, 1986);
Belchior Alves Fagundes, Data de Sesmaria Nº 29, terras devolutas, ocupadas por Antônio Pereira da Cunha, no ano de 1705 (GIRÃO, 1986);
Felipa de Lima, Data de Sesmaria Nº 36, terras devolutas, ocupadas por Francisco Alves Bastos, no ano de 1705 (GIRÃO, 1986);
David Gomes Pereira, Data de Sesmaria Nº 30, terras devolutas, ocupadas por Francisco de Oliveira Braga (GIRÃO, 1986);
Dona Maria de Araújo, Data de Sesmaria Nº 38, terras devolutas, ocupadas por Dona Úrsula da Mota (GIRÃO, 1986).
A segunda concessão amplia o espaço de ocupação para o Médio e Alto Jaguaribe, alcançando os Inhamuns e o Rio Salgado em direção ao Cariri. A documentação apresentada permite observar que a expansão territorial não se limitava à concessão inicial das terras, uma vez que algumas sesmarias permaneceram devolutas e posteriormente foram ocupadas por outros indivíduos (GIRÃO, 1986; UCHOA, 2010).
A presença de diferentes grupos e famílias no processo de ocupação também aparece nos estudos de Cicinato Ferreira Neto, cuja obra reúne documentos, notas e ensaios sobre a história do Baixo e Médio Jaguaribe. A edição de 2003 possui 614 páginas e inclui referências bibliográficas, constituindo uma fonte de consulta para a história regional (FERREIRA NETO, 2003).
No caso de Lauro de Oliveira Lima, Na Ribeira do Rio das Onças foi publicada em Fortaleza, em 1997, pela Editora Assis Almeida. O registro bibliográfico do Instituto do Ceará destaca que a obra resulta de anos de pesquisa e reúne grande quantidade de informações sobre Limoeiro do Norte e sua história familiar e local (LIMA, 1997).
A documentação religiosa também integra esse conjunto de referências. Pereira apresenta uma relação de sacerdotes e ordens religiosas que obtiveram datas de sesmarias no Ceará, abrangendo registros de 1681 a 1813 (PEREIRA, 1974).
A dimensão eclesial da região jaguaribana é tratada por Monsenhor João Olímpio Castello Branco em obra publicada em 2015. Pesquisas acadêmicas posteriores utilizam Caminhada Eclesial Jaguaribana para discutir questões relacionadas à formação eclesiástica e territorial da região (CASTELLO BRANCO, 2015).
As primeiras datas de sesmarias do Jaguaribe constituem um marco documental para compreender o avanço da ocupação colonial do sertão cearense. A primeira concessão, de 1681, acompanhou o curso do Jaguaribe desde a foz até o Boqueirão do Cunha, enquanto a segunda, de 1682, ampliou a ocupação em direção ao Médio e Alto Jaguaribe, aos Inhamuns e ao Rio Salgado até o Cariri (GIRÃO, 1986; UCHOA, 2010).
O conjunto de nomes relacionados às duas concessões permite acompanhar a presença de grupos provenientes do Rio Grande do Norte, identificados como “Homens do Rio Grande do Norte” ou “Sertão de Fora”, e de grupos procedentes do Rio São Francisco, chamados de “Homens do Rio São Francisco” ou “Sertão de Dentro” (GIRÃO, 1948; GIRÃO, 1986).
A historiografia de Raimundo Girão registra justamente o encontro dessas correntes no território jaguaribano. Em avaliação bibliográfica do Instituto do Ceará, o estudo de 1948 é descrito como uma análise da influência dos baianos do São Francisco no povoamento do médio Jaguaribe e da formação dos currais e das famílias povoadoras do vale (GIRÃO, 1948).
A relação das sesmarias também permite perceber que concessão de terra não significava necessariamente ocupação imediata. Algumas propriedades permaneceram devolutas e posteriormente foram ocupadas por terceiros, revelando uma dinâmica de transferência, abandono, reocupação e expansão territorial (GIRÃO, 1986).
Desse modo, as sesmarias do Jaguaribe constituem documentação essencial para acompanhar as origens de diversas famílias e localidades do sertão cearense. A análise conjunta das concessões, dos deslocamentos e das ocupações posteriores permite reconstruir parte da formação territorial e das relações familiares que marcaram o povoamento da região.
A obra utilizada corresponde à edição de 1998 de Capítulos de História Colonial (1500-1800), publicada pelo Conselho Editorial do Senado Federal, com 226 páginas. A obra aborda a formação territorial do Brasil colonial, incluindo os conflitos, a administração, o sertão e a formação dos limites territoriais (ABREU, 1998).
Caminhada Eclesial Jaguaribana, publicada em 2015, constitui referência para o estudo da trajetória eclesial da região do Jaguaribe e das relações entre território, instituições religiosas e formação das comunidades locais (CASTELLO BRANCO, 2015). Estudos acadêmicos posteriores confirmam a utilização da obra na discussão da história religiosa jaguaribana.
Estudos de História Jaguaribana, publicado em 2003 pela Premius Editora, reúne documentos, notas e ensaios relacionados ao Baixo e Médio Jaguaribe. A edição possui 614 páginas e inclui referências bibliográficas (FERREIRA NETO, 2003).
O artigo Bandeirismo baiano e povoamento do Ceará foi publicado na Revista do Instituto do Ceará, volume 62, em 1948, nas páginas 5-20. O estudo aborda a participação dos grupos baianos provenientes do São Francisco no povoamento do Ceará e sua relação com o Médio Jaguaribe (GIRÃO, 1948).
A marcha do povoamento do Vale do Jaguaribe (1600-1700) foi publicada em Fortaleza em 1986, com 89 páginas. A obra acompanha as etapas de ocupação do Vale do Jaguaribe e constitui referência central para o estudo das primeiras sesmarias e das correntes de povoamento do território (GIRÃO, 1986).
Na Ribeira do Rio das Onças, publicada em Fortaleza em 1997 pela Editora Assis Almeida, apresenta pesquisa de grande extensão sobre Limoeiro do Norte e reúne informações históricas e familiares relacionadas à região jaguaribana (LIMA, 1997).
Relação de sacerdotes e ordens religiosas que obtiveram datas de sesmarias no Ceará foi publicada na Revista do Instituto do Ceará, em 1974, nas páginas 233-238. O registro do Instituto do Ceará informa que a relação abrange sesmarias concedidas entre 1681 e 1813 (PEREIRA, 1974).
As Sesmarias do Jaguaribe foi publicada em 2010 nas páginas 33-38 da Livro Agenda 2010, de Antônio Rodrigues Uchoa e Antônio Porto de Mello Junior. A referência trata diretamente das concessões de sesmarias do Jaguaribe iniciadas em 1681 (UCHOA, 2010).
Notas de pesquisa
ABREU. Oferece o contexto geral da formação colonial brasileira e da expansão territorial portuguesa para o interior.
CASTELLO BRANCO. Contribui para compreender a organização eclesial e a presença religiosa na região jaguaribana.
FERREIRA NETO. Reúne documentos, notas e ensaios fundamentais para o estudo histórico do Baixo e Médio Jaguaribe.
GIRÃO. Analisa a expansão do povoamento do Vale do Jaguaribe e a interiorização colonial durante os séculos XVII e XVIII.
LIMA. Relaciona território, história regional e formação das comunidades da Ribeira do Rio das Onças.
PEREIRA. Registra a participação de sacerdotes e ordens religiosas na obtenção de datas de sesmarias no Ceará.
UCHOA. Apresenta informações específicas sobre as sesmarias concedidas na região do Jaguaribe.
Fontes primárias
- Cartas e registros de sesmarias do Ceará;
- Registros paroquiais de batismo;
- Registros paroquiais de casamento;
- Registros paroquiais de óbito;
- Inventários post-mortem;
- Escrituras e registros cartoriais;
- Documentos de posse e transmissão de propriedades;
- Documentação administrativa colonial.
Fontes secundárias
- Abreu;
- Castello Branco;
- Ferreira Neto;
- Girão;
- Lima;
- Pereira;
- Uchoa.
Fontes terciárias
- GuardaChuva Educação;
- FamilySearch;
- Catálogos e índices genealógicos digitais;
- Bases de dados genealógicas colaborativas.
Hipóteses ou suposições
- Árvores genealógicas do FamilySearch sem imagem do documento original;
- Transcritos do FamilySearch cuja fonte original não tenha sido localizada;
- Atribuição de parentesco baseada exclusivamente em coincidência de nomes;
- Identificação de indivíduos apenas pela combinação de nome e sobrenome;
- Possíveis deslocamentos familiares ainda não confirmados por documentação;
- Supostas conexões entre famílias que dependem de confirmação em registros paroquiais, cartoriais ou de sesmarias.
Declaração de Originalidade
O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.
Texto de Sérgio Barreto
Referências bibliográficas
ABREU, Capistrano de. Capítulos de história colonial (1500-1800). Brasília, DF: Conselho Editorial do Senado Federal, 1998. 226 p.
CASTELLO BRANCO, Monsenhor João Olímpio. Caminhada Eclesial Jaguaribana. Fortaleza, CE: Gráfica e Editora Pouchain Ramos, 2015. 376 p.
FERREIRA NETO, Cicinato. Estudos de história jaguaribana: documentos, notas e ensaios diversos para a História do Baixo e Médio Jaguaribe. Fortaleza, CE: Premius Editora, 2003. 614 p.
GIRÃO, Raimundo. Bandeirismo baiano e povoamento do Ceará. Revista do Instituto do Ceará, Fortaleza, v. 62, p. 5-20, 1948.
GIRÃO, Raimundo. A marcha do povoamento do Vale do Jaguaribe (1600-1700). Fortaleza, CE: Edição do Autor, 1986. 89 p.
LIMA, Lauro de Oliveira. Na Ribeira do Rio das Onças. Fortaleza, CE: Assis Almeida, 1997. 535 p.
PEREIRA, Laudomiro S. Relação de sacerdotes e ordens religiosas que obtiveram datas de sesmarias no Ceará. Revista do Instituto do Ceará, Fortaleza, v. 88, p. 233-238, 1974.
UCHOA, Antônio Rodrigues. As sesmarias do Jaguaribe. In: UCHOA, Antônio Rodrigues; MELLO JUNIOR, Antônio Porto de. Livro Agenda 2010. Aracati: Edição dos Autores, 2010. p. 33-38.
