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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Descendentes do Capitão João Sotero dos Santos em Pedro II/PI até 1940

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Capitão João Sotero dos Santos, nascido aproximadamente em 1847, é filho dos piauienses Sotero Gomes dos Santos e Josefa Teixeira de Sousa. Casou-se com Anna Roza de Jesus, ela sendo filha de Domingos Alves Pereira e Raimunda Rodrigues de Andrade. Desse matrimônio tiveram 10 filhos. São eles:

1. Thiago Sotero dos Santos, nascido em 1873 em Pedro II/PI e se casou com Theodora Maria do Espírito Santo, ela sendo filha do Capitão Laurentino Henrique da Silva e Cecília Maria do Espírito Santo. Desse matrimônio tiveram 01 filha. É ela:

1.1. Maria Cecília do Espírito Santo, nascida em 1906 em Itamarati/PI e se casou com Luís Simplício da Silva, ele sendo filho de Simplício Pereira da Silva e Galiana Maria da Conceição.


2. Sotero Gomes dos Santos Neto, nascido em 1882 em Pedro II/PI e se casou com Catharina Maria da Conceição, ela sendo filha de Vicente Alves Pereira e Filomena Pinheiro dos Santos. Desse matrimônio tiveram 05 filhos. São eles:

2.1. João Sotero dos Santos Neto, nascido em 1917 em Pedro II/PI e se casou com Filomena Gomes Campello, ela sendo filha de Francisco Xavier Campelo e Maria Gomes da Conceição. Desse matrimônio tiveram 01 filha.

2.2. Raimundo Nonato dos Santos, nascido em 1918 em Pedro II/PI e se casou com Vicença Alves Ferreira, ela sendo filha de José Ferreira Martins e Alexandrina Alves Ferreira.

2.3. Antônia Catarina da Conceição, nascida aproximadamente em 1924 e se casou com Antônio José do Nascimento, ele sendo filho de Joaquim José do Nascimento e Barba Maria da Conceição.

2.4. Tiago Sotero dos Santos, nascido em 1926 em Pedro II/PI e se casou com Raimunda Alves dos Santos.

2.5. Maria Sotero dos Santos, nascida em 1927 em Pedro II/PI.


3. Francisco Sotero dos Santos, nascido em 1883 em Pedro II/PI.

4. Josepha Rosa de Jesus, nascida em 1888 em Pedro II/PI e se casou com Antônio José Vianna, ele sendo filho de José Ferreira Viana e Francisca da Silva Passos. Desse matrimônio tiveram 16 filhos. São eles:

4.1. Raymunda Alves de Jesus, nascida em 1907 em Pedro II/PI e se casou com Raimundo Alves Pereira, ele sendo filho de Pedro Luiz Pereira e Raimunda Rosa de Jesus. Desse matrimônio tiveram 09 filhos. São eles:

4.1.1. Pedro Alves Pereira, nascido aproximadamente em 1922.

4.1.2. José Alves Anchieta, nascido em 1924 em Pedro II/PI e se casou com Teresa Maria de Jesus, ela sendo filha de João Vicente e Jovita Maria da Conceição. Desse matrimônio tiveram 01 filho.

4.1.3. Antônio Alves Viana, nascido aproximadamente em 1925 e se casou com Maria do Carmo dos Santos, ela sendo filha de Antônio Pereira dos Santos e Ana Sotero dos Santos. Desse matrimônio tiveram 03 filhos.

4.1.4. Domingos Alves Pereira, nascido aproximadamente em 1928 e se casou com Valmira Alves Ibiapina. Desse matrimônio tiveram 01 filho.

4.1.5. Maria de Lourdes de Jesus, nascida aproximadamente em 1931.

4.1.6. Francisco Alves Pereira, nascido aproximadamente em 1932.

4.1.7. Maria Mercedes de Jesus, nascida em 1937 em Pedro II/PI.

4.1.8. Pedro Alves Viana, nascido em 1944 em Pedro II/PI.

4.1.9. Maria do Socorro Alves dos Santos


4.2. Maria Rosa de Jesus, 

4.3. Ana Rosa de Jesus, 

4.4. Francisca Rosa de Jesus, 

4.5. Francisca Viana Martins,

4.6. Lourença  Rosa de Jesus, 

4.7. Diolinda Rosa de Jesus, 

4.8. Cecília Rosa de Jesus, 

4.9. Maria Cecília de Jesus, 

4.10. Gonçalo José Viana, 

4.11. Cícero José Viana, 

4.12. João José Viana, 

4.13. Maria Madalena de Jesus,

4.14. Maria Carmélia de Jesus,

4.15. Maria das Mercês de Jesus,

4.16. Raimunda Rosa de Jesus, 


5. Pedro Sotero dos Santos, nascido em 1889 em Pedro II/PI.

6. Antônio Sotero dos Santos, nascido em 1890 em Matões/PI.

7. Raymundo Sotero dos Santos, nascido em 1891 em Itamarati/PI.

8. Deolinda Sotero de Jesus

9. Maria Rosa de Jesus

10. Raimunda Rosa de Jesus



Texto de Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

Anna Roza de Jesus. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GSXJ-T7D)<. Acesso em 04 de novembro de 2024.

Capitão João Sotero dos Santos. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/K2J7-8N3)<. Acesso em 01 de novembro de 2024.

História de Pedro 2° - PI. Disponível em: >(https://deltarioparnaiba.com.br/pedro-ii-pi-historia-e-cultura-do-municipio/)<. Acesso em 01 de novembro de 2024.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Origem do sobrenome Nova, Villa Nova e algumas genealogias na região Nordeste do Brasil

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Compreender a origem dos sobrenomes é uma etapa fundamental para quem deseja construir uma árvore genealógica. Para aqueles que têm o sobrenome Nova, entender sua história pode desvendar conexões ancestrais interessantes. Neste artigo, vamos explorar a origem e a difusão desse sobrenome no Brasil, com foco especial na região Nordeste, além de oferecer conselhos práticos para quem quer aprofundar suas investigações genealógicas.

Inicialmente, de acordo com a plataforma Geneanet, a origem do sobrenome Nova pode estar relacionada a características toponímicas, possivelmente ligadas a locais chamados “Nova” em diversas partes da Europa, especialmente em Portugal e na Espanha.

Além disso, com frequência, sobrenomes relacionados a locais eram adotados por imigrantes que se mudavam para novas áreas, utilizando o nome de suas cidades ou vilas de origem como uma forma de identificação. Assim, é plausível que o sobrenome Nova tenha surgido entre indivíduos de Portugal e Espanha que se estabeleceram no Brasil entre os séculos XVI e XIX.

Durante o período colonial, e também nos séculos subsequentes, a região Nordeste do Brasil destacou-se como um dos principais destinos para imigrantes europeus. Muitas famílias que se fixaram nessa área mantiveram seus sobrenomes originais, transmitindo-os de geração em geração.

Já o sobrenome Villa Nova, que também pode ser escrito como Villanova, tem suas raízes no latim, onde sua tradução para o inglês é "new town". É provável que este sobrenome tenha surgido em diferentes áreas da Itália, Espanha e Portugal. Muitas vezes, os sobrenomes vêm de topônimos, refletindo o local de origem ou as posses de uma família. 

O nome Villa Nova representa a significativa história e o valor cultural que estão ligados a ele. Na Itália, é mais provável que a origem do sobrenome tenha vindo da localidade chamada Villanova, a qual pode ser encontrada em diversas partes do país. O termo Villanova vem das palavras latinas "villa", que se refere a uma cidade ou povoado, e "nova", que significa novo. Isso implica que Villanova era um estabelecimento que foi fundado recentemente ou renomeado. 

As famílias que tomaram o sobrenome Villa Nova podem ter sido moradoras dessa localidade ou possuído propriedades nas redondezas. Ao longo da história da Itália, é possível que o sobrenome Villa Nova tenha estado vinculado a famílias aristocráticas ou proprietários rurais que viviam em Villanova. Essa conexão provavelmente fazia com que essas famílias exercessem influência ou poder na comunidade local, reforçando ainda mais o simbolismo associado ao sobrenome. Também existe a possibilidade de que o sobrenome tenha sido disseminado para a Espanha e Portugal por meio de migrações ou conquistas. 

Durante a Idade Média, as relações comerciais e diplomáticas entre Itália, Espanha e Portugal eram fortes, resultando na troca de sobrenomes entre essas áreas. O nome Villa Nova pode ter sido levado para a Espanha e Portugal por comerciantes, figuras diplomáticas ou nobres italianos que viajaram ou se instalaram nessas nações. 

Na Espanha, o sobrenome Villa Nova pode ter sido escolhido por famílias que moravam em áreas ou vilas que carregavam nomes semelhantes. O sufixo "-ville" em toponímias espanholas normalmente indica uma cidade ou povoado, fazendo de Villa Nova um sobrenome apropriado para aqueles vinculados a esses lugares. 

Em Portugal, a designação Villa Nova também pode estar relacionada a famílias aristocráticas ou proprietários de terras que possuíam propriedades em regiões com nomes análogos. De modo geral, o sobrenome Villa Nova permanece como um emblema de herança, linha familiar e identidade cultural para clãs ao redor do mundo. Descendentes de italianos, espanhóis ou portugueses com esse sobrenome podem se orgulhar de sua ligação com uma história rica e famosa.


Algumas genealogias na região Nordeste do Brasil

Oferecemos este breve ensaio genealógico da prole Nova em Pernambuco, tendo como ponto de partida, Manoel Hermenegildo de Villa Nova que em 1ª núpcia se casou com Guilhermina Maria de Freitas, ela sendo filha de Miguel das Freitas e Silva, assim como da Joaquina Senhorinha de Jesus. Desse matrimônio tiveram 10 filhos, onde herdaram os sobrenomes: Villa Nova, Freitas, Vasconcelos, Ramalho e de fé.

Manoel Hermenegildo em 2ª núpcia se casou com Ana Joaquina do Espírito Santo. Desse matrimônio tiveram 06 filhos, onde herdaram os sobrenomes: Villa Nova, Torres Galindo, Soledade e de fé.

Manoel Hermenegildo teve 60 netos que herdaram os sobrenomes: Torres Galindo, França, Santos, Bezerra da Silva, Vila Nova, Monteiro, Lima, Monteiro da Silva, Cunha, Freitas e de fé.

 

Com a intenção de ampliar as pesquisas sobre possíveis ascendentes estrangeiros com sobrenome Nova na região Nordeste do Brasil, seguem mais alguns dados relevantes:

Bahia: Novegildo Vila Nova, nascido aproximadamente em 1880 e se casou com Laura Nunes dos Santos.

Sergipe: Tenente Coronel Thomaz Cardoso Villa Nova, nascido aproximadamente em 1822 e em 1ª núpcia se casou com Luzia de Macedo Silveira, ela sendo filha de Joaquim José da Silveira e Maria de Macedo Costa. Desse matrimônio tiveram 05 filhos. Em 2ª núpcia se casou com Glicéria Fontes Villa Nova, ela sendo filha do Coronel Antônio Martins Fontes e Maria Francisca da Costa Carvalho. Desse matrimônio tiveram 06 filhos. Em 3ª núpcia se casou com Otília Fontes Villa Nova, ela sendo filha do Coronel Antônio Martins Fontes e Maria Francisca da Costa Carvalho. Desse matrimônio tiveram 08 filhos. 

Alagoas: Roza Fecunda Villa Nova, nascida aproximadamente em 1858 e se casou com José Francisco Ribeiro, ele sendo filho de Josepha Maria do Espírito Santo.

Pernambuco: José Florentino da Silva Villa Nova, nascido aproximadamente em 1850 e em 1ª núpcia se casou com Josefa Maria da Conceição. Desse matrimônio tiveram 11 filhos. Em 2ª núpcia se casou com Maria Apollonia do Espírito Santo, ela sendo filha de João Francisco Florêncio e Francisca Thomasia Villa Nova. Desse matrimônio tiveram 01 filha.

Paraíba: Manoel dos Santos Villa Nova Júnior, nascido aproximadamente em 1825 e se casou com Inocência Maria da Conceição. Desse matrimônio tiveram 06 filhos.

Rio Grande do Norte: Manoel Thomas de Villa Nova, nascido aproximadamente em 1868 e se casou com Maria Honorata da Conceição, ela sendo filha de Salviano Alves de Hollanda e Honorata Maria da Conceição. Desse matrimônio tiveram 02 filhos.

Ceará: Gerardo Telles Vila Nova, nascido em 1926 em Fortaleza/CE e se casou com Zuila Bezerra Vila Nova, ela sendo filha de Gaudioso Bezerra Lima e Maria de Araripe Sousa. 

Piauí: Ernestino Cândido Villanova, nascido aproximadamente em 1895 e se casou com Anna Maria Rodrigues, ela sendo filha de Rodrigo Coelho de Macedo e Brasilina Maria Rodrigues.

Maranhão: Antonieta Nova, nascida em 1889 e se casou com Simeão Pereira da Costa. Desse matrimônio tiveram 01 filho.



Texto de Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

Ana Joaquina do Espírito SantoDisponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GMH5-LJ9)<. Acesso em 27 de outubro de 2025.

Guilhermina Maria de FreitasDisponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/LLSP-WN4)<. Acesso em 29 de outubro de 2025.

Manoel Hermenegildo de Villa NovaDisponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/LLSP-WD2)<. Acesso em 27 de outubro de 2025.

Sobrenome NovaDisponível em: >(https://sobrenome.info/sobrenome-nova)<. Acesso em 29 de outubro de 2025.

Sobrenome Villa NovaDisponível em: >(https://sobrenome.info/sobrenome-villa_nova)<. Acesso em 29 de outubro de 2025.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Caetano José Machado: Um encontro que mudou gerações

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(Texto compartilhado no dia 27 de outubro de 2025 por Susana Machado Félix)

Em 1906, o missionário Frederick Glass passou pela Vila São Sebastião do Allemão, conhecida hoje como Palmeiras de Goiás, e ficou na residência do meu bisavô materno, Caetano José Machado, que era coletor de impostos e já havia se convertido. Segundo anotações de antigos historiadores da cidade, "as reuniões eram tumultuadas por pedras lançadas no telhado; formavam-se procissões para perturbar o local do culto". Uma dessas procissões foi "sustentada com paus" pelo Caetano José, bisavô de Susana Machado Félix.

Surpreendentemente, Caetano José foi o primeiro a se tornar membro da maçonaria em Palmeira de Goiás, em março de 1892, junto com um sobrinho da Prudenciana Justina Machado. Ela se converteu aos 13 anos, ouvindo os cultos da Igreja Cristã Evangélica que eram realizados nas casas vizinhas. Foi nesse período que fez um pacto com Deus, prometendo servir com lealdade para abençoar sua família até a quarta geração. Ela abandonou o sobrenome Goulart, que era herdado de seu pai, por não querer retornar às suas raízes católicas, como desejava seu pai.

Palmeiras de Goiás era uma cidade marcada por intensas diferenças religiosas. A divisão era evidente, até mesmo os cemitérios dos protestantes e católicos eram separados. A história do Caetano José está registrada em um livro cuja primeira edição se perdeu no lançamento, restando apenas o rascunho que uma familiar repassou.

Caetano José Machado nasceu em Água Branca, Alagoas, em 1870, filho de Antônio Ignácio Machado e Antônia Maria Machado. Até o presente estudo genealógico, a família não sabe informar se o bisavô de Susana tinha irmãos, pois durante entrevistas a parentes, os tios avós nunca comentaram sobre isso. 

Ele se casou por procuração por volta de 1890 e já estava em Goiás. Eles tiveram 16 filhos. Caetano faleceu 45 dias depois da bisavó de Susana, em 23 de outubro de 1955, em Goiânia.


Água Branca/AL

Até o meio do século XVIII, a área conhecida como Água Branca estava sob a jurisdição da sesmaria de Paulo Afonso, situada na Província de Alagoas, que na época era chamada de Mata Grande. Este território era pertencente a Paulo Viveiros Afonso, um sertanista que recebeu, por meio de um Alvará Real datado de 03 de outubro de 1725, uma vasta extensão de terrenos que hoje compõem os municípios de Mata Grande, Piranhas, Delmiro Gouveia, Olho D’água do Casado, Pariconha, Inhapi e Canapi. 

A fundação do local deve-se a três irmãos portugueses da família Vieira Sandes: Faustino, José e João, que eram originários do Arquipélago dos Açores, em Portugal. Eles deixaram a localidade de Vale de Itiúba, situada às margens do rio São Francisco e atualmente parte do Município de Porto Real do Colégio (AL), além de Boacica, que hoje é parte do Município de Igreja Nova (AL), e se dirigiram para o sertão alagoano com a intenção de desenvolver a área por meio de fazendas, criação de gado e a construção de vilas. Ao chegarem à sesmaria de Paulo Afonso, fundaram uma nova povoação. Para distingui-la de Mata Grande, a nova localidade recebeu o nome de Mata Pequena, Matinha de Água Branca ou Mata de Água Branca. 

O nome Água Branca surgiu por causa de várias fontes naturais com água clara e límpida que existem na região. O primeiro desbravador da cidade de Água Branca foi Faustino Vieira Sandes, capitão da Guarda Nacional Imperial. Este imigrante português nasceu em 1680 e faleceu em 1760, aos 80 anos. Teve três crianças: João Vieira Sandes (nome que também pertenceu a um irmão), Faustino Vieira Sandes (compartilhando o mesmo nome que o pai) e José Vieira Sandes (nome herdado de um irmão). Naquela época, era comum entre as famílias a repetição de nomes como forma de preservar a linhagem e a ascendência nas gerações futuras. Além das boas pastagens que a região da caatinga proporcionava, a riqueza das áreas montanhosas atraiu muitos investidores, e as propriedades na sesmaria foram vendidas em um leilão em 1769 na cidade de Recife (PE), adquirido pelo capitão Faustino Vieira Sandes (filho), que já ocupava a terra por meio de arrendamento. Com o passar dos anos, o comércio local se expandiu, desenvolvendo-se com a criação de gado, a produção de açúcar, algodão e com grandes feiras que comercializavam gado, peles e iguarias, estimulando a economia e o progresso da área. Esses atrativos conseguiram levar outros fazendeiros de diversos estados brasileiros a visitar e, em alguns casos, se estabelecer na localidade.

No início da colonização, a família Vieira Sandes se estabeleceu nas planícies da caatinga no sertão visando à criação de gado, desbravando propriedades como Matinha, Boqueirão, Cobra, São Bento, Paraíso e Pedra. Gradualmente, eles se expandiram para as áreas mais altas da região, erguendo a Vila de Água Branca no centro dos vales montanhosos que cercam a Serra da Charneca, a Serra do Mulungu Central, a Serra da Tatajuba, a Serra dos Gonçalves, a Serra do Canto, a Serra do Paraíso, a Serra do Mulungu e a Serra do Paraíso no lado oposto. A cidade de Água Branca e suas características geográficas são definidas por quatro vales distintos.

Em 1770, o Major Francisco Casado de Melo construiu a primeira igreja situada em uma área central entre três núcleos populacionais: Várzea do Pico, Olaria e Boqueirão. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi o principal local de culto na região até o surgimento da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. No início do século XIX, as famílias Teodósio, Vieira, Viana e Félix iniciaram a ocupação de Pariconha, dedicando-se à agricultura, criação de gado e principalmente à criação de pequenos animais. Segundo a tradição local, um ouricurizeiro que produzia frutos com duas conhas, como eram chamadas as polpas, inspirou o nome da cidade, que inicialmente era ‘Par-de-Conha’ e posteriormente foi abreviado para Pariconha. Instalados em uma área chamada “Povoado Caraibeiras dos Teodósios”, às margens do Rio Moxotó, a família Teodósios ainda tem seus descendentes por lá. O restante das famílias pioneiras na colonização da área se estabeleceu onde atualmente está localizado o centro do município. Anos após a chegada desses primeiros colonizadores, um grupo da tribo indígena Jaripancós, oriundos do Município de Tacaratú (PE), especificamente de uma região conhecida como “Brejo dos Padres”, formou uma aldeia na Serra do Ouricuri, nas proximidades da nova povoação.

A história documenta a significativa visita do Imperador Dom Pedro II, que esteve acompanhado de uma delegação e da Imperatriz Thereza Cristina, à Cachoeira de Paulo Afonso, ocorrida em 20 de outubro de 1859. Este evento é lembrado por meio de um marco em bronze que foi colocado nas proximidades da Usina Angiquinho. No seu Diário de Viagem, Dom Pedro II menciona que percorreu as áreas do Baixo do São Francisco, destacando Água Branca. O Major Calaça, que era natural de Penedo, se mudou para Água Branca para se dedicar ao comércio e à pecuária. Com um extenso conhecimento da área, o Major Calaça atuou como guia para o imperador. As informações que o Major compartilhou sobre a vegetação e a vida animal da região impressionaram bastante Dom Pedro. No seu Diário, Dom Pedro II escreveu:

"Já me preparava, tendo acordado antes das 04:00h, e às 04 horas e 37 minutos partimos dos Olhos d’Água em direção ao Talhado, uma fazenda que cultiva alimentos e cria gado, chamada por aqui, Major Calaça, que parece ter grande interesse por agricultura, possuindo em Água Branca, a 06 léguas do Talhado, um sítio repleto de várias frutas, entre elas uma banana que eu não conhecia, chamada dente-de-porco. As atas, ou pinhas, não estão frutificando neste momento, assim como ocorre com o umbuzeiro do qual o Calaça me mostrou um exemplar durante o trajeto e que é abundante por aqui, especialmente na mata de Água Branca. As atas, ou pinhas, não apresentam fruto agora, da mesma forma que o umbuzeiro, cuja planta o Calaça me mostrou no percurso e que é uma espécie comum nessa região, em especial na Mata de Água Branca."



Texto de Patrício Holanda



Referências bibliográficas:

A história de Água BrancaDisponível em: >(https://www.aguabranca.al.gov.br/a-historia/)<. Acesso em 27 de outubro de 2025.

Caetano José MachadoDisponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GXP7-BQ8)<. Acesso em 27 de outubro de 2025.

Frederick Charles GlassDisponível em: >(Frederick Charles Glass (GuardaChuva Educação))<. Acesso em 29 de outubro de 2025.

Prudenciana Justina de JesusDisponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GXPQ-LKQ)<. Acesso em 27 de outubro de 2025.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Família Franco: Uma oligarquia que moldou Sergipe

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Conforme a dissertação de mestrado da UFS, a família Franco, que possui impacto em diversos níveis de poder no estado, teria desenvolvido sua influência a partir da exploração do trabalho nas plantações de cana-de-açúcar durante a época colonial do Brasil, expandiu seus negócios e se envolveu na política durante a Era Vargas, além de ter avançado em mídias e outros empreendimentos durante o período da ditadura militar, continuando até os dias atuais com a precarização em suas usinas. Bruno afirma que a família utilizou sua riqueza, proveniente da ocupação de várias áreas que se tornaram fazendas (sendo que 19,4% do município de Riachuelo pertence aos Franco), para afetar a política do estado. Na década de 1940, já estavam investindo na política partidária, com a eleição de Walter do Prado Franco como senador pela UDN.

Atualmente, além das usinas, fazendas, negócios agropecuários, indústrias e um shopping, os integrantes da família Franco também controlam meios de comunicação, como a TV Sergipe (afiliada à Globo) e a TV Atalaia (afiliada à Record), cujos direitos de transmissão foram obtidos durante a ditadura militar (1964-1985).

No presente, a família Franco não ocupa cargos eletivos, mas ainda teria poder de influência nas decisões políticas. De acordo com a dissertação de Bruno Vieira, a família conseguiu uma certa forma de "proteção", mesmo no âmbito do Judiciário. Um exemplo recente foi a permanência do ex-deputado estadual Marcos Franco como secretário estadual do Turismo, mesmo após ser acusado de violência contra a mulher.

Bruno Vieira é um professor que se especializou em Ciência Política, possui um mestrado em Geografia e é parte do Grupo de Pesquisa em Estudos Urbano-regionais, Política e Educação da UFS.

O foco geográfico de sua pesquisa abrange os municípios de Riachuelo, Laranjeiras, Areia Branca, São Cristóvão, Itaporanga D’Ajuda, Aracaju, Barra dos Coqueiros e Nossa Senhora, onde o domínio econômico e geográfico da família Franco se originou e persiste.

A família Franco é considerada tradicional, mas não encontramos evidências de que tenham chegado ao Brasil já estabelecidos, visto que já em 1700 e poucos, o nome dos Franco aparecia em registros oficiais. O que destaco sobre a posse da terra é que, uma vez que grupos específicos detêm terras, eles detêm poder. 

Uma vez que a família Franco já possuía terras desde a época colonial e, a partir de 1850, a terra passa a ser de propriedade privada (anteriormente pertencente à Coroa, que não vendia, mas concedia as terras, podendo retirá-las quando desejasse); após conseguirem manter a posse privada a partir de 1850, os Franco adquiriram capital e meios de exploração, uma vez que a terra serve como um recurso de exploração. A terra é tanto um resultado quanto uma condição da luta de classes. Tudo se desenvolve sobre esse espaço.

Eles sempre foram donos de escravos, bem como grandes proprietários de terras e coronéis. A partir da década de 1940, eles se inseriram de fato na política, embora já tivessem influência desde o século XIX.

Getúlio Vargas, na presidência, era responsável por indicar os governadores dos estados e os interventores no período do Estado Novo. Os grandes proprietários de terras, que eram donos de engenhos antes de se tornarem usinas, influenciavam as escolhas promovidas por Vargas, evidenciando essa influência.

A Era Vargas não quebrou o poder das oligarquias. Em Sergipe, os Franco continuaram a desfrutar, estabelecer e expandir seu controle econômico e político. De que maneira? Com a posse da terra, eles puderam acessar e atuar na política e na Justiça.

Durante a gestão de Getúlio Vargas, foi criado um projeto denominado Instituto do Açúcar e Álcool (IAA), uma iniciativa pública. Este programa foi crucial na transformação dos antigos engenhos de açúcar em usinas modernas. A ascensão dos Franco ocorreu através da posse de terras e do acesso a políticas públicas e estruturas estatais entre as décadas de 1940 e 1960.

Eles sempre foram escravocratas. Atualmente, vivemos uma forma moderna de escravidão, refletida no trabalho assalariado.

Com acesso às políticas públicas, eles as moldam e promovem seus negócios e grandes propriedades. Diversas políticas públicas aumentaram significativamente suas riquezas. Os Franco evoluíram de um engenho, conhecido como Engenho São José (agora chamado Usina São José do Pinheiro), para possuírem mais de 15 fazendas – isso apenas sob a Usina Pinheiro localizada em Laranjeiras, Areia Branca e Riachuelo. Hoje, os Franco controlam 15% da área de Laranjeiras.

Essas propriedades rurais nunca foram verdadeiramente deles. O que realmente possuíam era o Engenho São José do Pinheiro, por herança. Com o início da República Velha, eles conquistaram o Engenho Central.

Nas décadas de 1970 e 1980, houve uma intensa exploração da mão de obra local. No entanto, atualmente, a força de trabalho nos canaviais dos Franco vem do interior de Alagoas e da Bahia, e não mais do agreste sergipano ou da região do Vale do Cotinguiba. Os trabalhadores dessa área foram forçados a se mudar para a capital ou para Itabaiana, ou se recusaram a aceitar a exploração laboral. Do interior de Alagoas, muitos são descendentes de indígenas, e do interior da Bahia, a força de trabalho é composta em grande parte por negros. Eles organizam o transporte desses trabalhadores por meio de ônibus.

Existem duas fases, a de colheita e a de semeadura. Normalmente, os trabalhadores que realizam a colheita da cana se alojam em depósitos temporários. A precariedade abrange desde a alimentação até a habitação, passando pela ausência de cuidados com os ferimentos, exposição ao sol e ao calor nesses depósitos. Além de formar um espaço de exploração laboral, essas regiões também se transformam em áreas de curral eleitoral.

Os anos da ditadura militar representaram um período de prosperidade para o setor empresarial, especialmente para os grandes proprietários de terras, devido ao favorecimento dado por aliados do comércio em troca de benefícios. A permanência do regime militar no poder dependia de os empresários receberem em troca um aumento significativo de investimentos públicos nas suas iniciativas privadas.

O Exército impôs ao grande setor empresarial – no caso de Sergipe, os proprietários de usinas de cana – uma série de políticas públicas voltadas para o crescimento econômico e produtivo, como foi o caso do Proálcool na década de 70, em meio à crise do petróleo. O Proálcool injetou uma quantia considerável de recursos na produção de cana em todo o país. No Nordeste, a situação foi semelhante, pois era a região central da produção de cana, deslocando-se para São Paulo a partir dos anos 90.

Os Franco obtiveram enormes vantagens, expandindo suas propriedades, aumentando suas plantações de cana e diversificando suas produções para açúcar e álcool. Esse crescimento resultou em um aumento significativo no número de pequenos agricultores que migraram para a capital e a área metropolitana nas décadas de 70 e 80.

Os pequenos agricultores se viram obrigados a vender suas pequenas propriedades devido à competição que os canaviais dos Franco impuseram. Eles precisaram se deslocar ou aceitar condições de trabalho precárias, se desfazer de suas terras ou lotear para grandes proprietários. Isso levou à formação de vilas operárias, que ainda podem ser encontradas nas plantações de cana dos Franco.



Texto de Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

Política e poder: influência da família Franco na reprodução do espaço sergipanoDisponível em: >(Política e poder: influência da família Franco na (re)produção do espaço sergipano (Dissertação Bruno Vinícius Santos Vieira - RIUFS))<. Acesso em 09 de março de 2025.

SE: família Franco influencia política desde a década de 40Disponível em: >(SE: família Franco influencia política desde a década de 40 (Terra))<. Acesso em 09 de março de 2025.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Paraguaçu ancestral: As raízes das famílias Dias Adorno, Rodrigues e D’Ávila

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(Texto compartilhado no dia 11 de fevereiro de 2025 por Alexandre Gonçalves do Bonfim)

Em 1552, D. Duarte da Costa foi escolhido para ser o governador geral do Brasil, sendo filho de D. Álvaro da Costa, que atuava como camareiro e armador-mor do rei D. Manuel I. Apesar de sua família não ser da nobreza, eles mantinham uma forte conexão com a corte portuguesa, o que ajudou na sua ascensão ao cargo. D. Duarte possuía uma relação próxima com o príncipe D. João III, o que pode ter tido um papel importante em sua nomeação. Durante seu período no cargo, ele, junto com seu filho, D. Álvaro da Costa, reprimiu os indígenas, especialmente os Tupinambás.

Antes de voltar a Portugal em 1557, D. Duarte fez a doação de uma sesmaria entre os rios Jaguaripe e Paraguaçu para seu filho, D. Álvaro, em reconhecimento aos seus serviços. Em 1562, D. Álvaro buscou a validação dessa doação, já que a terra permanecia desocupada devido à resistência dos indígenas. A Coroa não apenas confirmou a posse, mas também transformou a área em capitania, concedendo a D. Álvaro poderes de jurisdição e a capacidade de distribuir sesmarias. Isso possibilitou uma melhor organização do território na área.

Após a transformação da sesmaria em capitania, D. Álvaro pôde realizar a distribuição de terras, que ocorreu entre os anos de 1560 e 1570. Contudo, ele nunca retornou ao Brasil e designou seu primo, Fernão Vaz da Costa, como seu representante no Paraguaçu. Após o falecimento de Fernão em 1568, seu genro, Martim Carvalho, assumiu o cargo, continuando a administração e recebendo terras na região. A dinâmica das doações e a mobilização de descendentes de figuras proeminentes como Diogo Álvares Correa, conhecido como Caramuru, evidenciam a importância das alianças familiares e militares na formação da sociedade colonial na Bahia.

Álvaro Rodrigues e Paulo Dias Adorno casaram-se com duas das muitas filhas de Diogo Álvares Correia e suas esposas Tupinambá. Paulo Dias Adorno casou-se com Felipa Álvares, enquanto Afonso Rodrigues tomou Madalena Álvares como noiva, conforme relata Frei Jaboatão. Algumas fontes sugerem que ambos chegaram ao Brasil ao lado de Martim Afonso de Sousa durante a sua expedição inicial para os portugueses na América. Há também alegações de que eles chegaram à Bahia enquanto escapavam de acusações de assassinato em São Vicente. Juliana Brainer Neves observa que Dias Adorno era um nobre de família de Gênova. No entanto, para Rodrigues não há informações claras sobre a sua situação social no reino, apenas que era oriundo da vila de Óbidos.

É importante notar que a ligação entre essas três famílias facilitou a ascensão social dessa linhagem, atribuída às honras e recompensas recebidas por serviços prestados à administração colonial. Além disso, o fortalecimento do status dos descendentes de Caramuru foi impulsionado pelo casamento de sua neta, Izabel Dias, com Garcia D'Ávila. A fusão das propriedades de ambas as famílias desempenhou um papel crucial na formação da renomada e vasta propriedade da família D'Ávila. Esse contexto ressalta a importância das uniões familiares na administração da terra e no serviço à Coroa em busca de benefícios, que, como ilustra o historiador Rodrigo Ricupero, foram cruciais para a acumulação da riqueza dos latifundiários na Bahia durante os séculos XVI e XVII.

Ao todo, foram concedidas 08 concessões de terras às famílias Dias Adorno e Rodrigues e aos descendentes de Diogo Álvares Correia, conhecido como Caramuru. Entre as diversas expedições organizadas pelo governo geral com o objetivo de extrair minerais preciosos, reprimir levantes indígenas e escravizar indígenas, existem numerosos registros que indicam o envolvimento de membros da família, incluindo algumas incursões na região do Paraguaçu. O relato mais antigo da participação de um membro da família em expedições ao Paraguaçu é o de António Dias Adorno, filho de Paulo Dias Adorno, durante o mandato de Mem de Sá, que era o líder na época. Em seguida, há o registro de Álvaro Rodrigues, filho de Afonso Rodrigues, liderando uma expedição ao Paraguaçu em 1573 sob as ordens do governador Luís de Brito. Após esse evento, Afonso Rodrigues estabeleceu um engenho de açúcar ao norte do rio, próximo a Iguape.

Consequentemente, é razoável considerar que as concessões de terras dadas aos Rodrigues, aos Dias Adorno e aos descendentes de Caramuru possam ter sido influenciadas pelo envolvimento dessas famílias em algumas das expedições realizadas no vale do Paraguaçu. Felipa Álvares, filha de Caramuru e esposa de Paulo Dias Adorno, recebeu terras perto do rio Capanema. Nessas terras, o filho do casal, Antônio Dias Adorno, que havia apoiado Mem de Sá nas missões para subjugar os indígenas no Paraguaçu, estabeleceu dois engenhos de açúcar na década de 1570. Como sertanista, ele também participou de viagens à capitania de Porto Seguro e recebeu uma concessão de 1200 braças de terra cedidas para Gomes Rodrigues.

Gaspar Rodrigues também foi homenageado por Pero Carreiro. O filho mais novo de Afonso Rodrigues recebeu, em 12 de maio de 1574, 3000 braças quadradas. É interessante observar a particularidade de sua doação, que impunha ao Rodrigues a responsabilidade de povoar as terras designadas para pecuária em até seis meses. Um acordo semelhante foi estabelecido nas cartas de doação de sesmaria de Belchior Dias Porcalho (que possuía um engenho de bois na região de Parnamirim, conforme Gabriel Soares de Sousa), de Catarina Álvares (filha de Caramuru que obteve 5000 léguas próximas à foz do rio Jaguaripe) e de Antônio Paiva (casado com Felipa de Figueiredo, neta de Caramuru).

É relevante também o caso de Cristóvão de Barros, que recebeu uma légua de terra nas áreas do Ibatatan em 25 de julho de 157820, onde foi edificado um engenho. Ele era filho do donatário do Ceará, António Cardoso de Barros, um escudeiro fidalgo ativo na Índia. Cristóvão de Barros chegou à Bahia ao lado de seu pai, que, após desistir de sua capitania (do Ceará), foi nomeado o primeiro provedor-mor da fazenda do Brasil em 154921.

Na Bahia, ele começou sua trajetória como soldado, mas em 1566 tornou-se capitão-mor de uma esquadra enviada do reino para auxiliar na fundação do Rio de Janeiro, capitania real que governou de 1572 até pelo menos 1575. Ele assumiu o cargo de provedor-mor, que herdou do pai, e foi o líder na conquista da área onde foi estabelecida a capitania de Sergipe Del Rey, da qual foi o primeiro capitão. Além disso, tomou parte do governo geral interino entre 1587 e 1591 e, segundo Ricupero, possuía várias propriedades em Sergipe e no Rio de Janeiro (onde tinha um engenho)22. Como mencionado anteriormente, Cristóvão de Barros atuou como soldado na Bahia na década de 1560. Portanto, não se deve ignorar que ele recebeu a sesmaria na donataria de d. Álvaro da Costa como uma compensação por sua possível participação nas guerras do Paraguaçu.

Assim, é possível notar que a capitania do Paraguaçu foi uma fonte de mercês para indivíduos que estavam associados ou participavam da administração colonial.



Texto adaptado por Eugênio Pacelly Alves




Referências bibliográficas:

Arquivo Nacional do Rio de Janeiro (ANRJ). Fundo da Tesouraria da Fazenda da Província da Bahia. Synopse das Sesmarias Registradas nos Livros Existentes no Archivo da Thesouraria da Fazenda da Bahia. Códice 155. [1534-1828].

BRASIL. Biblioteca Nacional. Documentos Históricos: Patentes (1677-1678). Forais, doações, mandados e regimentos (1534-1551). Volume 13. Rio de Janeiro: Augusto Porto & C., 1929. 

GAVETAS (As) da Torre do Tombo. Lisboa: CEHU, 1960-1977, p. 512-515. V. XVIII, 05- 13. 

JABOATÃO, Frei Antônio de Santa Maria. Catalogo genealógico das principais famílias procedentes dos Albuquerques e Cavalcantes em Pernambuco e Caramuru na Bahia por frei Antônio de Santa Maria Jaboatão. In: Revista do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro. Tomo LII, Parte I. Rio de Janeiro: Laemmert & C., 1889. 

LEME, Margarida. D. Álvaro da Costa: o fiel servidor do rei, o fundador da família. In: ROSA, Maria de Lurdes (coord.). D. Álvaro da Costa e a sua descendência, séculos XVXVII: poder, arte e devoção. Lisboa: IEM/CHAM, 2013. 

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E SAÚDE. Biblioteca Nacional. Documentos Históricos. v.35. v.36. Provimentos Seculares e Eclesiásticos. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1937.

NEVES, Juliana Brainer Barroso. Colonização e resistência no Paraguaçu: Bahia 1530-1678. Salvador: Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, 2008, p.18-19. Disponível online: Acesso em 27 de abril de 2019.

RUY, Affonso. História da Câmara da cidade de Salvador. Salvador: Câmara Municipal, 1949. 

SALDANHA, Antônio Vasconcelos de. As capitanias do Brasil: antecedentes, desenvolvimento e extinção de um fenômeno atlântico. Lisboa: CNCDP, 2001.

VIANNA, Francisco Vicente. A Bahia Colonial I e II. In: Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. v.36 e v. 37. Salvador, 1909-11.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Genealogia do poder: Como as famílias Franco, Garcez e Maynard se entrelaçaram em Sergipe

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Na época do Império, a família Dias Coelho e Mello, que tem uma ramificação com os Rollemberg, interagia com diversas figuras da república, como o ex-presidente Getúlio Vargas, que chegou a se hospedar na residência de Gel Maynard em Aracaju durante sua campanha presidencial. Leandro Maynard Maciel, que na ocasião era governador de Sergipe, foi indicado para o cargo de vice-presidente na chapa de Jânio Quadros, mas acabou por renunciar em favor de Milton Campos.

Além disso, conforme as informações disponíveis a respeito das famílias, estima-se que cerca de 31 personalidades relevantes na política tenham surgido delas. É claro que esse número não inclui aqueles considerados “menos ilustres” ou cujas informações não foram acessíveis. Dentre esses 31 políticos, 19 se destacaram no cenário político nacional, tanto durante o período imperial quanto na república. Desses, 12 atuaram no Senado, 06 exerceram a função de Deputado Federal, e apenas 01 não participou de um processo eleitoral, sendo nomeado pelo presidente João Goulart como Ministro do Supremo Tribunal Federal de Recursos em 1963: Armando Leite Rollemberg, que contou com a indicação de colegas na câmara federal, incluindo Oliveira Brito (SANTOS, 2002, p. 134). Os outros 12 políticos que fazem parte dos grupos familiares e não atingiram projeção nacional são 4 prefeitos de municípios sergipanos, um prefeito de Taquaritinga em São Paulo, Joaquim Machado de Faro Rollemberg, 01 vice-governador da antiga província de Sergipe, 01 governador de Sergipe, 01 secretário de Governo Provincial, 02 vereadores e 02 deputados estaduais. É importante destacar que a categorização apresentada distingue, de um lado, os indivíduos que ocupavam funções de "competência nacional", como Senador, Deputado Federal e Ministro, e, de outro, aqueles que não exerceram esses cargos, levando em consideração a posição mais alta que cada um alcançou.

Entre as estratégias de reprodução social, que abrangem áreas como educação e economia, a mais utilizada e valorizada por essas famílias são as alianças matrimoniais feitas com membros de outras linhagens proeminentes. Essas alianças constituem uma "estratégia de grande investimento social" (BOURDIEU, 1994 apud SEIDL, 2002, p. 8), ajudando na preservação e expansão dos recursos econômicos e simbólicos da família. O casamento pode unir descendentes de famílias "tradicionais" que detêm propriedades ou fortificar laços políticos, além de estabelecer conexões matrimoniais entre indivíduos da mesma família, mantendo os recursos familiares dentro do círculo.

Nesse contexto, a união matrimonial que ocorreu entre os membros das famílias Dias Coelho e Mello e Rollemberg possibilitou um significativo "projeto" econômico, político e social. O primeiro casamento, entre Amélia Dias e Mello [Rollemberg], que era filha do Barão de Estância, e José de Faro Rollemberg, conectou duas famílias de Barões. De um lado estava a família Dias Coelho e Mello, que possuía um duplo baronato — Cel. Domingos Dias Coelho e Mello (Barão de Itaporanga) e Antônio Dias Coelho e Mello (Barão de Estância) — e, do outro, a família do Barão de Japaratuba, Gonçalo de Faro Rollemberg, avô do noivo.

Além disso, de acordo com as ações sociais e políticas dos Rollemberg, existe também um aporte financeiro, como demonstra Albuquerque (2003-2008). Antes de falecer, o Barão de Estância deixou uma considerável herança para sua filha mais velha, Amélia Dias Rollemberg, com itens notáveis como o Engenho Escurial, um dos principais produtores de açúcar da região. O segundo grupo foi formado por Aurélia Dias, chamada D. Sinhá, e Gonçalo de Faro Rollemberg, representando um investimento social e material significativo, visto que o noivo era médico e herdeiro do engenho Topo, notável por sua produção de açúcar na Contiguiba, além de possuir ¼ dos bens do casal nobre Dias Coelho e Mello, pais de D. Sinhá.

Ademais, houve a união entre Lígia Maynard Gomes e José Garcez Vieira — um Garcez e uma Maynard. José, genro do General e ex-governador de Sergipe, Augusto Maynard Gomes, que se destacou na política através das revoltas tenentistas e sua estreita relação com o presidente Getúlio Vargas, tornou-se prefeito de Aracaju após ser nomeado em 1940. É sabido que ele representou a Ford em Sergipe, tendo chegado a vender o negócio para a família Teixeira. Após seu período na prefeitura, dedicou-se a atividades pecuárias na Fazenda São José, herdada de seu pai.

 

As Grandes Famílias Sergipanas

No que se refere à família Franco, o primeiro registro de um membro em Sergipe, confirmado por documentos antigos, segundo o historiador Ricardo Teles Araújo em seu livro intitulado de "Famílias Sergipanas no Período Colonial (2002)", remonta a João Gonçalves Franco. De acordo com a Relação do rendimento do açúcar dos engenhos entre 1754 e 1755, elaborada por José Antônio Caldas, ele possuía o engenho Serra Negra em 1788, situado no “Partido de Garajau”, onde havia um porto significativo para o embarque de açúcar produzido em Santo Amaro das Brotas. No entanto, não há informações sobre sua data de nascimento ou naturalidade, apenas se especula que outro João Gonçalves Franco (II), nascido por volta de 1760 e filho de Manuel Ferreira da Cruz — primeiro proprietário do engenho —, fosse seu neto.

Com base nas informações genealógicas, a família Franco apresenta vínculos distantes com os Maciel e os Sá, da qual provém o nobre português Mem de Sá, e, principalmente, com os Prado Pimentel. Na verdade, os laços entre Franco e Prado Pimentel se entrelaçam de maneira tão intensa que seria mais apropriado referir-se a ela como família Prado Pimentel Franco. O morador mais antigo da província de Sergipe dessa linhagem, comprovado por registros históricos, foi Albano do Prado Pimentel, junto com seu irmão, o Sargento-mor Antônio Coelho do Prado.

De modo geral, os membros da família Franco estão inicialmente associados aos engenhos de cana-de-açúcar, sendo também proprietários do Engenho Palmeiras, em Laranjeiras, assim como dos engenhos Camaçari e Pinheiro, pertencentes aos Pimentel Franco. A partir da metade do século XX, a família começou a ocupar posições de destaque na cena política, o que possibilitou o acesso a uma variedade de recursos sociais além dos derivados da produção açucareira.

Por sua vez, a família Garcez não possui registros claros sobre sua origem no Brasil, embora um dos ramos mais antigos remonte a Bento Garcez, no Rio de Janeiro, no século XVI. Também há registros em São Paulo, Goiás, Bahia e Rio Grande do Sul. Em Sergipe, destaca-se Dr. Martinho de Freitas Garcez, mencionado por Armindo Guaraná (1925), nascido em 1810 no engenho Comandaroba, em Laranjeiras.

Já no século XX, a família Garcez continuou sua participação na vida política, sendo notável a figura de Arnaldo Rollemberg Garcez (Arnaldo Barreto Garcez), cuja trajetória política ilustra a ampliação das redes familiares e simbólicas em Sergipe.

Quanto à família Maynard, acredita-se que seja de origem britânica. Em Sergipe, há uma linhagem com o mesmo nome, incluindo o Desembargador Dr. João Maynard, nascido no engenho “Saco”, em Rosário do Catete, em 1878. A família Maynard consolidou-se politicamente entre as décadas de 1930 e 1960, mantendo laços com figuras centrais como Getúlio Vargas e D. Pedro II.

Por fim, em relação à família Rollemberg, segundo Ricardo Teles Araújo (Famílias Sergipanas do Período Colonial, 2002), suas origens são provavelmente germânicas. O primeiro registro de um Rollemberg em Sergipe remete a Manuel Rollemberg, nascido em 1713, proprietário de engenhos na região de Santo Amaro e Garajau. Ao longo dos séculos XVIII e XIX, os Rollemberg destacaram-se como senhores de engenho e figuras políticas, com ramificações nas famílias Botto, Barros Pimentel e Leite, consolidando-se entre as mais influentes do estado.



Texto de Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

BOURDIEU, P. & SAINT MARTIN, M. “La sainte famille: l’épiscopat français dans le champ du pouvoir”, in: Actes de la Recherche en Sciences Sociales, nov. 1987.

SANTOS, Osmário. Memórias de Políticos de Sergipe no século XX. Organização de Afonso Nascimento. Aracaju: Gráfica JAndrade, 2002.

SEIDL, E. A construção de uma ordem: o exército brasileiro o nascimento da “meritocracia” (1850-1930), in: Ciências & Letras, n. 37, 2005.