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Após a destruição do
cemitério, o espaço ao lado da atual Praça da Estação recebeu a Estação João
Felipe, que foi inaugurada no século XIX sob o nome de Estação Central.
A trajetória
ferroviária no Ceará passa por dois locais significativos na história de
Fortaleza: a Praça Castro Carreira e a Estação João Felipe, localizadas no
Centro. Por muitos anos, esses dois pontos se nutriram de um intercâmbio diário
de cidadania. Um recebeu passageiros da outra, e esta devolveu o gesto,
conferindo um nome que ficou famoso por toda a cidade. Atualmente, tanto a
praça quanto a estação se unem em um único ponto de referência: a Praça da
Estação; e são, na verdade, um endereço só. Com uma rica história a ser
narrada.
Na época em que não
existiam nem a praça nem a estação, havia na área um cemitério, inaugurado em
1849, denominado São Casimiro, em homenagem ao jornalista e advogado Casimiro
José de Morais Sarmento, que era o presidente da Província do Ceará na época –
uma das regiões que formavam o Império Brasileiro. Este foi o primeiro
cemitério em Fortaleza, dado que era comum a prática de "enterrar" os
corpos nas paredes das igrejas anteriormente.
Conforme Sebastião
Ponte, docente do Departamento de História da Universidade Federal do Ceará
(UFC), ao lado do cemitério surgiu a primeira ferrovia do Ceará: a Estrada de
Ferro de Baturité, cuja primeira viagem de trem ocorreu em 1873, já quando o
São Casimiro havia sido desativado, faltando quatro anos para sua demolição, que
aconteceu em 1877.
A demolição abriu
espaço para a construção das oficinas e prédios administrativos da Estrada de
Ferro de Baturité. Segundo o professor, o local onde ficava o cemitério hoje
abriga os edifícios e armazéns da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima
(RFFSA).
Fundada em 9 de junho
de 1880, durante o governo de Dom Pedro II, a estação teve o nome inicial de
Estação Central, e era composta por uma área de passageiros, oficinas, armazém,
galpão de material rodante e uma casa de locomoção. Em 1941, um decreto
assinado pelo presidente Getúlio Vargas alterou o nome da estação para Estação
Fortaleza. O nome Estação João Felipe, pelo qual é conhecida atualmente, foi
adotado cinco anos depois, em 1946, através de um novo decreto federal.
O tombamento da
estação ocorreu em 24 de abril de 1980, por meio do Programa de Preservação do
Patrimônio. O registro estadual foi realizado em 30 de outubro de 1983 pela lei
16.237. Atualmente, a João Felipe está sob a administração do Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Texto de Patrício Holanda
Referência bibliográfica:

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