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sexta-feira, 27 de março de 2026

Patriarca da família Peixoto da Ribeira do Jaguaribe

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A linhagem Peixoto possui raízes na Península Ibérica e é associada à tradição portuguesa. O sobrenome deriva do termo “Peixoto”, relacionado à palavra “peixe”, cuja origem remonta ao latim piscis. Em estudos genealógicos, essa designação aparece vinculada a antigas narrativas familiares que remetem à chamada “Lenda da Truta”, episódio ligado à figura de Gomes Viegas Portocarreiros, que posteriormente passou a utilizar o sobrenome Peixoto e estabeleceu o solar familiar em Pardelhas, na região de Penafiel, em Portugal (LIMA, 2016).

Entre os descendentes que deram continuidade a essa linhagem destaca-se Manuel Peixoto da Silva, conhecido nas tradições regionais como “Peixotão”. As pesquisas genealógicas indicam que ele era originário de Portugal e pertenceu a uma extensa família, sendo um dos numerosos filhos de Gonçalo Peixoto da Silva Macedo de Almeida Carvalhais e Vale e de Paula Maria Cardoso de Alarcão (MAIA, 2020). Posteriormente, migrou para o território brasileiro e se estabeleceu no Nordeste, integrando o movimento de ocupação do sertão cearense.

Segundo estudos sobre as antigas famílias da região, Manuel Peixoto da Silva instalou-se na área da Ribeira do Jaguaribe, onde organizou propriedades rurais que se tornariam referências iniciais da presença dos Peixoto no sertão. Pesquisadores apontam que sua fazenda, conhecida como Curralinho e Ajuntador, localizava-se nas proximidades do Rio Jaguaribe e foi considerada um dos núcleos formadores da família naquela região (COUTO, 1962).

A união matrimonial entre Manuel Peixoto da Silva e Genoveva da Assunção Fonseca Ferreira, pertencente a uma família ligada às primeiras ocupações do sertão, contribuiu para a formação de uma extensa descendência. Os registros genealógicos indicam que os filhos do casal deram origem a diversos ramos familiares, que se espalharam por diferentes localidades do interior cearense. Entre esses descendentes estão linhagens que posteriormente se conectaram a famílias influentes da região (LIMA, 2016).

Documentação paroquial preservada em arquivos históricos apresenta evidências da presença de Manuel Peixoto da Silva na Ribeira do Jaguaribe. Um registro eclesiástico menciona o batismo de uma criança filha de escravizados pertencentes a ele, o que demonstra sua condição de proprietário rural e membro ativo da sociedade local. O documento registra que o batismo ocorreu “na Fazenda Curralinho”, sendo anotado pelo vigário responsável pela paróquia da região (RIBEIRO, 2002).

A tradição oral e os relatos históricos também preservaram episódios que reforçam a notoriedade do personagem. Um artigo publicado na revista O Cruzeiro descreve que Manuel Peixoto da Silva era lembrado pela força física e pelo grande apetite, sendo incluído entre figuras curiosas da história cearense. O texto o apresenta como um dos “grandes e honrados comilões” mencionados na narrativa sobre personagens do Ceará antigo (BARROSO, 1957).

Memórias familiares registradas em obras genealógicas também narram episódios atribuídos à sua força extraordinária. Em um dos relatos citados por Juarez Távora, o personagem teria demonstrado grande vigor físico ao erguer uma pesada viga enquanto indicava caminhos a um visitante, gesto interpretado como resposta a um desafio de força (TÁVORA, 1973).

A presença de Manuel Peixoto da Silva na Ribeira do Jaguaribe marcou o início de uma linhagem que se expandiu ao longo de gerações. Pesquisadores indicam que os descendentes do casal fundador estabeleceram vínculos matrimoniais com diversas famílias do sertão cearense, como Barreto, Pinheiro, Diógenes, Uchôa e Alencar, formando uma ampla rede de parentesco na região (LIMA, 2016).

Assim, a genealogia dos Peixoto da Ribeira do Jaguaribe revela a trajetória de uma família que se integrou ao processo de ocupação do interior do Ceará, deixando registros em documentos históricos, tradições orais e estudos genealógicos dedicados às antigas famílias do sertão.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Sérgio Barreto



Referências bibliográficas:

BARROSO, G. Segredos e Revelações da História do Ceará: Gargântuas e Pantagruéis do Ceará Antigo. Domingão Dono da Guaiúba e Peixotão, Dono do Riacho do Sangue – Grandes e Honrados Comilões – Uma Raça de Gigantes. Rio de Janeiro: Revista O Cruzeiro, edição de 16/10/1957.

BOTÃO, P. D. Genealogia das Famílias Távora Diógenes Pinheiro. Fortaleza: OTS Impressão Gráfica, 2005.

COUTO, F de A. Antigas Famílias do Sertão. Fortaleza: RIC, pg. 216-218, 1971.

COUTO, F de A. A História do Icó – sua genuína crônica. Fortaleza: Editora A. Batista Fontenele, pg. 56-114, 1962.

Famílias Cearenses 8 – Genealogia da Ribeira do Jaguaribe. Disponível em: >(https://familiascearenses.com.br/?view=article&amp;id=127)< . Acesso em 10 de janeiro de 2026.

LIMA, F. A. de A. Jaguaribe Mirim – famílias ancestrais e filhos ilustres. Disponível em (Jaguaribe Mirim - Famílias Ancestrais; Filhos Ilustres - Parte 01 (famíliascearenses.com.br). Acesso em 18 de fevereiro de 2026.

LIMA, F. A. de A. SIARÁ GRANDE: uma província portuguesa no Nordeste Oriental do Brasil: genealogia luso-cearense – quatro volumes. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2016. 2100p.

MAIA, J. N. B. Memorial da Família Távora do Ceará 1700 – 2020. Fortaleza: Expressão

Gráfica e Editora, 2022. 620 p.

RIBEIRO, F. S. B. O Patriarca da Família Távora da Ribeira do Jaguaribe. [ARTIGO].

Revista Arautos do Vale. Jaguaribe: Edição 118, ano 11, pg. 05, novembro de 2020.

RIBEIRO, V. U. Jaguaribe Minha Terra (4): formação eclesiástica. Fortaleza: Premius

Editora, 2002. 432 p.

RIBEIRO, V. U. Jaguaribe Minha Terra (5): formação política. Fortaleza: Premius Editora,

2005. 582 p.

TÁVORA, F. Monsenhor Távora. Fortaleza: RIC, 1945.

TÁVORA, J. Uma Vida e Muitas Lutas - 1: da planície à borda do altiplano. Rio de Janeiro:

Livraria José Olympio Editora, 1973.

TÁVORA, P. Távora e Cunha na Península Ibérica e na Antiga América Portuguesa. Fortaleza: RIC, pg. 11-96, 1971.

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