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quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Manoel Ferreira Nobre Junior: Onde nasceu o primeiro historiador do RN?

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Elevado à posição de primeiro historiador do Rio Grande do Norte, Manoel Ferreira Nobre Junior nasceu, presumivelmente, em 1824, na cidade de Natal. No entanto, os historiadores potiguares não concordam sobre o local e o ano de seu nascimento. Segundo o intelectual Raimundo Nonato, não se tem certeza sobre onde Manoel Ferreira Nobre Junior veio ao mundo. Embora Tavares de Lyra tenha declarado que ele nasceu em Natal, Raimundo Nonato sugere uma alternativa: a cidade de Ceará-Mirim. (NONATO, 1971) 

Quanto ao ano de nascimento, Tavares de Lyra afirma que o primeiro historiador do Rio Grande do Norte nasceu em 1824. Contudo, Luís da Câmara Cascudo e Enélio Lima Petrovich acreditam que foi em 1824 (LYRA, 1921; CASCUDO, 1963; PETROVICH, 1971). Em termos gerais, não existem muitas informações sobre sua infância e juventude, mas as investigações do desembargador Antônio Soares e de Luís da Câmara Cascudo, realizadas no final dos anos 40 e início dos 50, revelam alguns detalhes sobre sua vida. 

Manoel Ferreira Nobre Junior pertence a uma das famílias tradicionais do século XIX no Rio Grande do Norte: os Ferreira Nobre. Ele era o filho do Tenente Manoel Ferreira Nobre e de Inácia Joaquina de Almeida (CASCUDO, 1963; NONATO, 1971). Não seguiu a profissão do pai e nem se aprofundou nos “estudos maiores” (CASCUDO, 1963). Consoante Augusto Tavares de Lyra, Manoel Ferreira Nobre se dedicou “com carinho” ao estudo da história e da geografia de sua região, mesmo sem “ter uma formação sistemática.” (LYRA, 1921, p.788). Assim como outros cidadãos potiguares do final do século XIX e do início do XX, Manoel Ferreira Nobre desempenhou simultaneamente papéis de político e intelectual. Ele navegou entre os dois partidos do Império, tanto o liberal quanto o conservador, ocupando cargos políticos de destaque na província. 

Em relação ao grupo político, existem divergências entre Luís da Câmara Cascudo e Antônio Soares sobre a filiação partidária de Manoel Ferreira Nobre Junior. Enquanto o primeiro sustenta que ele era integrante do Partido Liberal, o segundo afirma que ele era “correligionário do Partido Conservador.” 

A trajetória política de Manoel Ferreira foi marcada por sua atuação em diversos cargos administrativos na província, embora também tenha se aventurado no meio intelectual, contribuindo com alguns periódicos políticos e literários, conforme mencionado por Augusto Tavares de Lyra. (1921, p.789) Ele esteve próximo das principais figuras do poder, especialmente dos presidentes provinciais. Trabalhou para eles, acompanhando-os em suas viagens pelo interior do Rio Grande do Norte. No entanto, Manoel Ferreira Nobre Junior não recebeu o reconhecimento que merecia, principalmente de seus futuros conterrâneos, em relação aos cargos políticos e administrativos que exerceu. Muito menos foi lembrado por seu trabalho como advogado em diversas cidades da província. 

O aspecto biográfico mais relevante destacado pela intelectualidade norte-rio-grandense na segunda metade do século XX, especialmente por aqueles ligados ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN), foi o alegado pioneirismo na publicação da primeira história do Rio Grande do Norte. 

A análise desse percurso evidencia que a construção da memória histórica regional depende, em grande medida, de iniciativas individuais que, mesmo sem formação acadêmica formal, conseguem produzir registros duradouros. No caso de Manoel Ferreira Nobre Junior, sua atuação revela um perfil comum no século XIX, no qual a produção intelectual estava frequentemente associada à prática política e administrativa. As divergências sobre sua origem e filiação partidária também indicam limitações das fontes disponíveis, reforçando a necessidade de leitura crítica dos registros historiográficos. Além disso, o reconhecimento tardio de sua obra demonstra como determinados personagens podem ser subvalorizados em seu próprio tempo, sendo posteriormente resgatados por instituições e pesquisadores. Nesse sentido, sua contribuição vai além do conteúdo produzido, pois representa um marco na sistematização do conhecimento histórico sobre o Rio Grande do Norte, abrindo caminho para estudos posteriores e consolidando uma base narrativa que influenciou a compreensão da identidade regional ao longo do tempo.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto adaptado por Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

CASCUDO, Luís da Câmara. Notícia sobre Manoel Ferreira Nobre. In: Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Natal. Volume 55, 1963.

LYRA, Augusto Tavares de. História do Rio Grande do Norte. 1ª ed. Rio de Janeiro: Typografia Leuzinger, 1921.

Manoel Ferreira Nobre Junior. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/LKTW-X92)<. Acesso em 11 de fevereiro de 2024.

NONATO, Raimundo. [Orelha do livro]. In: NOBRE, Manoel Ferreira. Breve notícia sobre a província do Rio Grande do Norte. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora Pongetti. 1971.

PETROVICH, Enélio Lima. Apresentação. In: NOBRE, Manoel Ferreira. Breve notícia sobre a província do Rio Grande do Norte. 2ª ed. Rio de Janeiro: Pongetti. 1971. 

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