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No dia 25 de janeiro de 2026 entrevistamos a pesquisadora genealógica Margareth Almeida aqui no Blog GuardaChuva Educação.
Com atividade notória nas indexações de registros antigos no FamilySearch você poderá conhecer um pouco mais sobre a trajetória da pesquisadora Margareth.
Boa leitura!
1. Poderia falar um pouco mais sobre o seu trabalho nas pesquisas genealógicas autônomas, seus objetivos, futuros projetos, quais ramos familiares pesquisa e em quais regiões?
Meu
trabalho de pesquisa genealógica consiste na leitura de livros paroquiais e
diocesanos do estado do Ceará, com maior foco — embora não exclusivo — na
região Noroeste do estado, especialmente no Vale do Acaraú. Também realizo a
leitura de literaturas específicas sobre genealogia e sobre a história da
região e de suas famílias, de autores diversos.
Vale
registrar que nada disso teria valor sem o apoio de outros pesquisadores da
região, que, ao longo dos anos, muito me agregaram com seus conhecimentos
diversificados, sugestões, dicas, conselhos e contribuições a partir dos
resultados de suas próprias pesquisas.
Atualmente,
tenho como projeto a leitura e o cadastramento, na plataforma FamilySearch, de
todos os registros de casamentos — e seus personagens — administrados pela
paróquia de Santa Quitéria e que constam nos livros disponíveis para consulta.
Encontro-me apenas na página 100 do primeiro livro. É um trabalho árduo, mas
tenho certeza de que não somente eu, como também outros amigos pesquisadores,
colherão os frutos desse esforço. É claro que seria maravilhoso ter parceiros
nesse trabalho, mas o fato de não os ter não me impedirá de continuar.
Vejo a
região como um grande bordado que, além de ainda estar sendo construído,
necessita de constante restauro. Penso que esse bordado só poderá ser realizado
por muitas mãos. Quero contribuir com alguns pontos, e é isso que meu trabalho
representa: esta é a minha contribuição para todos. Não somente eu tirarei
proveito desses registros, mas todos, pois a genealogia se faz assim: com todos
e para todos.
Meu sonho
utópico é que, por meio de trabalhos como o nosso, nós, pesquisadores de
genealogia, possamos deixar para a região não apenas a minha ou a sua
ancestralidade, mas que, um dia, isso possa ajudar — ainda que como um pequeno
ponto nesse grande bordado — na valorização da cultura regional, auxiliando o
povo a se reconhecer naquela terra, a amá-la um pouco mais, não a abandonando,
mas valorizando ainda mais sua cultura.
2. No seu ponto de vista, como o Blog GuardaChuva Educação pode ajudar os leitores que têm família na região Nordeste do Brasil?
O Blog
GuardaChuva Educação auxilia de forma significativa na proliferação e difusão
de conteúdos e informações sobre personagens ancestrais e contemporâneos que
fazem parte da história da região, seja pelo legado deixado durante sua
existência terrena, seja por seus estudos e descobertas relacionadas a
histórias, imagens, casos e lendas regionais, além da divulgação de todo esse
material.
3. Como começou o seu interesse particular pela genealogia?
Meu
interesse pela genealogia, como ocorre com a maioria das pessoas, surgiu de
forma pessoal: um desejo de conhecer quem eram meus ancestrais, quem eram as
pessoas que educaram aquelas que eu tanto amava, como, por exemplo, meus avós.
Tive a
sorte de ter acesso às anotações de um caderno pertencente à prima em primeiro
grau de minha avó Maria Fausta Ferreira, a prima Anízia Marques. Esse caderno
continha muitos registros de nascimento, batismo, casamento e falecimento de
familiares, além de informações de todo o distrito de onde meus pais são
originários: o distrito de Macaraú, em Santa Quitéria. Em posse desse material,
tudo começou.
4. Conte-nos um pouco mais sobre esses estudos genealógicos.
Debruçada
sobre as anotações desse caderno, fiz grandes descobertas e criei diversas
teses — algumas dignas de grande orgulho, outras nem tanto. Nesse momento,
precisei refletir por um período se era realmente esse o caminho que desejava
seguir. Tomei consciência de que trilhar essa jornada poderia trazer muitas
alegrias, mas também descobertas que talvez não fossem motivo de orgulho,
diante dos princípios e valores que hoje me regem. Optei, então, por pausar as
pesquisas.
Alguns
anos depois, a decisão de retomá-las foi tomada com a clareza de que se tratava
de uma grande necessidade pessoal de conhecer minhas origens. Eu me percebia
como água corrente de um rio, preferencialmente do rio Acaraú, e compreender
minhas origens — a fonte dessas águas — era essencial para que eu pudesse, dali
em diante dar o melhor de mim, entender meu propósito pessoal e comunitário de
vida. Era necessária uma virada de chave naquele momento, e eu tinha a certeza
de que a resposta estava em minhas origens.
Essa
decisão foi tomada durante um período que chamo de o ano do “intensivão com
Deus”. Naquele tempo, eu enfrentava o tratamento de um câncer de mama e, em
meio às sessões de quimioterapia, com a imunidade abalada e dúvidas sobre a
continuidade da existência terrena, muitas perguntas surgiram. Eu precisava
buscar respostas, e esse foi o caminho que escolhi: a genealogia, a minha
ancestralidade.
5. Você trabalha em parceria com outros parentes que se tornaram pesquisadores genealógicos? Quem são, onde moram e qual é o tamanho das suas árvores genealógicas paterna e materna, além do antepassado mais remoto já encontrado?
Quanto a
parentes pesquisadores de genealogia, infelizmente não consegui estimular esse
interesse entre os mais próximos. Contudo, quando estudamos uma região
específica, acabamos descobrindo parentes pesquisadores ao longo dos anos —
graças a Deus!
A
parceria que mantenho com os parentes mais próximos ocorre por meio das
inúmeras e constantes entrevistas em que todo encontro familiar se transforma.
Todos colaboram prontamente, sem exceção, e adoram ver os resultados refletidos
em nossa árvore genealógica.
Estamos
presentes em cidades como Sobral, Ipu, Ipueiras, Santa Quitéria, Cariré,
Varjota, Reriutaba, Hidrolândia, São Benedito e Fortaleza, além do Rio de
Janeiro, tanto no interior quanto na capital, entre outras localidades. Somos
das famílias Ferreira e Almeida, descendentes dos Marques da Costa, Marques de
Sousa, Furtado de Mendonça, Paiva, Dias de Paiva, Marinho Fialho, Ferreira
Chaves, Henrique Ferreira, Fausto da Costa, Ferreira da Cruz, Vasconcelos do
Prado, Almeida, Vidal Rodrigues, Rodrigues do Nascimento, Rodrigues da Silva,
Rodrigues Tavares, Cipriano, Ferreira de Almeida, Rodrigues Salles, Rodrigues
Lopes, dos Prazeres, entre muitos outros — uma enorme gama de sobrenomes
antigos da região.
Minha
árvore genealógica atualmente se aproxima de 4.000 pessoas. O antepassado mais
remoto encontrado na minha árvore materna, nascido no Ceará, é o Tenente-General
João Marques da Costa (1705–1785), natural de Amontada. No lado paterno, ainda
não tenho certeza quanto à nacionalidade de todos, mas destaco Bartholomeu de
Paiva Dias (1756). Ainda há muito a ser pesquisado.
6. Teve algum mistério que conseguiu desvendar por meio da genealogia?
Mistérios,
eu não diria, mas muitas surpresas surgiram, além de diversas teses. Quem sabe,
um dia, essas teses deixem de ser apenas hipóteses e passem a ser confirmadas —
ou refutadas. Seria ótimo.
7. Que conselhos você daria para aqueles que estão começando agora a pesquisar suas famílias?
Calma!
Tudo tem seu tempo.
Você não fará o trabalho todo; você apenas faz parte dele.
Dê o
máximo que puder. Você é uma peça importante não apenas para sua família, mas
também para a história e a cultura da sua região. Esse, no mínimo, será o seu
legado.
A
genealogia é um trabalho que jamais se faz sozinho: todos dependem de todos.
Exercite a comunhão no sentido mais amplo da palavra.
Não se
deixe influenciar negativamente por possíveis descobertas. Lembre-se: tudo
nesta vida passa.
8. E para alguém que já pesquisa há algum tempo, mas parece ter chegado a um beco sem saída?
Haverá
dias em que você se sentirá exaurido — não desanime. Respeite seus limites e
permita-se descansar. Ao retornar, tudo ganhará um novo olhar.
É também
um bom momento para pensar em outras possibilidades de fontes: leia sobre a
história da sua região e dos arredores. Elas podem trazer ótimos insights.
Entrevista feita por Eugênio Pacelly Alves

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