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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Pedro Batista: O poeta da Serra do Teixeira na Paraíba

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(Texto compartilhado no dia 20 de janeiro de 2026 por José Tavares de Araújo Neto)

Pedro Batista se destacou como um poeta popular, autor de prosa histórica, editor e jornalista. Sua educação intelectual esteve intimamente ligada ao sertão e aos ambientes da cultura popular impressa.

Ele era parte da família Nunes da Costa da Serra do Teixeira, que tinha uma tradição poética regional e era politicamente oposta à família Dantas em sua área local.

Pedro era o genro de Leandro Gomes de Barros e irmão de Francisco das Chagas Batista. Após a morte de seu sogro em 1918, ele começou a relançar os folhetos do sogro, focando suas atividades em Guarabira.

Pouco tempo depois, sua esposa, Rachel Aleixo de Barros, faleceu. Em seguida, desentendimentos com sua sogra, Dona Venustiniana, resultaram na interrupção de seu trabalho editorial.

Em 1921, a viúva cedeu os direitos autorais da obra de Leandro a João Martins de Ataíde, excluindo Pedro da gestão direta desse legado.

Francisco das Chagas Batista, o irmão de Pedro, que também nasceu na Vila de Teixeira, destacou-se como poeta e editor de literatura popular.

Ele era conhecido artisticamente como Chagas Batista e casou-se com sua prima Hugolina Nunes da Costa, filha de Ugolino do Sabugi, um dos pioneiros da cantoria nordestina, junto com seu irmão Nicandro do Sabugi. Chagas fundou a Livraria Popular Editora e lançou, em 1929, Cantadores e poetas populares. Faleceu em janeiro de 1930 na capital da Paraíba, no mesmo mês em que seu irmão entrevistou Padre Cícero.

Focando novamente na trajetória de Pedro Batista, em 1929 ele lançou Os Cangaceiros do Nordeste, uma obra que explorava o cangaço e as ligações entre a violência armada e o poder local no sertão.

Neste livro, ele mencionou a atuação de clãs familiares do interior da Paraíba, incluindo a família Duarte Dantas, referida como "Família Terrível", um termo criado por Gustavo Barroso no começo da década anterior.

No ano de 1930, a Paraíba estava entre os estados afetados pela crise política que sinalizava o fim da Primeira República. Durante as eleições presidenciais daquele ano, Pedro Batista se envolveu com a Aliança Liberal, que apoiava Getúlio Vargas, sob a liderança regional de João Pessoa.

Seu papel se destacou principalmente por meio da imprensa e da atuação intelectual. Nesse período, Pedro fez parte da Caravana João da Mata, que visitava cidades do interior nordestino para promover atividades políticas e avaliar a situação eleitoral.

No início de 1930, o jornalista entrevistou Padre Cícero em Juazeiro do Norte, e a conversa foi publicada no Diário da Noite do Rio de Janeiro.

Na entrevista, o sacerdote comentou que o Brasil estava passando por um período de tensão política, que era comum na história dos povos latinos, caracterizado por crises e comunicações institucionais, observando que, no contexto brasileiro, esses conflitos normalmente não resultavam em sangue derramado.

Padre Cícero enfatizou a necessidade de ordem e reconciliação para superar a crise e ressaltou a importância de utilizar os valores nacionais no gerenciamento do país. 

O líder religioso mencionou as atividades desenvolvidas no Nordeste durante o mandato de Epitácio Pessoa e fez comentários sobre a gestão de João Pessoa na Paraíba, ressaltando que observava de longe os eventos políticos na região.

Ocorreu a Revolta de Princesa em fevereiro de 1930, sob a liderança do Coronel José Pereira. Ao longo do embate, Pedro Batista permaneceu engajado com a mídia e a disseminação de informações a respeito dos acontecimentos na parte interna do Estado.

No mês de maio de 1930, ele facilitou a entrevista que o prefeito de sua cidade natal, Sancho Leite, deu ao repórter Victor do Espírito Santo, que foi publicada no Diário da Noite.

Durante a entrevista, o prefeito afirmou que a família Duarte Dantas tinha exercido influência política e bélica na área por muitos anos, sendo considerada responsável pela formação de grupos armados e pela tentativa de organizar o movimento em Teixeira.

Conforme relatou Sancho Leite, integrantes da família buscavam apoio em Princesa para unir o município à insurreição, o que culminou na intervenção da polícia e nos conflitos que ocorreram durante a revolta.

Após o triunfo do movimento revolucionário de 1930, Ubaldino Batista, irmão de Pedro Batista e Chagas Batista, foi nomeado prefeito da cidade de Lajes pelo interventor do Rio Grande do Norte, Irineu Joffily.

A atuação de Pedro Batista em 1930 esteve relacionada à produção de textos, ao jornalismo e à mediação de entrevistas, resultando em registros impressos sobre as eleições presidenciais e a Revolta de Princesa, que tiveram circulação tanto na mídia regional como nacional.



Texto de Patrício Holanda




Referências bibliográficas:

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