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Coronel Antônio da Rocha Pitta I, nascido aproximadamente em 1640 e em 1ª núpcia se casou com a baiana Aldonsa de La Penha Deusdará, ela sendo filha de Simão da Fonseca de Siqueira e Francisca de La Penha Deusdará. Desse matrimônio tiveram 07 filhos. São eles:
1. Francisca Xavier de La Penha Deusdará, se casou com João Homem Freire.
2. Maria Joanna Pitta Deusdará, se casou com Manoel Homem Freire de Figueiredo. Desse matrimônio tiveram 02 filhos.
3. Simão da Fonseca Pitta, se casou com Antônia da Fonseca Villas Boas. Desse matrimônio tiveram 02 filhos.
4. Coronel Luiz da Rocha Pitta Deusdará
5. Luíza da Rocha Pitta, se casou com Antônio Ferreira Braga. Desse matrimônio tiveram 10 filhos.
6. Brites da Rocha Pitta, se casou com o Desembargador João de Sá Sottomayor
7. Francisco da Rocha Pitta
Como a família Rocha Pita construiu um império no Nordeste colonial
Entre os proeminentes proprietários que alargaram as fronteiras da criação de gado no sertão nordestino, sobressai o Coronel Antônio da Rocha Pita. Apesar de não ter tomado parte na etapa inicial da colonização do Piauí, que ocorreu antes do relatório do padre Miguel de Carvalho e da fundação da primeira freguesia da capitania, sua atuação foi crucial para o desenvolvimento econômico da região a partir do início do século XVIII.
Antes de estabelecer-se no Piauí, Antônio da Rocha Pita adquiriu conhecimento e prestígio em diversas capitanias. Ele atuou na Bahia de Todos os Santos, em Sergipe Del Rei e no Rio Grande do Norte, sempre unindo esforços militares à expansão agropecuária. Essa trajetória lhe proporcionou influência política, riqueza econômica e reconhecimento por parte da coroa.
No Piauí, ele se uniu à poderosa Casa da Torre, tornando-se arrendatário de suas posses. No vale do rio Itaim, que na época fazia parte da vila da Mocha, montou cinco grandes propriedades: Maria Preta, Jenipapo, Tábua, Serra e Torta, todas de vasta extensão. Teve o suporte direto de seu filho Francisco da Rocha Pita na criação desses currais. Após seu falecimento, os bens foram transmitidos ao filho Simão da Fonseca Pita e, subsequentemente, ao neto Christóvão da Rocha Pita, residente na Bahia.
Francisco da Rocha Pita, seguindo o legado do pai, também estabeleceu três fazendas no mesmo vale — Canabrava, Canavieira e Tranqueira — que estavam igualmente atreladas à Casa da Torre através do pagamento de renta. Com a morte do fundador, essas propriedades foram herdadas por seu filho Christóvão, reforçando a centralização de bens nas mãos de um único descendente.
Outro neto, João da Rocha Pita, é mencionado como dono de três fazendas na freguesia de Nossa Senhora do Carmo da Piracuruca, adquiridas em leilão público. Embora oficialmente adquiridas, é provável que algumas dessas terras já fossem ocupadas pela família anteriormente. Assim, dois netos do coronel conseguiram controlar onze fazendas no Piauí, demonstrando a notável expansão territorial do clã.
A família não limitou sua presença ao Piauí. No vale do rio Canindé, Lourenço da Rocha Pita atuou como colonizador da fazenda Caraíbas. Após seu falecimento, a propriedade foi vendida, porém, permaneceu vinculada ao pagamento de rendas às instituições religiosas que gerenciavam as capelas da área. Esses registros mostram como os Rocha Pita teceram laços econômicos, religiosos e administrativos para sustentar suas posses.
Antônio da Rocha Pita nasceu na aldeia de Dantas, freguesia de São Pedro de Rubiães, concelho de Paredes de Coura, em Portugal. Vindo de uma família considerada nobre e influente, recebeu uma educação adequada à sua classe social. Em sua juventude, mudou-se para a Bahia, estabelecendo-se na freguesia de São Tiago do Iguape, no Recôncavo, onde começou suas atividades na agricultura de cana-de-açúcar e na criação de gado.
Ele se casou com Aldonsa de La Penha Deusdará, pertencente a uma tradicional família baiana envolvida na produção de açúcar. Essa união matrimonial aumentou seu capital social e econômico, reforçando a rede de relações que sustentaria sua expansão territorial.
Em Sergipe, atuou em funções militares e foi promovido a Capitão de ordenanças por nomeação do Governador-geral Luís Gonçalves da Câmara Coutinho, validação que foi recebida do rei em 1692. A justificativa oficial ressaltava sua experiência e capacidade de liderança, evidências de sua participação anterior em atividades de proteção territorial. Documentos também mostram a presença de outros integrantes da família na capitania, o que sugere uma abordagem coletiva para a ocupação.
No ano de 1700, Antônio da Rocha Pita se dirigiu ao Rio Grande do Norte, acompanhando soldados, vaqueiros e uma grande quantidade de gado. Em um pouco mais de dois anos, ele estabeleceu 28 propriedades nos vales do Açu, Apodi e Panema. Essa rápida expansão, realizada com suporte militar, gerou conflitos com colonos que ocupavam as terras sem possuírem títulos formais. Houve embates, mortes e ações judiciais trazidas por proprietários locais, como o coronel Leonardo Bezerra Cavalcanti.
Diante do conflito, a Câmara de Natal buscou auxílio da Coroa. O Desembargador Cristóvão Soares Reimão foi enviado para mensurar e demarcar as terras, reconhecendo apenas uma parte das propriedades de Antônio da Rocha Pita. O Conselho Ultramarino estabeleceu limites padrão para as sesmarias e declarou as áreas excedentes como devolutas. Apesar disso, o coronel apelou à Casa de Suplicação, prolongando a disputa e mantendo a posse das fazendas até seu falecimento.
Depois, seus herdeiros pediram novas concessões, recebendo confirmação de algumas datas de terras. Em 1729, o Capitão-mor Domingos de Moraes Navarro informou ao rei que o coronel havia dominado grande parte do sertão potiguar por quase trinta anos, sustentando-se na força econômica e na influência política.
Antônio da Rocha Pita teve quatro filhos que sobreviveram, todos envolvidos na administração de terras e engenhos. Francisco da Rocha Pita operou engenhos na Bahia e expandiu seu patrimônio no Piauí através de seus filhos, entre eles Christóvão e João. Simão da Fonseca Pitta tornou-se arrematante de dízimos e proprietário de fazendas, enquanto Maria Joana Rocha Pita Deusdará formou laços familiares, por meio de casamento, com outra família de proprietários que tinha sesmarias no Rio Grande do Norte.
A trajetória da família revela uma estratégia bem definida: alianças matrimoniais, serviço militar, laços com grandes instituições fundiárias e exploração das brechas administrativas do sistema de sesmarias. Mesmo enfrentando litígios e contestações, os Rocha Pita conseguiram consolidar um vasto patrimônio territorial e uma forte influência política.
Assim, embora não tenham sido os pioneiros absolutos na ocupação do Piauí, desempenharam um papel crucial na expansão da pecuária e na formação de currais no sertão nordestino. Ao longo de três gerações, converteram oportunidades coloniais em um verdadeiro império rural, tornando-se uma das famílias mais ricas e influentes do Nordeste colonial.
Texto adaptado por Eugênio Pacelly Alves
Referências bibliográficas:
Aldonsa de La Penha Deusdará. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/L6ZH-1MR)<. Acesso em 09 de março de 2025.
Coronel Antônio da Rocha Pitta I. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/L6ZH-1SR)<. Acesso em 09 de março de 2025.
Coronel Antônio da Rocha Pita. Disponível em: >(https://www.portalentretextos.com.br/post/coronel-antonio-da-rocha-pita)<. Acesso em 09 de março de 2025.
Rocha Pita e as informações de Nestor dos Santos Lima. Disponível em: >(https://assunapontadalingua.blogspot.com/2014/04/ipanguacu.html)<. Acesso em 09 de março de 2025.


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