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sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Barões, engenhos e sobrados: As famílias que fizeram a história de Mamanguape/PB

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A trajetória histórica de Mamanguape revela um ciclo de prosperidade, declínio e recuperação que marcou profundamente a formação econômica e cultural do litoral norte paraibano. Ainda no período colonial tardio, a localidade já demonstrava sinais de organização urbana e dinamismo mercantil, favorecidos por sua posição geográfica estratégica e por terras férteis que impulsionavam a produção agrícola. A concessão do título de vila intensificou sua autonomia política e ampliou as redes comerciais, sobretudo com Recife, estabelecendo um eixo econômico que também incluía Areia, importante polo distribuidor do Agreste e Brejo paraibanos (VALE NOTÍCIA, s.d.).

Esse corredor comercial consolidou uma circulação intensa de produtos, ideias e influências culturais. Relatos históricos indicam que Mamanguape apresentava arquitetura marcada por sobrados com azulejos portugueses, comércio ativo e uma elite agrária influente. A vida urbana também refletia traços cosmopolitas, evidenciados pela presença de atividades culturais como teatro e eventos sociais inspirados em modelos europeus, demonstrando o grau de sofisticação alcançado pela sociedade local (PALMARINA ESTRADA, s.d.).

A visita do imperador ao município simbolizou o prestígio atingido pela cidade naquele momento. A recepção solene, as visitas institucionais e o interesse demonstrado pelas condições educacionais e administrativas indicam o reconhecimento do papel estratégico de Mamanguape no cenário provincial. Como desdobramento desse contexto, o médico Flávio Clementino da Silva Freire recebeu o título de Barão de Mamanguape, reforçando a relevância política da elite local (GENEALOGIA FREIRE, s.d.; FAMILYSEARCH, s.d.).

Entretanto, a prosperidade estava fortemente vinculada à economia açucareira e ao trabalho escravizado. Com a transformação do sistema produtivo após a abolição, o município enfrentou uma retração significativa. Paralelamente, mudanças ambientais e estruturais agravaram o cenário: o assoreamento progressivo do rio comprometeu a navegabilidade e inviabilizou o funcionamento do antigo porto, elemento essencial para o comércio regional. A perda da centralidade portuária somou-se à concorrência internacional do açúcar e à reorganização das rotas econômicas, que passaram a privilegiar cidades atendidas diretamente pela ferrovia, reduzindo a importância comercial de Mamanguape (PALMARINA ESTRADA, s.d.).

Apesar do período de instabilidade, a cidade iniciou um processo gradual de recuperação econômica. A instalação de empreendimentos industriais e agroindustriais no entorno regional estimulou novas oportunidades de emprego e renda, contribuindo para a reconfiguração do perfil produtivo local. Entre essas iniciativas, destacam-se a implantação de fábricas e usinas ligadas à cadeia têxtil e suco energética, que revitalizaram a economia e ampliaram a infraestrutura urbana (USINA MONTE ALEGRE, s.d.).

Ao longo do século XX, investimentos em serviços públicos e integração rodoviária reforçaram a retomada do crescimento. A ampliação do sistema financeiro, a modernização de serviços essenciais e a conexão com importantes centros urbanos consolidaram uma nova etapa de desenvolvimento. Ainda que distante do esplendor econômico do passado, Mamanguape preserva marcas de sua relevância histórica e cultural, evidentes tanto em sua memória urbana quanto na projeção de figuras ilustres associadas à sua trajetória.

Em síntese, a história do município demonstra como fatores econômicos, ambientais e políticos atuaram de forma combinada na redefinição de seu papel regional. O percurso que vai da prosperidade açucareira ao esforço de reconstrução econômica revela não apenas a resiliência local, mas também a capacidade de adaptação diante das transformações estruturais que moldaram o Nordeste brasileiro (VALE NOTÍCIA, s.d.).


Ancestralidade do Barão de Mamanguape

Pais: Alferes João Luiz Freire e Maria Magdalena da Silva

Avós paternos: Antônio Rogério Freire e M. Congolesa

Avós maternos: João da Silva Ferreira Junior e Ignácia da Silva Ferreira

 


Texto adaptado por Eugênio Pacelly Alves

 


Referências bibliográficas:

Barão de Mamanguape. Disponível em: >(Barão de Mamanguape (Genealogia Freire))<. Acesso em 25 de janeiro de 2025.

Flávio Clementino da Silva Freire. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/KCSF-MBP)<. Acesso em 25 de janeiro de 2025.

Mamanguape (PB), cidade histórica, de filhos ilustres, completa 166 anos. Disponível em: >(Mamanguape (PB), cidade histórica, de filhos ilustres, completa 166 Anos (Vale Notícia))<. Acesso em 25 de janeiro de 2025.

Mamanguape: Das glórias do passado à luta pelo renascimento. Disponível em: >(https://palmarinaestrada.com.br/mamanguape-das-glorias-do-passado-a-luta-pelo-renascimento/)<. Acesso em 25 de janeiro de 2025.

Usina Monte Alegre. Disponível em: >(https://www.acucaralegre.com.br/institucional/)<. Acesso em 26 de janeiro de 2025.

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