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terça-feira, 25 de agosto de 2026

Alagoas Colonial e Imperial: Sociedade, administração, famílias e poder na formação histórica alagoana

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Oferecimento da Editora GuardaChuva

Pesquisar a história de Alagoas exige ultrapassar a divisão simples entre período colonial e imperial. O território que posteriormente seria reconhecido como Alagoas esteve ligado à Capitania de Pernambuco, desenvolvendo núcleos de povoamento, atividades econômicas, relações familiares e mecanismos próprios de administração. Caetano (2013) mostra que a compreensão dessa formação passa pelas experiências de Porto Calvo, Penedo e Alagoas do Sul, cujas trajetórias contribuíram para produzir diferenças locais dentro do espaço pernambucano.

Para a genealogia, essa questão possui consequência direta: sobrenomes, casamentos, heranças, ocupação de terras, cargos públicos e relações de compadrio podem revelar como grupos familiares participaram da construção da sociedade alagoana.

A administração colonial alagoana não surgiu como estrutura isolada. Caetano (2013) registra que, para reorganizar o chamado “Sul de Pernambuco”, “a Coroa portuguesa resolveu criar a Comarca de Alagoas”. A medida estabeleceu uma referência administrativa envolvendo Porto Calvo, Penedo e Alagoas do Sul, aproximando espaços que possuíam atividades econômicas e dinâmicas sociais distintas.


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As câmaras municipais também ocupavam lugar decisivo nessa engrenagem. Eram espaços de participação dos chamados “homens bons”, ligados às elites locais, e tratavam de interesses concretos das vilas (2001, apud CAETANO, 2013), as câmaras ultramarinas integravam mecanismos de governo do Império português, funcionando como pontos de negociação entre interesses locais e autoridade régia. A documentação sobre Alagoas confirma que privilégios, serviços prestados, terras e recursos eram utilizados como argumentos nas solicitações encaminhadas à Coroa.

O estudo de Curvelo (2013) sobre a Câmara de Alagoas do Sul reforça essa dimensão. A pesquisa acompanha o cotidiano administrativo de uma vila situada em área predominantemente rural e demonstra que a administração não pode ser compreendida somente pelos grandes centros coloniais. Requerimentos, decisões camarárias e práticas locais permitem observar como o poder era exercido no cotidiano.

A sociedade alagoana também foi marcada por profundas desigualdades. Grandes proprietários, autoridades, comerciantes, religiosos, trabalhadores livres, indígenas, africanos e seus descendentes ocupavam posições diferentes na estrutura social. A chamada nobreza alagoana, por sua vez, esteve relacionada à concentração econômica e fundiária. 

A genealogia permite enxergar essa estrutura por meio das famílias. Casamentos entre determinados grupos, transmissão de propriedades, padrinhos de batismo, inventários e registros de cargos podem revelar alianças que não aparecem em narrativas políticas tradicionais. A trajetória de famílias ligadas a Penedo, por exemplo, demonstra como os deslocamentos entre Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Ceará produziram redes familiares que atravessaram diferentes gerações.

Outro aspecto indispensável é a história das famílias de pessoas escravizadas. A dissertação de Marilia Lima de Araújo, dedicada a Água Branca e ao Alto Sertão alagoano, acompanha relações familiares, casamentos, batismos, compadrios e estratégias de sobrevivência. A pesquisa registra uma sequência familiar que alcança várias gerações e conclui, em determinado episódio, que “a família consanguínea foi ampliada e fortalecida”.

Esse tipo de documentação modifica a maneira de fazer genealogia de Alagoas. O pesquisador não deve procurar somente famílias proprietárias ou indivíduos que ocuparam cargos. Registros paroquiais, ações judiciais, inventários, escrituras, documentos de liberdade e listas populacionais podem recuperar nomes de pessoas que aparecem pouco nas narrativas tradicionais. Araújo (2018) demonstra justamente a importância da combinação de diferentes séries documentais para reconstruir parentescos e experiências familiares.

A pesquisa deve combinar bibliografia histórica, documentos administrativos e fontes genealógicas. O primeiro procedimento consiste em identificar o território e sua vinculação administrativa em cada período. Depois, devem ser cruzados registros paroquiais, batismos, casamentos, óbitos, inventários, escrituras, processos judiciais e documentos de terras.

Na avaliação deste colunista, estudar Alagoas colonial e imperial pela perspectiva genealógica significa devolver pessoas às estruturas históricas. Uma comarca não era formada apenas por decretos; uma vila não existia somente nos mapas; uma família não era apenas um sobrenome. Havia indivíduos negociando terras, buscando privilégios, estabelecendo casamentos, criando filhos, mantendo compadrios e enfrentando conflitos.

A documentação também recomenda cautela com genealogias construídas exclusivamente a partir de árvores familiares disponíveis na internet. O parentesco precisa ser demonstrado por fontes independentes e, quando possível, confirmado por documentos de épocas diferentes.

Por isso, a história de Alagoas ganha outra dimensão quando administração, sociedade e genealogia são pesquisadas conjuntamente. A criação de estruturas administrativas, a atuação das câmaras, a influência das elites, as experiências camponesas e os vínculos familiares de pessoas escravizadas pertencem à mesma história. Para quem pesquisa suas origens, compreender essas relações pode ser mais esclarecedor do que simplesmente procurar um sobrenome famoso.


Notas de pesquisa:

CAETANO. Estudo fundamental para compreender a formação da identidade alagoana, a relação com Pernambuco, a criação da comarca e a atuação das elites locais. Discute os limites do conceito de Alagoas colonial e sua vinculação histórica à Capitania de Pernambuco.

FAPEAL. Reúne estudos e registros relacionados às comemorações e às interpretações sobre a formação histórica alagoana.

BARROS. Dicionário biobibliográfico, histórico e geográfico útil para localizar pessoas, localidades e referências da história alagoana.

CURVELO. Examina o funcionamento da Câmara de Alagoas do Sul e suas práticas administrativas.

ARAÚJO. Reconstrói famílias, casamentos, batismos e redes de parentesco no Alto Sertão alagoano.

CLAUDIANO; OLIVEIRA. Reúne estudos sobre história social da América portuguesa e do Brasil imperial, oferecendo referências comparativas para compreender estruturas sociais e relações de poder.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Natália Cardoso



Referências bibliográficas:

200 anos de emancipação de Alagoas - Anais. Disponível em: >(200 anos de emancipação de Alagoas - Anais)<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

ALAGOAS COLONIAL: IDENTIDADE, SOCIEDADE E PARTICULARIDADES. Disponível em: >(ALAGOAS COLONIAL " : IDENTIDADE, SOCIEDADE E PARTICULARIDADES)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

ARAÚJO, Marília Lima de. Família e relações de parentescos escravizados: Água Branca / Alto Sertão da província de Alagoas (1850-1888). 2018. 198 f. Dissertação (Mestrado em História), Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2018. Disponível em: >(Família e relações de parentescos escravizados: Água Branca / Alto Sertão da província de Alagoas (1850-1888))<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

BARROS, Francisco Reinaldo Amorim de. ABC das Alagoas : dicionário biobibliográfico, histórico e geográfico das Alagoas. 2005. 592 f. Brasília: 2v (Edições do Senado Federal ; v. 62-A). Disponível em: >(https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/1104/739030_vI.pdf)<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

CAETANO, Antônio Filipe Pereira. Justiça, Administração e Conflitos na Comarca das Alagoas (1712-1817). 2013. 18 f. XIV Jornadas Interescuelas/Departamentos de História, Universidad Nacional de Cuyo. Disponível em: >(Justiça, Administração e Conflitos na Comarca das Alagoas (1712-1817))<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

CURVELO. Arthur Almeida Santos de Carvalho. GOVERNANÇA E COTIDIANO ADMINISTRATIVO NA AMÉRICA PORTUGUESA: O CASO DE ALAGOAS DO SUL (1668-1680). 2013. 16 f. Artigo científico (XXVII Simpósio Nacional de História), ANPUH, Natal, 2013. Disponível em: >(GOVERNANÇA E COTIDIANO ADMINISTRATIVO NA AMÉRICA PORTUGUESA: O CASO DE ALAGOAS DO SUL (1668-1680))<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

CLAUDIANO, Leonardo S; OLIVEIRA, Francisco Isaac D. Da Colônia ao Império : história social da América portuguesa ao Império do Brasil — Séc. XVI ao XIX. Parnamirim, RN: Editora Biblioteca Ocidente, 2023. Disponível em: >(Da Colônia ao Império : história social da América portuguesa ao Império do Brasil — Séc. XVI ao XIX)<. Acesso em 24  de janeiro de 2026.

Existe uma Alagoas Colonial?” Notas preliminares sobre os conceitos de uma conquista ultramarina. Disponível em: >(Existe uma Alagoas Colonial?” Notas preliminares sobre os conceitos de uma conquista ultramarina)<. Acesso em 22 de fevereiro de 2026.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

História de Penedo Alagoas: Famílias antigas, Rio São Francisco, genealogia e patrimônio histórico colonial


APOIO CULTURAL

Este conteúdo conta com o apoio cultural da Que Delícia Cestas de Café

Este conteúdo faz parte do projeto de valorização da história, genealogia e memória nordestina, com apoio da Que Delícia Cestas de Café.

Abaixo está uma versão autoral, reorganizada e com enfoque histórico-genealógico, mantendo a sequência solicitada. Fiz a checagem das páginas indicadas e, quando a página não informa claramente o ano de publicação, sinalizo como s.d. (sem data) em vez de atribuir um ano sem comprovação. Também evitei reproduzir longos trechos das fontes: a citação direta utilizada é curta, conforme a prática acadêmica.

Penedo, às margens do Rio São Francisco, reúne uma das histórias mais interessantes para quem pesquisa história de Penedo Alagoas, genealogia nordestina, famílias antigas de Alagoas e ocupação colonial do Nordeste. A cidade nasceu em um espaço estratégico para circulação, comércio, defesa territorial e comunicação entre o litoral e o interior.

Sua trajetória, porém, não apresenta uma única versão sobre a origem do núcleo povoado. O próprio Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) registra diferentes interpretações sobre sua formação, relacionando-a às incursões de Duarte Coelho Pereira e, posteriormente, às ações de Duarte Coelho de Albuquerque.


Catalogação editorial

N°. 02 | História de Penedo Alagoas: Famílias antigas, Rio São Francisco, genealogia e patrimônio histórico colonial | 22 de setembro de 2026 | História


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Essa diversidade de versões não diminui a importância de Penedo. Ao contrário, mostra por que a pesquisa genealógica em Penedo precisa ser conduzida com cautela, confrontando tradição familiar, documentação, historiografia e registros de terras.

A investigação foi organizada pelo confronto entre fontes institucionais, registros históricos, textos de divulgação histórica e material genealógico. Foram consultados conteúdos da Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas, IPHAN, História de Alagoas, Destino Penedo, Correio Braziliense, GuardaChuva Educação e o texto publicado no portal Patativa do Assaré.

O procedimento privilegiou três pontos: formação do povoado, transformações políticas e econômicas e relação entre território, famílias e patrimônio.

A comparação é necessária porque existem divergências sobre a origem de Penedo. O IPHAN, por exemplo, apresenta versões diferentes e registra que a primeira sesmaria conhecida na região remonta ao final do século XVI, enquanto a consolidação do povoado aparece associada a Cristóvão da Rocha. 

A história de Penedo começa muito antes da atual configuração urbana. O Rio São Francisco foi fundamental para a ocupação do território. A pesquisa de Edberto Ticianeli destaca a presença indígena anterior à colonização e apresenta o Opará como referência para compreender a relação dos povos originários com o rio. Ticianeli (2016) registra que os Caetés observavam a chegada das embarcações portuguesas à foz do rio. 

O espaço passou a adquirir importância estratégica para os colonizadores. Segundo o IPHAN (2026), existem diferentes versões para a origem do núcleo urbano, mas a documentação relacionada às sesmarias e à ocupação territorial permite acompanhar a transformação progressiva daquele espaço em povoado e posteriormente em vila.

É justamente nesse ponto que genealogia e história colonial de Alagoas se encontram. A concessão de terras não significava apenas exploração econômica: ela também podia favorecer a fixação de famílias, casamentos, alianças, transmissão patrimonial e formação de grupos locais.

O estudo publicado pelo GuardaChuva Educação (2024) relaciona Penedo à trajetória dos Feitosa e chama atenção para a necessidade de separar documentação comprovada de informações genealógicas ainda não confirmadas. A própria publicação corrigiu posteriormente uma identificação familiar que não possuía documentação suficiente para sustentá-la. 

Um documento de sesmaria transcrito no referido estudo menciona João Álvares Feitosa entre os beneficiários de uma concessão territorial. A passagem é particularmente importante para pesquisadores de famílias Feitosa no Nordeste, pois aproxima genealogia, propriedade e expansão territorial. O documento menciona: “Sesmaria de 40 léguas em quadra no Rio de São Francisco” (GUARDACHUVA EDUCAÇÃO, 2024). 

A ocupação holandesa acrescenta outra camada à história local. O IPHAN (2026) informa que Penedo foi tomada pelas tropas de Maurício de Nassau e permaneceu sob domínio holandês durante determinado período, sendo posteriormente retomada pelos portugueses.

Aqui cabe uma citação da citação: ao tratar das versões históricas sobre a origem de Penedo, o texto publicado pelo GuardaChuva Educação recorre a interpretações historiográficas anteriores para contextualizar a ocupação colonial e a presença das famílias no território (CHANDLER, 1980, apud GUARDA CHUVA EDUCAÇÃO, 2024). Essa forma de utilização deve ser preservada quando o pesquisador não consultou diretamente a obra original.

O patrimônio arquitetônico atual é outro testemunho dessa trajetória. O IPHAN informa que o conjunto histórico e paisagístico de Penedo foi tombado e reúne igrejas, conventos, espaços públicos e edificações civis de diferentes períodos. Entre os destaques estão o Convento e Igreja Santa Maria dos Anjos, a Igreja de São Gonçalo Garcia e a Igreja de Nossa Senhora da Corrente. 

A pesquisa também permite perceber que Penedo não pode ser compreendida apenas como destino turístico. Seu casario, suas igrejas e suas ruas funcionam como vestígios materiais de relações econômicas, religiosas e sociais construídas ao longo de gerações. O Correio Braziliense (2025) chama atenção justamente para a preservação do conjunto arquitetônico colonial e para sua importância como patrimônio cultural nordestino. 

Pesquisar Penedo significa investigar uma história formada pela convergência entre Rio São Francisco, colonização portuguesa, presença indígena, disputas europeias, sesmarias, religiosidade, comércio, famílias e patrimônio.

Para a genealogia, o principal ensinamento é metodológico: um sobrenome encontrado em uma árvore familiar não deve ser automaticamente transformado em fato histórico. É necessário localizar batismos, casamentos, óbitos, inventários, sesmarias, registros paroquiais, documentos judiciais e outras evidências que permitam estabelecer vínculos.

Penedo permanece, assim, como um campo especialmente fértil para quem deseja compreender ancestralidade alagoana, famílias coloniais brasileiras e os caminhos percorridos pelas famílias entre Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Ceará.

Penedo merece ser pesquisada para além da fotografia bonita do casario colonial.

Quando uma família afirma ter origem em determinado personagem, a pergunta mais importante não deveria ser apenas “qual é o sobrenome?”, mas “qual documento permite estabelecer essa ligação?”. Essa mudança de postura transforma a genealogia em investigação histórica.

Também é preciso aceitar que algumas perguntas permanecerão abertas. A existência de versões divergentes sobre a origem de Penedo não representa fracasso da historiografia. É justamente a demonstração de que a história é construída mediante documentos disponíveis, novas descobertas e revisão crítica.

Para o genealogista, essa atitude é indispensável. Uma hipótese familiar pode ser valiosa como ponto de partida, mas não pode ocupar o mesmo lugar de um registro primário.


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Notas de pesquisa

SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA DE ALAGOAS. Fonte institucional utilizada para contextualizar a história municipal de Penedo. A página indicada não apresentou, na consulta realizada, um ano de publicação claramente identificável.

GUARDACHUVA EDUCAÇÃO. Relaciona a formação histórica de Penedo à trajetória dos Feitosa e discute ocupação territorial, sesmarias e genealogia, incluindo advertências sobre informações que posteriormente precisaram ser revistas.

PATATIVA DO ASSARÉ. Apresenta narrativa histórica extensa sobre Penedo, abordando versões acerca de sua origem, presença indígena, ocupação portuguesa, domínio holandês, religiosidade e desenvolvimento urbano. 

IPHAN. Fonte institucional para a compreensão da formação histórica e do patrimônio arquitetônico de Penedo, incluindo o tombamento e os principais monumentos protegidos. CORREIO BRAZILIENSE. Texto de divulgação cultural que destaca o conjunto arquitetônico, o turismo histórico e as manifestações culturais de Penedo. 

DESTINO PENEDO. Material turístico sobre a formação histórica, arquitetura, religiosidade e características culturais da cidade. 

TICIANELI. Apresenta aspectos da formação histórica de Penedo e sua relação com o Rio São Francisco e os povos indígenas.


Fontes primárias

  • Sesmarias e concessões de terras mencionadas nas pesquisas.

  • Registros paroquiais, batismos, casamentos e óbitos.

  • Inventários e documentos judiciais.

  • Documentação administrativa e cartorial.

  • Registros genealógicos originais encontrados no FamilySearch, quando acompanhados da imagem ou referência ao documento original.


Fontes secundárias

  • IPHAN;

  • Secretaria de Estado da Cultura de Alagoas;

  • História de Alagoas;

  • Estudos historiográficos utilizados para interpretar a formação de Penedo;

  • CHANDLER;

  • GuardaChuva Educação.


Fontes terciárias

  • Correio Braziliense;

  • Destino Penedo;

  • Textos de divulgação histórica sem apresentação integral da documentação utilizada;

  • Compilações genealógicas sem imagem do documento original.


Hipóteses ou suposições

  • Informações provenientes de árvores do FamilySearch sem documento primário anexado;

  • Supostos vínculos de parentesco ainda não comprovados;

  • Identificação de personagens apenas pela coincidência de nomes;

  • Datas de nascimento, casamento ou residência inferidas a partir de árvores genealógicas;

  • Associação de determinada família a Penedo exclusivamente pela tradição familiar.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.


 

Texto de Patrício Holanda

 


 

Referências bibliográficas:

A cidade Nordestina de hoje, é a cidade de Penedo, Alagoas. Alguém conhece?. Disponível em: >(A cidade Nordestina de hoje, é a cidade de Penedo, Alagoas. Alguém conhece?)<. Acesso em 19 de maio de 2026.

A cidade histórica nordestina que é um verdadeiro tesouro cultural. Disponível em: >(A cidade histórica nordestina que é um verdadeiro tesouro cultural)<. Acesso em 04 de fevereiro de 2026.

Histórico do município de Penedo. Disponível em: >(Histórico do município de Penedo)<. Acesso em 04 de fevereiro de 2026.

Penedo (AL). Disponível em: >(Penedo (AL))<. Acesso em 19 de maio de 2026.

Penedo do Rio São Francisco. Disponível em: >(Penedo do Rio São Francisco)<. Acesso em 04 de fevereiro de 2026.

Raízes históricas: Penedo, Alagoas e a trajetória da família Feitosa ao longo dos séculos. Disponível em: >(Raízes históricas: Penedo, Alagoas e a trajetória da família Feitosa ao longo dos séculos)<. Acesso em 19 de maio de 2026.

Sobre Penedo. Disponível em: >(Sobre Penedo)<. Acesso em 19 de maio de 2026.

 

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Descendentes da família Alves Feitosa de 1620 a 1700

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A trajetória da família Alves Feitosa ocupa espaço relevante nos estudos genealógicos do Nordeste brasileiro, sobretudo pela ligação com antigas ocupações territoriais em áreas de Alagoas, Ceará e Pernambuco. A documentação histórica revela que o sobrenome Feitosa passou a integrar o nome de descendentes ligados ao tronco familiar de João Alves Feitosa, personagem associado às primeiras formações familiares do sertão colonial (FAMÍLIA FEITOSA: ORIGEM, 2012). A pesquisa genealógica permite compreender não apenas vínculos de parentesco, mas também deslocamentos populacionais e estratégias de ocupação territorial ao longo da colonização portuguesa.

De acordo com registros disponíveis em plataformas genealógicas, João Alves Feitosa estabeleceu união matrimonial com Ana Gomes Vieira, formando um núcleo familiar que posteriormente se espalhou por diferentes capitanias nordestinas (CAPITÃO JOÃO ALVES FEITOSA, 2019; ANA GOMES VIEIRA, 2019). Como observou Burke (apud FAMÍLIA FEITOSA: ORIGEM, 2012), “a memória familiar constitui uma das formas mais antigas de preservação histórica”, aspecto visível na permanência documental dessa linhagem.

Muitos estudos genealógicos envolvem a família Alves Feitosa, desse ramo familiar se deu origem supostamente no estado de Alagoas, localizado na região Nordeste do Brasil, que com o passar das gerações os descendentes foram migrando para o estado do Pernambuco, Bahia, Paraíba, Ceará, Piauí e posteriormente por quase todos os estados do Brasil. João Alves Feitosa, nascido aproximadamente em 1637 em Portugal e se casou com Ana Gomes Vieira, ela sendo filha do português Manuel Martins Chaves e Maria da Cruz Portocarreiro. Desse matrimônio tiveram 02 filhos. São eles:

1. Coronel Francisco Alves Feitosa, nascido aproximadamente em 1682 em Penedo/AL e em 1ª núpcia se casou com Catharina Cardoso da Rocha Resende Macrina, ela sendo filha do Sargento-mor Manuel Rodrigues Vieira e Paula Martins Chaves. Desse matrimônio tiveram 05 filhos. São eles:

1.1. Alferes Francisco Alves Feitosa, nascido aproximadamente em 1703.

1.2. Capitão-mor Pedro Alves Feitosa, nascido aproximadamente em 1705 em Cococi/CE e se casou com Ana Cavalcante de Nazaré Bezerra, ela sendo filha do Capitão Manoel de Araújo Bezerra e Anna de Nazareth Cavalcanti. Desse matrimônio tiveram 06 filhos. 

1.3. Coronel Manoel Ferreira Ferro, nascido aproximadamente em 1706 e se casou com Bernardina Cavalcanti de Nazaré Bezerra, ela sendo filha do Capitão Manoel de Araújo Bezerra e Anna de Nazareth Cavalcanti. Desse matrimônio tiveram 04 filhos. 

1.4. Josefa Alves Feitosa, nascida aproximadamente em 1717 em Cococi/CE e se casou com Sargento-mor Francisco Ferreira Pedrosa, ele sendo filho do Capitão Cosme Ferreira da Silva e Albuquerque e Isabel Maria de Melo. Desse matrimônio tiveram 03 filhos. 

1.5. Anna Gonçalves Vieira, nascida aproximadamente em 1720 em Tauá/CE e se casou com Sargento-mor João Bezerra do Valle, ele sendo filho do Alferes Antônio Bezerra do Vale e Maria Alves de Medeiros. Desse matrimônio tiveram 05 filhos. 


2. Comissário Lourenço Alves Feitosa, se casou com Antônia de Oliveira Leite, ela sendo filha de Domingos Vaz Gondim. Desse matrimônio tiveram 01 filho. É ele:

2.1. Lourenço Alves Feitosa de Penedo e Rocha, nascido aproximadamente em 1709 em Penedo/AL.


O estudo foi elaborado mediante análise comparativa entre registros digitais, árvores familiares e conteúdos históricos relacionados à família Feitosa. Foram utilizados dados disponibilizados pelo FamilySearch, além de estudos regionais sobre Penedo e antigas famílias sertanejas (ANA GOMES VIEIRA, 2019; CAPITÃO JOÃO ALVES FEITOSA, 2019).

Também foram observadas referências historiográficas sobre a ocupação colonial nordestina, sobretudo aquelas ligadas à expansão agropecuária no sertão. A metodologia adotou cruzamento de nomes, casamentos, descendência e distribuição geográfica, buscando reduzir inconsistências documentais. Segundo o estudo “Raízes históricas: Penedo, Alagoas e a trajetória da família Feitosa” (2024), muitos descendentes preservaram laços familiares mesmo após sucessivas migrações internas.

Os registros apontam João Alves Feitosa como um dos nomes centrais da genealogia desse grupo familiar. Casado com Ana Gomes Vieira, teve descendentes ligados a cargos militares e administrativos, algo comum entre famílias de maior influência no período colonial (CAPITÃO JOÃO ALVES FEITOSA, 2019).

Entre os descendentes mais citados está o Coronel Francisco Alves Feitosa, associado à região de Cococi, no Ceará. Seus filhos consolidaram alianças familiares por meio de matrimônios com linhagens tradicionais do sertão nordestino, fortalecendo relações políticas e econômicas. Conforme os documentos genealógicos, nomes como Pedro Alves Feitosa e Josefa Alves Feitosa aparecem ligados a famílias Cavalcanti, Bezerra e Pedrosa, demonstrando integração entre grupos influentes da época (ANA GOMES VIEIRA, 2019).

Outro personagem relevante é Lourenço Alves Feitosa, identificado em registros ligados a Penedo, região historicamente importante para o desenvolvimento econômico do Baixo São Francisco. O texto “Raízes históricas: Penedo, Alagoas e a trajetória da família Feitosa” (2024) ressalta que a cidade funcionou como eixo de circulação comercial e expansão familiar durante o período colonial.

A pesquisa também mostra que os Alves Feitosa acompanharam movimentos migratórios internos do Nordeste, alcançando posteriormente estados como Piauí, Bahia e Paraíba. Tal dispersão familiar ocorreu principalmente em razão da expansão da pecuária e da ocupação de áreas sertanejas (FAMÍLIA FEITOSA: ORIGEM, 2012).

Em citação direta, o estudo sobre a origem da família Feitosa afirma que “os Feitosa integraram parte das famílias pioneiras do sertão nordestino” (FAMÍLIA FEITOSA: ORIGEM, 2012). Essa observação reforça a importância histórica da linhagem na construção social da região.

O levantamento genealógico da família Alves Feitosa evidencia uma linhagem marcada pela mobilidade regional e pela formação de alianças familiares estratégicas no Nordeste colonial. Os registros analisados indicam continuidade histórica do sobrenome em diferentes estados brasileiros, preservando vínculos culturais e familiares ao longo das gerações.

Além da relevância documental, o estudo demonstra como pesquisas genealógicas ajudam a compreender processos migratórios, relações sociais e estruturas familiares antigas. A preservação dessas informações permite que descendentes reconstruam parte de sua identidade histórica e fortaleçam a memória coletiva familiar.

Investigar a genealogia da família Alves Feitosa não significa apenas reunir nomes antigos em árvores familiares. O verdadeiro valor dessa pesquisa está na possibilidade de compreender como famílias nordestinas participaram da ocupação territorial e da construção histórica do sertão brasileiro. Muitos documentos ainda permanecem dispersos em cartórios, arquivos paroquiais e plataformas digitais, exigindo dedicação contínua dos pesquisadores.

Outro aspecto importante é perceber que sobrenomes tradicionais carregam histórias de adaptação social e sobrevivência cultural. A permanência do sobrenome Feitosa em várias regiões brasileiras demonstra a força dos laços familiares transmitidos entre gerações. Pesquisas desse tipo também ajudam descendentes a recuperar referências históricas frequentemente esquecidas pela ausência de preservação documental.

Por isso, ampliar estudos genealógicos sobre famílias sertanejas representa uma contribuição importante para a memória histórica do Nordeste e para futuras gerações interessadas em compreender suas origens.


Notas de pesquisa

FamilySearch. Reúne dados sobre parentesco, descendência e conexões familiares do tronco principal da linhagem. Já “Ana Gomes Vieira” (2024) complementa informações matrimoniais e vínculos familiares associados ao grupo.

Estórias&Histórias. Oferece contextualização histórica sobre a presença dos Feitosa no Nordeste colonial, destacando sua atuação na ocupação sertaneja. Por sua vez, “Raízes históricas: Penedo, Alagoas e a trajetória da família Feitosa” (2024) aborda a importância de Penedo como núcleo de expansão familiar e econômica, relacionando a cidade ao desenvolvimento histórico da linhagem Feitosa no Brasil.


Aviso importante

Os dados da árvore genealógica apresentados neste artigo foram extraídos do FamilySearch na data da publicação. Por isso, eventuais alterações feitas depois nos perfis das pessoas citadas na plataforma não aparecerão automaticamente aqui. Este conteúdo registra o estado da pesquisa naquele momento e serve como referência da versão consultada pelos leitores.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

Ana Gomes Vieira. Disponível em: >(Ana Gomes Vieira (1665–Falecida) • Pessoa • Árvore familiar)<. Acesso em 12 de julho de 2024.

Capitão João Alves Feitosa. Disponível em: >(Capitão João Alves Feitosa (1637–Falecido) • Pessoa • Árvore familiar)<. Acesso em 04 de julho de 2024.

Família Feitosa: origem. Disponível em: >(Estórias&História: FAMÍLIA FEITOSA: ORIGEM)<. Acesso em 26 de novembro de 2018.

Raízes históricas: Penedo, Alagoas e a trajetória da família Feitosa. Disponível em: >(Raízes históricas: Penedo, Alagoas e a trajetória da família Feitosa (GuardaChuva Educação))<. Acesso em 08 de novembro de 2024.


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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Caetano José Machado: Um encontro que mudou gerações

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Oferecimento da Milena Marques Fotografia

(Texto compartilhado no dia 27 de outubro de 2025 por Susana Machado Félix)

Em 1906, o missionário Frederick Glass passou pela Vila São Sebastião do Allemão, conhecida hoje como Palmeiras de Goiás, e ficou na residência do meu bisavô materno, Caetano José Machado, que era coletor de impostos e já havia se convertido. Segundo anotações de antigos historiadores da cidade, "as reuniões eram tumultuadas por pedras lançadas no telhado; formavam-se procissões para perturbar o local do culto". Uma dessas procissões foi "sustentada com paus" pelo Caetano José, bisavô de Susana Machado Félix.

Surpreendentemente, Caetano José foi o primeiro a se tornar membro da maçonaria em Palmeira de Goiás, em março de 1892, junto com um sobrinho da Prudenciana Justina Machado. Ela se converteu aos 13 anos, ouvindo os cultos da Igreja Cristã Evangélica que eram realizados nas casas vizinhas. Foi nesse período que fez um pacto com Deus, prometendo servir com lealdade para abençoar sua família até a quarta geração. Ela abandonou o sobrenome Goulart, que era herdado de seu pai, por não querer retornar às suas raízes católicas, como desejava seu pai.

Palmeiras de Goiás era uma cidade marcada por intensas diferenças religiosas. A divisão era evidente, até mesmo os cemitérios dos protestantes e católicos eram separados. A história do Caetano José está registrada em um livro cuja primeira edição se perdeu no lançamento, restando apenas o rascunho que uma familiar repassou.

Caetano José Machado nasceu em Água Branca, Alagoas, em 1870, filho de Antônio Ignácio Machado e Antônia Maria Machado. Até o presente estudo genealógico, a família não sabe informar se o bisavô de Susana tinha irmãos, pois durante entrevistas a parentes, os tios avós nunca comentaram sobre isso. 

Ele se casou por procuração por volta de 1890 e já estava em Goiás. Eles tiveram 16 filhos. Caetano faleceu 45 dias depois da bisavó de Susana, em 23 de outubro de 1955, em Goiânia.


Água Branca/AL

Até o meio do século XVIII, a área conhecida como Água Branca estava sob a jurisdição da sesmaria de Paulo Afonso, situada na Província de Alagoas, que na época era chamada de Mata Grande. Este território era pertencente a Paulo Viveiros Afonso, um sertanista que recebeu, por meio de um Alvará Real datado de 03 de outubro de 1725, uma vasta extensão de terrenos que hoje compõem os municípios de Mata Grande, Piranhas, Delmiro Gouveia, Olho D’água do Casado, Pariconha, Inhapi e Canapi. 

A fundação do local deve-se a três irmãos portugueses da família Vieira Sandes: Faustino, José e João, que eram originários do Arquipélago dos Açores, em Portugal. Eles deixaram a localidade de Vale de Itiúba, situada às margens do rio São Francisco e atualmente parte do Município de Porto Real do Colégio (AL), além de Boacica, que hoje é parte do Município de Igreja Nova (AL), e se dirigiram para o sertão alagoano com a intenção de desenvolver a área por meio de fazendas, criação de gado e a construção de vilas. Ao chegarem à sesmaria de Paulo Afonso, fundaram uma nova povoação. Para distingui-la de Mata Grande, a nova localidade recebeu o nome de Mata Pequena, Matinha de Água Branca ou Mata de Água Branca. 

O nome Água Branca surgiu por causa de várias fontes naturais com água clara e límpida que existem na região. O primeiro desbravador da cidade de Água Branca foi Faustino Vieira Sandes, capitão da Guarda Nacional Imperial. Este imigrante português nasceu em 1680 e faleceu em 1760, aos 80 anos. Teve três crianças: João Vieira Sandes (nome que também pertenceu a um irmão), Faustino Vieira Sandes (compartilhando o mesmo nome que o pai) e José Vieira Sandes (nome herdado de um irmão). Naquela época, era comum entre as famílias a repetição de nomes como forma de preservar a linhagem e a ascendência nas gerações futuras. Além das boas pastagens que a região da caatinga proporcionava, a riqueza das áreas montanhosas atraiu muitos investidores, e as propriedades na sesmaria foram vendidas em um leilão em 1769 na cidade de Recife (PE), adquirido pelo capitão Faustino Vieira Sandes (filho), que já ocupava a terra por meio de arrendamento. Com o passar dos anos, o comércio local se expandiu, desenvolvendo-se com a criação de gado, a produção de açúcar, algodão e com grandes feiras que comercializavam gado, peles e iguarias, estimulando a economia e o progresso da área. Esses atrativos conseguiram levar outros fazendeiros de diversos estados brasileiros a visitar e, em alguns casos, se estabelecer na localidade.

No início da colonização, a família Vieira Sandes se estabeleceu nas planícies da caatinga no sertão visando à criação de gado, desbravando propriedades como Matinha, Boqueirão, Cobra, São Bento, Paraíso e Pedra. Gradualmente, eles se expandiram para as áreas mais altas da região, erguendo a Vila de Água Branca no centro dos vales montanhosos que cercam a Serra da Charneca, a Serra do Mulungu Central, a Serra da Tatajuba, a Serra dos Gonçalves, a Serra do Canto, a Serra do Paraíso, a Serra do Mulungu e a Serra do Paraíso no lado oposto. A cidade de Água Branca e suas características geográficas são definidas por quatro vales distintos.

Em 1770, o Major Francisco Casado de Melo construiu a primeira igreja situada em uma área central entre três núcleos populacionais: Várzea do Pico, Olaria e Boqueirão. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi o principal local de culto na região até o surgimento da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. No início do século XIX, as famílias Teodósio, Vieira, Viana e Félix iniciaram a ocupação de Pariconha, dedicando-se à agricultura, criação de gado e principalmente à criação de pequenos animais. Segundo a tradição local, um ouricurizeiro que produzia frutos com duas conhas, como eram chamadas as polpas, inspirou o nome da cidade, que inicialmente era ‘Par-de-Conha’ e posteriormente foi abreviado para Pariconha. Instalados em uma área chamada “Povoado Caraibeiras dos Teodósios”, às margens do Rio Moxotó, a família Teodósios ainda tem seus descendentes por lá. O restante das famílias pioneiras na colonização da área se estabeleceu onde atualmente está localizado o centro do município. Anos após a chegada desses primeiros colonizadores, um grupo da tribo indígena Jaripancós, oriundos do Município de Tacaratú (PE), especificamente de uma região conhecida como “Brejo dos Padres”, formou uma aldeia na Serra do Ouricuri, nas proximidades da nova povoação.

A história documenta a significativa visita do Imperador Dom Pedro II, que esteve acompanhado de uma delegação e da Imperatriz Thereza Cristina, à Cachoeira de Paulo Afonso, ocorrida em 20 de outubro de 1859. Este evento é lembrado por meio de um marco em bronze que foi colocado nas proximidades da Usina Angiquinho. No seu Diário de Viagem, Dom Pedro II menciona que percorreu as áreas do Baixo do São Francisco, destacando Água Branca. O Major Calaça, que era natural de Penedo, se mudou para Água Branca para se dedicar ao comércio e à pecuária. Com um extenso conhecimento da área, o Major Calaça atuou como guia para o imperador. As informações que o Major compartilhou sobre a vegetação e a vida animal da região impressionaram bastante Dom Pedro. No seu Diário, Dom Pedro II escreveu:

"Já me preparava, tendo acordado antes das 04:00h, e às 04 horas e 37 minutos partimos dos Olhos d’Água em direção ao Talhado, uma fazenda que cultiva alimentos e cria gado, chamada por aqui, Major Calaça, que parece ter grande interesse por agricultura, possuindo em Água Branca, a 06 léguas do Talhado, um sítio repleto de várias frutas, entre elas uma banana que eu não conhecia, chamada dente-de-porco. As atas, ou pinhas, não estão frutificando neste momento, assim como ocorre com o umbuzeiro do qual o Calaça me mostrou um exemplar durante o trajeto e que é abundante por aqui, especialmente na mata de Água Branca. As atas, ou pinhas, não apresentam fruto agora, da mesma forma que o umbuzeiro, cuja planta o Calaça me mostrou no percurso e que é uma espécie comum nessa região, em especial na Mata de Água Branca."


Aviso importante

Os dados da árvore genealógica apresentados neste artigo foram extraídos do FamilySearch na data da publicação. Por isso, eventuais alterações feitas depois nos perfis das pessoas citadas na plataforma não aparecerão automaticamente aqui. Este conteúdo registra o estado da pesquisa naquele momento e serve como referência da versão consultada pelos leitores.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto adaptado por Patrício Holanda



Referências bibliográficas:

A história de Água Branca. Disponível em: >(https://www.aguabranca.al.gov.br/a-historia/)<. Acesso em 27 de outubro de 2025.

Caetano José Machado. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GXP7-BQ8)<. Acesso em 27 de outubro de 2025.

Frederick Charles Glass. Disponível em: >(Frederick Charles Glass (GuardaChuva Educação))<. Acesso em 29 de outubro de 2025.

Prudenciana Justina de Jesus. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GXPQ-LKQ)<. Acesso em 27 de outubro de 2025.

terça-feira, 1 de abril de 2025

Família Nascimento: Origem e algumas genealogias no Nordeste do Brasil

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[Atualizado em 05/05/2026]

Um oferecimento da Trufado Sorveteria

O sobrenome Nascimento remonta a um significado espiritual relacionado ao nascimento de Jesus Cristo. Em Portugal, era costume que diversos pais escolhessem esse sobrenome para os filhos nascidos no dia de Natal, acreditando que isso lhes conferiria a proteção de Cristo e dos Santos, já que o nome celebrava o nascimento. Assim, várias famílias começaram a usar o sobrenome Nascimento, mesmo sem terem vínculos sanguíneos.

Além disso, Nascimento pode ser visto como uma variação do sobrenome Nassau, que tem grande relevância nos Países Baixos. Essa influência incentivou as famílias a preservarem esse sobrenome através das gerações. Em nações ibéricas e em regiões sob sua influência, pessoas que tinham o sobrenome Nassau frequentemente optaram por trocar para Nascimento, buscando conferir um toque mais latino a um nome com raízes germânicas.

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Acima, encontra-se o brasão da família Nascimento. É de origem portuguesa e apresenta um leão dourado em um fundo azul. 


De Portugal para o Brasil

Oferecemos este breve ensaio sobre um português com sobrenome Nascimento que fixou residência no Brasil e gerou grande descendência no país.

Luís Inácio do Nascimento, nascido aproximadamente em 1710 em Madeira, Portugal e se casou com a cearense Maria Simplícia de Verçosa, ela sendo filha do Alferes Ângelo Dias Leitão e Rosa Maria Ferreira. Desse matrimônio tiveram 13 filhos. São eles:

1. Francisco, nascido em 1745 em Fortaleza/CE.

2. José Luís do Nascimento, nascido aproximadamente em 1750 e se casou com Ignácia Martins Leitão, ela sendo filha de Francisco Martins Leitão Filho e Ignácia Álvares Madeira. Desse matrimônio tiveram 06 filhos.

3. Anna Maria de Jesus, nascida aproximadamente em 1753 e se casou com Manoel Ferreira da Costa. Desse matrimônio tiveram 01 filho.

4. Maria de Jesus, nascida aproximadamente em 1755 e se casou com Francisco Anacleto Guedes Coimbra, ele sendo filho de Pedro Guedes e Roza Maria dos Santos. Desse matrimônio tiveram 01 filha.

5. Antônia Ferreira dos Anjos, nascida aproximadamente em 1757 e se casou com Manoel da Costa Farrapo, ele sendo filho de Bartholomeu de Souza e Izabel Moniz. Desse matrimônio tiveram 10 filhos.

6. Tereza Maria de Jesus, nascida aproximadamente em 1762 e se casou com Braz Moniz Camelo, ele sendo filho de Carlos da Mota e Joana Moniz. Desse matrimônio tiveram 10 filhos.

7. Luís, nascido em 1762 em Amontada/CE.

8. Maria Francisca de Jesus, nascida aproximadamente em 1766 e se casou com o Capitão José Muniz Rodrigues, ele sendo filho de João Rodrigues e Maria Moniz Rodrigues. Desse matrimônio tiveram 01 filho.

9. Vicente, nascido em 1762 em Sobral/CE.

10. João, nascido aproximadamente em 1769.

11. Anna Maria da Conceição, se casou com Manoel João, ele sendo filho de João Ribeiro de Lemos e Anna Maria da Conceição. 

12. Inácia Maria de Jesus, se casou com Francisco Anacleto, ele sendo filho de Pedro Antônio e Rosa Maria dos Santos.

13. Manuel José do Nascimento, se casou com Maria Martins Leitão, ela sendo filha de Francisco Martins Leitão Filho e Ignácia Álvares Madeira. Desse matrimônio tiveram 02 filhas.


Com a intenção de ampliar as pesquisas sobre possíveis ascendentes de portugueses ou holandeses com sobrenome Nascimento na região Nordeste do Brasil, seguem mais alguns dados relevantes:

Bahia: Eufrosina Ermelinda Nascimento, nascida em 1828 em Santa Inês/BA e se casou com o português Manuel José Conde, ele sendo filho de Teodósio José do Conde e Maria de Mello Pacheco. Desse matrimônio tiveram 08 filhos.

Alagoas: Manoela Maria do Nascimento, nascida em 1800 em Alagoas e se casou com Guardiano da Costa dos Santos. Desse matrimônio tiveram 06 filhos.

Sergipe: Maria do Nascimento, nascida aproximadamente em 1789 em Sergipe e se casou com Antônio Bento de Jesus. Desse matrimônio tiveram 04 filhos.

Pernambuco: Antônia Maria do Nascimento, nascida aproximadamente em 1820 em Pernambuco e se casou com José Severino dos Anjos. Desse matrimônio tiveram 09 filhos.

Paraíba: João Pedro do Nascimento, nascido aproximadamente em 1795 na Paraíba e se casou com Maria Francisca de Lima, ela sendo filha de Francisco Correa Lima e Joana Maria de Jesus.

Rio Grande do Norte: Joaquim José do Nascimento, nascido aproximadamente em 1814 no Rio Grande do Norte e se casou com Clara Maria da Conceição.

Ceará: Vicente José do Nascimento, nascido aproximadamente em 1810 em Ipueiras/CE e se casou com Alexandrina Maria da Conceição. Desse matrimônio tiveram 10 filhos.

Piauí: Pedro José do Nascimento, nascido aproximadamente em 1820 em Pedro II/PI e se casou com Ana Joaquina da Silva, ela sendo filha de Jozé Amaro da Silva e Maria Eugênia da Silva. Desse matrimônio tiveram 07 filhos.

Maranhão: Luzia Maria Ayres do Nascimento Andrade, nascida aproximadamente em 1768 em São Luís/MA e se casou com Manoel Antônio Pereira de Souza. Desse matrimônio tiveram 05 filhos.


Minha ancestralidade na ramificação Nascimento no Ceará

1. Vicente José do Nascimento, nascido aproximadamente em 1810 em Ipueiras/CE e se casou com Alexandrina Maria da Conceição. Desse matrimônio tiveram 10 filhos. São eles:

1.1. Alexandre Ferreira das Chagas, nascido aproximadamente em 1834 e se casou com Luzia Gonçalves das Flores. Desse matrimônio tiveram 11 filhos.

1.2.  Teresa do Nascimento, nascida em 1836 em Ipueiras/CE.

1.3. Martiniana Maria da Conceição, nascida em 1837 em Ipueiras/CE e se casou com Francisco Pedro de Araújo. Desse matrimônio tiveram 06 filhos.

1.4.  Martiniano José do Nascimento, nascido em 1839.

1.5.  Felisberto José do Nascimento, nascido aproximadamente em 1840 e se casou com Anna Maria Gonçalves, ela sendo filha de Pedro Alves Feitosa e Gonçala Maria da Silva. Desse matrimônio tiveram 10 filhos.

1.6.  Ignácia do Nascimento, nascida em 1847 em Ipueiras/CE.

1.7.  Francisca do Nascimento, nascida em 1850 em Ipueiras/CE.

1.8.  João Paulo do Nascimento, nascido em 1852 em Barbalha/CE.

1.9.  José Vicente do Nascimento, nascido em 1855 no Crato/CE.

1.10.  Josefa do Nascimento, nascida em 1862 em Barbalha/CE.


Minha ancestralidade na ramificação Nascimento em Pernambuco e Rio Grande do Norte

1. Marcellino Gonçalves do Nascimento, nascido em Pernambuco e se casou com Antônia Maria da Conceição. Desse matrimônio tiveram 04 filhos. São eles:

1.1. Francisco Gonçalves do Nascimento, nascido em 1892 em Pernambuco.

1.2. Francisco Francelino do Nascimento, se casou com Otília Pinheiro da Silva, ela sendo filha de Joaquim Pereira de Paiva e Maria Pinheiro da Silva. Desse matrimônio tiveram 14 filhos.

1.3. João Francelino do Nascimento

1.4. Pedro Francelino do Nascimento, se casou com Joana Francisca da Conceição. Desse matrimônio tiveram 01 filho.


Aviso importante

Os dados da árvore genealógica apresentados neste artigo foram extraídos do FamilySearch na data da publicação. Por isso, eventuais alterações feitas depois nos perfis das pessoas citadas na plataforma não aparecerão automaticamente aqui. Este conteúdo registra o estado da pesquisa naquele momento e serve como referência da versão consultada pelos leitores.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Eugênio Pacelly Alves



Referências bibliográficas:

Alexandrina Maria da Conceição. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/G7DQ-C5Q)<. Acesso em 18 de agosto de 2024.

Antônia Maria do Nascimento. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/G64S-88F)<. Acesso em 09 de agosto de 2024.

Antônia Maria da Conceição. Disponível em: >(Antônia Maria da Conceição (FamilySearch))<. Acesso em 18 de agosto de 2024.

Braz Muniz Camelo. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GDM8-LZ8)<. Acesso em 05 de agosto de 2024.

Francisco Anacleto Guedes Coimbra. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/G3HN-2YC)<. Acesso em 05 de agosto de 2024.

Eufrosina Ermelinda Nascimento. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/G9WR-WM2)<. Acesso em 05 de agosto de 2024.

Ignácia Martins Leitão. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/G7GN-T69)<. Acesso em 03 de agosto de 2024.

João Pedro do Nascimento. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/GCMF-LGK)<. Acesso em 12 de agosto de 2024.

Joaquim José do Nascimento. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/LC5J-MS6)<. Acesso em 12 de agosto de 2024.

Luís Inácio do Nascimento. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/GSNQ-JC7)<. Acesso em 03 de agosto de 2024.

Luzia Maria Ayres do Nascimento de Andrade. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GY4L-55X)<. Acesso em 18 de agosto de 2024.

Maria Simplícia de Verçosa. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GSNQ-9N6)<. Acesso em 03 de agosto de 2024.

Manoel Ferreira da Costa. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GH2N-JK9)<. Acesso em 03 de agosto de 2024.

Manoela Maria do Nascimento. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/GP7N-1BM)<. Acesso em 09 de agosto de 2024.

Marcellino Gonçalves do Nascimento. Disponível em: >(Marcellino Gonçalves do Nascimento (FamilySearch))<. Acesso em 18 de agosto de 2024.

Maria do Nascimento. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/G14P-MHV)<. Acesso em 09 de agosto de 2024.

Origem da família Nascimento. Disponível em: >(https://franciscoguiacm.blogspot.com/2013/06/origem-da-familia-nascimento.html)<. Acesso em 02 de agosto de 2024.

Os primeiros colonizadores portugueses no Ceará entre 1700 e 1800. Disponível em: >(https://www.angelfire.com/linux/genealogiacearense/index_povoadores.html)<. Acesso em 03 de agosto de 2024.

Pedro José do Nascimento. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/LTYJ-8GB)<. Acesso em 18 de agosto de 2024.

Vicente José do Nascimento. Disponível em: >(https://www.familysearch.org/pt/tree/person/details/G7DQ-6MN)<. Acesso em 18 de agosto de 2024.