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(Texto compartilhado no dia 06 de outubro de 2026 por José Tavares de Araújo Neto)
Em 2026 chegou ao público A Saga do Sargento Clementino Quelé no Encalço de Lampião e na Revolta de Princesa, meu novo livro, publicado pela Editora Oxente. São 260 páginas dedicadas à trajetória de Clementino José Furtado, o Sargento Quelé, e aos acontecimentos que marcaram sua vida entre o cangaço, as forças volantes e a Revolta de Princesa. (COSTA, 2025a, não paginado).
A ideia de escrever este livro amadureceu ao longo das pesquisas que venho realizando sobre a história do sertão. Quanto mais eu encontrava referências a Clementino Quelé em jornais, documentos, correspondências e relatos, mais percebia que havia uma história muito maior do que aquela que normalmente aparece nas narrativas sobre o cangaço. (BATISTA, 2025, não paginado).
Quelé aparece quase sempre ligado à perseguição a Lampião. Mas sua trajetória começa antes disso e não termina com os combates contra os cangaceiros. Sua vida esteve profundamente ligada às disputas políticas do sertão pernambucano e paraibano e, mais tarde, aos acontecimentos da Revolta de Princesa. (SILVA, 2020, p. 48; COSTA, 2025a, não paginado).
Catalogação editorial
N°. 02 | Sargento Quelé, Lampião e a Revolta de Princesa: A história do cangaço e dos conflitos no sertão nordestino | 09 de outubro de 2026 | História
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Clementino José Furtado nasceu em 23 de setembro de 1886. Viveu num período em que as relações políticas no interior do Nordeste eram marcadas por disputas entre famílias, chefes políticos, autoridades locais e grupos armados. Foi nesse ambiente que construiu sua trajetória, primeiro como homem ligado às questões políticas de sua região e depois como integrante das forças que combateram o cangaço. (SILVA, 2020, p. 48; BATISTA, 2025, não paginado).
Seu nome ganhou força principalmente a partir dos confrontos com Lampião. O apelido de “Tamanduá Vermelho”, atribuído a ele por Lampião, tornou-se conhecido nos sertões. A perseguição entre os dois ganhou contornos ainda mais fortes depois dos conflitos que atingiram diretamente a família de Clementino. (COSTA, 2025b, não paginado).
Um de seus irmãos, Pedro Quelé, foi morto, e a casa onde estavam sua mãe e seus irmãos foi incendiada. Anos depois, Quintino Furtado, outro irmão de Clementino, também morreria durante um confronto com cangaceiros. Esses acontecimentos ajudam a compreender a dimensão pessoal que a luta contra Lampião assumiu para Quelé. (COSTA, 2022, não paginado; COSTA, 2025a, não paginado).
O livro acompanha vários desses episódios. Entre eles está o combate da Lagoa do Vieira, em 1924, quando Lampião foi gravemente ferido. A documentação da época registra a participação de Clementino na luta e mostra como aquele confronto contribuiu para aumentar sua fama como perseguidor de cangaceiros. (MEDEIROS, 2013, não paginado).
Imagem 1 - 5ª Feira de Cordel Integrada (Leandro Gomes de Barros)
Fonte: José Tavares de Araújo Neto Convite do lançamento do livro (2026)
Outro capítulo importante da história aconteceu depois do ataque de Lampião a Mossoró, em junho de 1927. As forças paraibanas foram enviadas para auxiliar na perseguição ao bando. Clementino participou dessa campanha e sua tropa percorreu áreas do Rio Grande do Norte e do Ceará. (COSTA, 2025a, não paginado; MEDEIROS, 2013, não paginado).
Há um episódio curioso relacionado à chegada dos paraibanos a Mossoró. Os soldados comandados por Quelé usavam roupas semelhantes às dos cangaceiros e alguns tinham cabelos compridos. Quando chegaram à cidade, houve quem imaginasse que Lampião estivesse voltando com seus homens. Só depois perceberam que se tratava da força policial paraibana. (COSTA, 2025a, não paginado).
A atuação de Clementino naquela campanha foi reconhecida oficialmente pela Intendência Municipal de Mossoró. Uma moção registrada em ata destacou o trabalho do sargento, do tenente João Costa e dos soldados paraibanos que participaram da defesa da cidade e da perseguição ao bando de Lampião. (COSTA, 2025a, não paginado).
Mas os documentos também registram outro lado dessa história. Jornais da época publicaram acusações de violência contra Clementino e contra outros integrantes das forças volantes. Há relatos de torturas, execuções e perseguições a pessoas suspeitas de colaborar com os cangaceiros. Essas denúncias fazem parte da documentação consultada e não poderiam ser ignoradas numa pesquisa que pretende compreender a atuação de Quelé. (SILVA, 2020, p. 53; COSTA, 2025a, não paginado).
Foi justamente o confronto entre versões que me levou a aprofundar a pesquisa.
Não queria simplesmente repetir o que outros autores já haviam escrito. Procurei voltar às fontes e confrontar aquilo que aparecia nos jornais com documentos oficiais, telegramas, correspondências e depoimentos. Em vários momentos, as versões são diferentes. Em outros, uma fonte ajuda a esclarecer aquilo que aparece apenas de forma fragmentada em outra. (COSTA, 2025a, não paginado; BATISTA, 2025, não paginado).
A pesquisa também mostrou que a história de Clementino não pode ser separada da política.
Em 1930, quando começou a Revolta de Princesa, o homem que durante anos havia sido aliado do coronel José Pereira passou a combatê-lo. A antiga relação entre os dois foi rompida pela conjuntura política. Clementino ficou ao lado do governo paraibano, enquanto José Pereira comandava o movimento rebelado de Princesa. (COSTA, 2025a, não paginado; BATISTA, 2025, não paginado).
É nesse momento que a trajetória de Quelé ganha uma nova dimensão. O homem que havia combatido Lampião ao lado de forças ligadas aos chefes políticos do sertão agora enfrentava antigos aliados. O livro acompanha essa mudança e os combates em que Clementino participou durante a Revolta de Princesa. (COSTA, 2025a, não paginado).
Depois de tantos anos de lutas, Clementino terminou sua vida em Prata, na Paraíba. (MEDEIROS, 2013, não paginado; BATISTA, 2025, não paginado).
Foi ali que, em 28 de setembro de 2025, fiz uma visita ao seu túmulo, acompanhado por amigos do Grupo de Estudo Borborema Cangaço. Encontramos a sepultura praticamente abandonada. Aquele momento teve um peso especial para mim. Estávamos diante do túmulo de um homem cujo nome ainda está presente na memória do sertão, mas cuja sepultura não recebia o cuidado que sua importância histórica mereceria.
Essa visita acabou reforçando uma preocupação que já estava presente durante a pesquisa: a necessidade de preservar a memória de Clementino Quelé.
Não pretendi escrever uma biografia para glorificá-lo. Também não procurei construir uma condenação. Procurei reunir o que os documentos permitem conhecer, registrar as diferentes versões e deixar que o leitor acompanhe os acontecimentos. (COSTA, 2025a, não paginado).
Clementino Quelé viveu num sertão marcado pela violência, pelas disputas políticas, pelo cangaço e pela ausência de instituições capazes de controlar muitos dos conflitos que se espalhavam pelo interior. Suas escolhas precisam ser examinadas dentro desse ambiente, sem retirar dele a responsabilidade pelos atos que praticou. A historiografia sobre o período registra, simultaneamente, a violência dos grupos cangaceiros e as arbitrariedades praticadas pelas forças volantes. (SILVA, 2020, p. 53; MELLO, 2019 apud SILVA, 2020, p. 69).
Este livro é, antes de tudo, resultado de pesquisa. É uma tentativa de reunir documentos dispersos e colocar novamente em circulação fatos que permaneceram esquecidos ou foram tratados apenas de passagem.
Ao longo das páginas, aparecem Lampião, José Pereira, as forças volantes, a Coluna Prestes, a Revolta de Princesa, os combates, os jornais, as denúncias e as histórias contadas pela memória sertaneja. No centro de tudo isso está Clementino Quelé, acompanhando os acontecimentos de seu tempo e deixando suas próprias marcas na história. (COSTA, 2025a, não paginado; SILVA, 2020, p. 48-53).
Segundo José Tavares de Araújo Neto, foi essa história que procurou contar.
Uma história que começa muito antes da fama do Sargento Quelé e continua depois dos combates. Uma história de família, de política, de violência, de perseguição, de alianças e rupturas. Uma história do sertão.
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Notas de pesquisa
COSTA, João. Apresenta a trajetória de Clementino José Furtado, sua passagem pelo cangaço, sua entrada nas forças volantes, os conflitos com Lampião, a Revolta de Princesa e aspectos de sua atuação policial. Reconstitui a trajetória do Sargento Quelé a partir de fontes primárias e secundárias, destacando documentos oficiais, telegramas, relatórios, fichas policiais, jornais e depoimentos. Aborda a origem do apelido “Tamanduá Vermelho” e a imagem de Clementino Quelé na memória do cangaço e da Polícia Militar da Paraíba.
BATISTA. Reúne uma síntese de pesquisas anteriores sobre Quelé e transcreve documentação oficial relacionada à sua incorporação à Força Pública da Paraíba.
MEDEIROS. Reconstrói os combates entre Clementino Quelé e Lampião em Santa Cruz da Baixa Verde, utilizando depoimentos de história oral, jornais e referências bibliográficas sobre o cangaço.
SILVA. Estudo acadêmico sobre o cangaço, a violência, as forças volantes, o coronelismo e os conflitos do sertão nordestino entre 1920 e 1930. Trabalho de conclusão de curso apresentado à Universidade Federal de Alagoas em 2020.
Fontes primárias
BOLETIM DA FORÇA PÚBLICA DA PARAÍBA;
A NOTÍCIA;
RAMOS;
ATA/MOÇÃO DA INTENDÊNCIA MUNICIPAL DE MOSSORÓ.
Fontes secundárias
COSTA;
BATISTA;
MEDEIROS;
SILVA;
MELLO.
Fontes terciárias
TOK DE HISTÓRIA;
CARIRI CANGAÇO;
BLOG DO JOÃO COSTA.
Hipóteses ou suposições
A autoria do apelido “Tamanduá Vermelho”. A atribuição do apelido a Lampião é recorrente nas fontes consultadas, mas a explicação específica de que a alcunha estaria relacionada à aparência física de Clementino deve ser tratada como versão narrativa, e não como fato documental absoluto.
A participação anterior de Quelé no bando de Lampião. As fontes apresentam versões diferentes sobre a relação inicial entre os dois. A própria pesquisa de Batista registra uma versão segundo a qual Quelé teria integrado o grupo de Lampião, enquanto outra narrativa, baseada em Rodrigues de Carvalho, afirma que ele não conhecia Lampião antes dos ataques. Portanto, trata-se de questão que deve ser apresentada com ressalva.
A motivação dos ataques à família Furtado. A hipótese de que determinados ataques contra Quelé teriam relação com disputas políticas locais aparece nas fontes como interpretação ou “voz corrente”, não como fato definitivamente comprovado.
A identificação de Clementino na música “No Piancó”. Medeiros registra a dúvida sobre a possibilidade de o Clementino mencionado na composição ser efetivamente o mesmo personagem histórico que perseguiu Lampião, deixando a questão como hipótese.
Transcritos do FamilySearch. Nenhum dos links fornecidos para esta pesquisa corresponde diretamente a um registro ou transcrição do FamilySearch. Por isso, não é metodologicamente adequado incluir FamilySearch como fonte primária, nem atribuir hipóteses genealógicas à plataforma, sem que sejam apresentados os respectivos registros.
Declaração de Originalidade
O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.
Texto adaptado por Eugênio Pacelly Alves
Referências bibliográficas:
_________José Tavares de Araújo Neto. 5ª Feira de Cordel Integrada (Leandro Gomes de Barros). 2026. Imagem colorida.
“Tamanduá Vermelho”: ícone do Cangaço e da Polícia Militar da PB. Disponível em: >(“Tamanduá Vermelho”: ícone do Cangaço e da Polícia Militar da PB)<. Acesso em 04 de fevereiro de 2026.
A Briga de Quelé com o cangaceiro Meia Noite por: Rostand Medeiros. Disponível em: >(A Briga de Quelé com o cangaceiro Meia Noite por: Rostand Medeiros)<. Acesso em 04 de fevereiro de 2026.
A reputação de Clementino Quelé no cangaço e na volante por: João Costa. Disponível em: >(A reputação de Clementino Quelé no cangaço e na volante por: João Costa)<. Acesso em 04 de fevereiro de 2026.
AS BATALHAS ENTRE CLEMENTINO QUELÉ E LAMPIÃO EM SANTA CRUZ DA BAIXA VERDE – PE. Disponível em: >(AS BATALHAS ENTRE CLEMENTINO QUELÉ E LAMPIÃO EM SANTA CRUZ DA BAIXA VERDE – PE)<. Acesso em 04 de fevereiro de 2026.
CLEMENTINO QUELÉ E CHICO PEREIRA: O CHOQUE DE DOIS DESTINOS NO SERTÃO. Disponível em: >(CLEMENTINO QUELÉ E CHICO PEREIRA: O CHOQUE DE DOIS DESTINOS NO SERTÃO)<. Acesso em 04 de fevereiro de 2026.
FIRMO, Lúcia Maria. QUANDO A LAMA VIROU PEDRA E MANDACARU SECOU. 2012. 316 f. Tese (Doutorado em Letras), Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2012. Disponível em: >(QUANDO A LAMA VIROU PEDRA E MANDACARU SECOU)<. Acesso em 15 de janeiro de 2026.
Livro: A Saga do Sargento Quelé, O Lendário Tamanduá Vermelho. Disponível em: >(Livro: A Saga do Sargento Quelé, O Lendário Tamanduá Vermelho)<. Acesso em 04 de fevereiro de 2026.
Livro: “A Saga do Sargento Clementino Quelé” e a Revolta de Princesa. Disponível em: >(Livro: “A Saga do Sargento Clementino Quelé” e a Revolta de Princesa)<. Acesso em 04 de fevereiro de 2026.
Quelé: O Sargento que foi cangaceiro. Disponível em: >(Quelé: O Sargento que foi cangaceiro)<. Acesso em 04 de fevereiro de 2026.
SILVA, Dorgival Ferreira da. Cangaço : sofrimentos, crimes e lutas no sertão nordestino. 2020, 80 f. Monografia (Licenciatura em História), Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2020. Disponível em: >(Cangaço : sofrimentos, crimes e lutas no sertão nordestino)<. Acesso em 15 de janeiro de 2026.
Voz, memória e verdade de um homem do sertão. Disponível em: >(Voz, memória e verdade de um homem do sertão)<. Acesso em 04 de fevereiro de 2026.



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