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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Revolta de Princesa na Paraíba: O espancamento do promotor Praxedes Pitanga e o episódio que abalou as autoridades locais

 

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A história da Revolta de Princesa, na Paraíba, não se resume aos confrontos entre grupos armados, às disputas políticas ou às lideranças que ganharam notoriedade no sertão nordestino. Existem episódios envolvendo autoridades públicas que também merecem atenção, sobretudo quando revelam situações de violência, constrangimento e fragilidade das instituições.

Entre esses acontecimentos está o relato de uma agressão sofrida pelo promotor Praxedes Pitanga durante uma festa beneficente organizada em Princesa. O episódio teria começado com uma brincadeira durante um leilão de prendas e terminado em espancamento público, correria e medo entre os participantes. A conduta atribuída ao juiz José de Farias, que presidia a festividade, também integra a narrativa e suscita questionamentos sobre a responsabilidade das autoridades presentes.

A abordagem adotada é histórico-documental, com análise contextual e comparação de informações sobre a atuação das forças militares na Paraíba, a organização da segurança pública e os conflitos políticos regionais.


Catalogação editorial

N°. 02 | Revolta de Princesa na Paraíba: O espancamento do promotor Praxedes Pitanga e o episódio que abalou as autoridades locais | 06 de novembro de 2026 | História


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Coronel Batista (2016), ao abordar a resistência da Polícia Militar paraibana à Coluna Prestes, apresenta elementos sobre a organização das tropas, seus deslocamentos e as condições de atuação dos contingentes militares. O autor registra que os telegramas oficiais daquele contexto foram publicados no jornal A União, indicando um caminho para futuras consultas documentais.

Também foi considerado o artigo de Alysson Pereira (2026), que examina a passagem da Coluna Miguel Costa–Prestes pelo território paraibano e as consequências dos confrontos para a população sertaneja.

O relato sobre a agressão a Praxedes Pitanga apresenta um ambiente no qual as relações entre autoridades civis e militares estavam atravessadas por desconfiança e tensão. A festividade beneficente, organizada para arrecadar recursos destinados às vítimas da seca, transformou-se em cenário de um conflito inesperado.

Durante o leilão, uma manifestação jocosa do promotor, direcionada ao tenente Mourinha, teria provocado indignação entre os soldados. A brincadeira foi interpretada como afronta à honra militar. A reação ultrapassou qualquer possibilidade de simples reprimenda: integrantes da tropa avançaram contra a barraca, utilizaram pedaços da estrutura como instrumentos de agressão e cercaram o representante do Ministério Público.

A violência descrita não ficou restrita a uma discussão. Pitanga teria recebido golpes de varas e socos, enquanto disparos isolados e o desespero dos presentes transformavam a praça em um ambiente de pânico. Mulheres e crianças procuraram abrigo, e o promotor precisou fugir pelas ruas próximas, encontrando esconderijo em uma casa de farinha.

O acontecimento merece ser situado no contexto mais amplo da militarização dos conflitos paraibanos. Coronel Batista (2016) descreve a movimentação das forças policiais e a atuação dos grupos armados no sertão. Em passagem reproduzida pelo autor, o historiador João Francisco descreve o ambiente de Piancó com a expressão: “Dúvida e apreensão absoluta pairava na mente de todos” (JOÃO FRANCISCO apud CORONEL BATISTA, 2016, não paginado). Embora referente a outro episódio, a passagem demonstra o clima de insegurança que marcou os enfrentamentos militares na região.

Pereira (2026), por sua vez, observa que a passagem da Coluna Prestes evidenciou a relação entre estratégia militar, liderança política e consequências para a população civil. O autor destaca que os confrontos produziram marcas duradouras na memória sertaneja. Essa interpretação permite compreender por que episódios de violência envolvendo militares e civis precisam ser examinados para além de suas circunstâncias imediatas.

Outro aspecto relevante é a posição atribuída ao juiz José de Farias. Segundo o relato apresentado, ele presidia a festa, mas não teria tentado interromper as agressões, recorrer aos oficiais presentes ou organizar alguma medida de proteção. Sua ausência durante a confusão e o posterior reaparecimento em condições de evidente abalo físico constituem elementos curiosos da narrativa.

O episódio de seu esconderijo em um forno utilizado para assar bolos acrescenta uma dimensão incomum ao acontecimento. Entretanto, a circunstância não deve ser interpretada automaticamente como prova de covardia ou negligência deliberada. Para estabelecer responsabilidades, seria necessário conhecer os depoimentos, os registros administrativos e eventuais procedimentos instaurados depois da ocorrência.

O episódio envolvendo Praxedes Pitanga apresenta uma narrativa significativa para o estudo da violência pública e das relações entre autoridades civis e militares durante os conflitos paraibanos. Uma festa beneficente, destinada a auxiliar pessoas atingidas pela seca, teria terminado em agressões e dispersão dos participantes.

A atuação dos soldados, a fuga do promotor e o comportamento atribuído ao juiz José de Farias levantam questões que ultrapassam o acontecimento individual. São aspectos que merecem investigação documental, especialmente para esclarecer as responsabilidades dos envolvidos e verificar a repercussão institucional da agressão.

Na minha avaliação, o aspecto mais inquietante desse episódio não está propriamente na brincadeira feita durante o leilão, mas na reação desproporcional que teria sido desencadeada contra um representante do Ministério Público.

Nenhuma manifestação jocosa, ainda que considerada ofensiva por integrantes de uma corporação militar, justifica o emprego coletivo da violência física. A honra institucional não pode servir de autorização para agressões, muito menos quando praticadas em público e diante de autoridades que deveriam preservar a ordem.

Também considero necessário observar a posição do juiz José de Farias sem antecipar julgamentos. Seu comportamento, conforme descrito, chama atenção, mas a reconstrução histórica exige distinguir o que foi testemunhado, o que foi transmitido por terceiros e aquilo que ainda depende de comprovação.

Resgatar acontecimentos dessa natureza significa ampliar a compreensão sobre a Revolta de Princesa. A história regional não deve preservar somente os feitos de comandantes, políticos e personagens conhecidos. Precisa igualmente investigar os episódios constrangedores, as vítimas e as atitudes daqueles que ocupavam posições de responsabilidade pública.

É justamente nesses acontecimentos menos conhecidos que a pesquisa histórica encontra perguntas capazes de modificar a compreensão sobre o passado paraibano.


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Notas de pesquisa

CORONEL BATISTA. Apresenta a atuação da Polícia Militar da Paraíba durante a passagem da Coluna Prestes, descrevendo movimentações de tropas, confrontos, estratégias de defesa e registros de comunicação militar. O artigo também reproduz material atribuído a outras fontes históricas.

PEREIRA. Reconstrói a passagem da Coluna Miguel Costa–Prestes pela Paraíba, abordando a resistência militar, os acontecimentos em Pombal e Piancó e os impactos dos enfrentamentos sobre a população sertaneja.


Fontes primárias

  • Jornal A União;

  • Eventuais autos de investigação;

  • Depoimentos originais de testemunhas da festividade;

  • Documentos judiciais e registros funcionais de Praxedes Pitanga e José de Farias.


Fontes secundárias

  • CORONEL BATISTA.

  • PEREIRA.


Fontes terciárias

  • A Briosa;

  • Liberdade PB;

  • GuardaChuva Educação.


Hipóteses ou suposições

  • A interpretação de que o lance feito por Praxedes Pitanga foi recebido pelos militares como afronta deliberada.

  • A possibilidade de que o juiz José de Farias tenha se escondido em um forno de assar bolos durante a confusão.

  • A alegação de que a intervenção das autoridades presentes poderia ter impedido o agravamento das agressões.

  • Transcrições do FamilySearch eventualmente relacionadas aos personagens, caso não estejam acompanhadas das imagens dos documentos originais.

  • Eventuais relações de parentesco entre os envolvidos, enquanto não confirmadas por documentação genealógica.


Declaração de Originalidade

O presente artigo foi produzido a partir de pesquisa autoral, com base em fontes históricas, documentais e bibliográficas devidamente referenciadas e passou por verificação de similaridade textual com ferramentas profissionais de detecção de plágio. As fontes utilizadas estão devidamente citadas, respeitando direitos autorais e boas práticas editoriais.



Texto de Eugênio Pacelly Alves


Referências bibliográficas 

A Coluna Prestes na Paraíba. Disponível em: >(A Coluna Prestes na Paraíba)<. Acesso em 16 de março de 2026. 

A PASSAGEM DA COLUNA PRESTES PELA PARAÍBA (1926). Disponível em: >(A PASSAGEM DA COLUNA PRESTES PELA PARAÍBA (1926))<. Acesso em 08 de abril de 2026. 

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